Reportagem

Mitigação de cheias e secas

Segundo Gildo Sibumbe, um dos administradores da Hidroléctrica de Cahora Bassa, sendo o negócio HCB a venda de energia, não faria sentido desperdiçar água que é fonte primária de produção.

Segundo o nosso entrevistado, as descargas vão sempre no sentido de controlar o enchimento da albufeira, preservando os aspectos ligados a segurança estrutural e hidráulico operacional da 

obra, sob pena de se provocar uma verdadeira catástrofe, que corresponde ao galgamento e possível destruição da infra-estrutura.

Refira-se que as descargas bem planificadas vão sempre no sentido de atenuação ou mitigação de possíveis eventos extremos cheias ou de secas a jusante.

Ou seja: as barragens são construídas para serem “celeiros” de água. Têm que ter sempre água para poder ser utilizada nas diversas actividades económicas, pois pode chover um dia só, haver muita água e logo a seguir sumir, tal como acontece entre nós, num cenário em que geralmente as secas são seguidas por estiagem.

Nesta perspectiva as barragens têm o papel de armazenar a água, contudo não existe no mundo uma barragem construída com capacidade para reter toda época chuvosa.

 

O PAPEL DA HCB

 

A HCB é a principal obra hidráulica de Moçambique, com uma capacidade útil de cerca de 40 000 milhões de metros cúbicos.

O controlo das cheias é feito através dos órgãos de descarga da barragem: os descarregadores de fundo, em número de oito e um de superfície, cuja capacidade máxima de escoamento é de 14 000 metros cúbicos por segundo.

A Barragem de Cahora Bassa continuou a jogar um papel importante na atenuação das ondas de cheias provenientes dos países vizinhos que podiam agravar o Baixo Zambeze.

Só para citar um exemplo, até 19 de Janeiro de 2013, as descargas foram apenas de cerca de 1800 metros cúbicos por segundo (para produção de energia), o que significa que a HCB teve, neste período, uma eficiência de amortização das ondas de cheia de mais de 50 por cento.

 

MACARRETANE NÃO É BARRAGEM

 

Importa referir que o açude de Macarretane não foi feita para armazenamento de agua  e nem tem capacidade armazenagem.

Foi feito para regular o nível de entrada de água no regadio de Chókwè e para que a agua possa entrar por gravidade.

As comportas ali disponíveis comandam o nível de água para estar acima do canal principal para a água entrar no regadio. A infra-estrutura tem uma capacidade 4 milhões de metros cúbicos.

Com os quatro milhões cúbicos que entraram este ano, durante as cheias em Chokwe, bastam quatro minutos para encher a barragem de Macaretane.

Ou seja: Macarretane foi concebido tendo a barragem de Massingir para reservar água e minimizar cheias.

O açude não descarrega água. Suas comportas não foram feitas para descarregar. Num cenário de cheias são reguladas para deixar água passar, não para armazenar.

É dentro deste cenário que ganha corpo a necessidade de construção da barragem de Mapai, porque, na verdade, o Rio Limpopo não tem nenhuma grande infra-estrutura de retenção.  

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