Sociedade

Mãe abandona três menores

Três crianças, uma de 2 anos de idade, outra de 4 e uma terceira de 10 anos, foram a abandonadas pela mãe identificada pelo único nome de Safira, há mais de um mês no bairro de Maxaquene “A”, Rua 3.058, Quarteirão 22, arredores da cidade de Maputo.

As referidas crianças não vêem a mãe há mais de um mês e conforme refere a  menor de dez anos, de nome Chefe, “a mamã saiu de casa à procura de trabalho de pronto pagamento (biscates), como vinha fazendo habitualmente, e não regressou”.  

Entretanto, a rotina destes três menores complica-se a cada dia que passa, principalmente quando o assunto é alimentação. Dias há, que dormem sem meter nada no estômago. Dependem dos vizinhos ou de outras pessoas de boa fé para lhes oferecerem dinheiro para a compra de pão ou restos de comida.

Conforme soubemos no local, a casa onde as três crianças foram abandonadas pela mãe foi disponibilizada pelo chefe de Quarteirão 22, por se tratar de uma família sem meios para se sustentar. 

Trata-se de uma casa construída com betão, que segundo os moradores era prisão no tempo colonial. Tem uma janela que não abre e uma porta de grades que já não fecha. Sempre que chove, as crianças dormem em pé, pois a casa admite infiltração de água pelo tecto e até por baixo.

No local, foi até possível ver os cobertores ensopados pendurados no muro de um dos vizinhos para secar. Dentro da casa, sente-se um mau cheiro devido à humidade, o que coloca a saúde das crianças em risco.    

PAI DE UMA DAS CRIANÇAS ESTÁ ‘DESAPONTADO’

Juvêncio Honwana, pai da criança de dois anos de idade, de nome Bito, mostrou-se desapontado com o desaparecimento da mãe do filho. Segundo ele, conheceu Safira há quatro anos e tiveram um relacionamento que terminou recentemente. Bito é fruto dessa relação, que começou numa das casas de Maxaquene “A”, onde se vendem bebidas tradicionais.

Honwana afirma não ter condições de arcar com as despesas de alimentação e acomodação dessas três crianças. “Quando amanhece, procuro realizar trabalhos de pronto pagamento para conseguir o sustento. Algumas vezes não consigo trabalho e dormimos sem comer nada”, disse.

Juvêncio Honwana afirmou que neste momento de desaparecimento de Safira, “quando possível passo a noite com estas crianças”.

Beatriz Pelembe, uma das vizinhas que acompanha o seu dia-a-dia, disse ser“doloroso ver o sofrimento destas crianças. Quando conseguimos algo para a sua alimentação, oferecemos. Mas elas chegam a ficar dois dias sem meter nada no estômago”.

CRIANÇAS NÃO CONHECEM

A PORTA DA ESCOLA

Conforme soube o domingoa criança de dez anos, Chefe, ainda não pisou o recinto escolar. Nunca foi matriculado em nenhum estabelecimento de ensino. Pior ainda nunca foi registado. Aliás, nenhum dos três foi registado. Mas Chefe gostaria de estudar, tal como outras crianças. “Ainda não peguei em nenhum caderno e muito menos num lápis. Fico com inveja das outras crianças”, confessa o menino.

A nossa Reportagem tentou sem sucesso ouvir o chefe de quarteirão, pois não se encontrava na sua residência no momento da reportagem.

Idnórcio Muchanga

aly.muchanga@gmail.com

Fotos de Jerónimo Muianga

   

 

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