Reportagem

O barulho dos reembolsos

No distrito de Morrumbala, sul da província da Zambézia, a nossa Reportagem visitou o Gapi, Sociedade de Investimentos, que se pode gabar de estar a operar numa área onde há uma intensa actividade agrícola, 

com retornos relativamente bons e onde a única complicação reside na qualidade das estradas e nas distâncias a percorrer para encontrar alguns mutuários.

“Alguns mutuários residem na região de Dôa, no distrito de Mutarara, que dista uns 200 quilómetros (km) e outros em Mopeia, que se localiza a uns 90 km, e isso dificulta um pouco a nossa acção, porque as estradas nem sempre estão em condições”, afirma Manuel Tenente Frio, gerente da delegação do Gapi.  

Enquanto Tenente Frio se queixa das distâncias que deve percorrer para visitar um cliente, João Paulo, gerente do Microcrédito e Serviços (Micredis), do distrito de Gurúe, na Zambézia, brada aos céus para recuperar os créditos que concedeu aos funcionários públicos locais.

Segundo palavras suas, o FARE estava aberto a conceder uma linha de crédito de cerca de nove milhões de meticais. Porém, depois de receber a primeira “fatia” de três milhões e 600 mil meticais, João Paulo solicitou a reestruturação da linha de crédito para evitar complicações.

“A taxa de retorno dos agricultores é boa e está situada em 98 por cento. Os comerciantes também devolvem bem o dinheiro e posso garantir que estamos em 92 por cento de reembolsos. Entretanto, já não posso dizer o mesmo em relação ao crédito ao consumo, que é mais solicitado por funcionários públicos, maioritariamente professores, que nos dão o salário como garantia. Os reembolsos deste segmento do mercado rondam os 70 por cento”, lamenta.

À semelhança do Micredis, os gestores da Matias Microcrédito, na sede do distrito de Alto-Molócue, também andam às voltas para recuperar os créditos cedidos a funcionários públicos, na componente do consumo, conforme revela Leonilde Mucavele Malene, gestora de créditos desta instituição.

“Recebemos os fundos do FARE para estabelecer linhas de crédito e, porque a comunidade não entendia o que é isso de microcrédito, foi necessário levar algum tempo a realizar acções de sensibilização, o que nos fez perder algum tempo e observarmos um atraso no reembolso dos juros do capital concedido pelo FARE”, disse.

Para recuperar o tempo perdido e flexibilizar o retorno dos valores, o “Matias Microcrédito” tomou a amarga decisão de se voltar para os funcionários públicos, mais concretamente para os professores que são a maioria. “Pensávamos que essa poderia ser uma saída rápida, mas constatamos que os funcionários do Estado têm dívidas muito grandes junto dos bancos comerciais, com singulares e também com agiotas, o que faz com que tenham dificuldades de pagar, pelo que a nossa taxa de reembolso situa-se em 70 por cento”, disse.

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