Opinião

NYUSI: A PONTE GERACIONAL!

Os olhos, as atenções. Arrisco-me a dizer que da quase totalidade dos moçambicanos e não só, estavam virados para a Escola Central da Frelimo, nos últimos dois dias de Fevereiro e os primeiros dois dias de Março de 2014, tudo porque decorria a III Sessão do Comité Central da Frelimo que, de entre vários pontos de agenda, constava a eleição do candidato por este partido às eleições de 15 de Outubro.

Na verdade, não era para menos, existe a percepção generalizada de que, o candidato da Frelimo é o virtual vencedor das eleições, concorrendo, para este facto, o carácter organizacional do partido, a implantação em todo o território nacional e a pujança e vitalidade dos seus diferentes órgãos sociais.

Se a eleição do candidato da Frelimo era o ingrediente principal, outras razões levaram a que a sociedade tivesse a sua atenção virada para a Escola do partido libertador, pois, depois da indicação dos três pré-candidato deste partido, nas conversas do dia entre os adultos era de forma invariável a análise sobre quem dos três teria a chance de passar, outros ainda, esgrimiam argumentos estatutários que os pudesse permitir que, os órgãos do partido aceitassem a entrada de outros candidatos para a corrida junto dos três. Como resultado deste debate democrático, os Senhores Aires Aly e Dra. Luísa Diogo juntaram-se à lista totalizando cinco candidatos! Muitos? Talvez sim, talvez não, contudo, realce para a “abundância” de quadros com perfis presidencial no seio do partido libertador, recordo me de uma frase de um dirigente da Frelimo, que dizia, “se antes havia problema de quadros, hoje, o desafio é enquadrar e gerir os quadros”.
Vale recordar que, o debate em torno dos pré-candidatos da Frelimo não foi nada pacífico, tudo devido à interpretação dos estatutos da Frelimo sobre quem deve apresentar os candidatos para esse efeito, facto que ditou a “zanga” do secretário-geral do partido que, na primeira oportunidade do encontro entre os seus pares do Comité Central, deixou o lugar à disposição destes, mas, manteve a serenidade necessária para a apresentação dos documentos da IIIª Sessão do Comité Central tendo em conta que, é o executivo do partido. Nesse aspecto particular, Filipe Chimoio Paúnde saiu-se muito bem, aliás, muitos dos seus pares elogiaram o trabalho do secretariado do CC mas, o mal estava feito.

ACTO ELEITORAL DO CANDIDATO

A eleição do candidato da Frelimo às presidenciais de Outubro de 2014, na minha opinião, constituiu-se em momento do exercício de democracia no seio do partido, os candidatos tinham os seus representantes junto do órgão eleitoral constituído para o efeito; a contagem de votos realizou-se em plena sala de sessões e na presença dos membros do Comité Central e convidados, os diferentes suportes de candidatura eram visíveis pelo nervosismo no período que antecede o acto mas, depois da proclamação dos resultados da primeira volta, podia se ler na face dos candidatos com menos votos, nomeadamente, José Pacheco, Aires Aly e Alberto Vaquina o semblante de dever cumprido.

A segunda volta, foram os dois mais votados uma vez que, nenhum dos candidatos conseguiu satisfazer a formula “50%⁺1” ou seja, participaram deste round Filipe Jacinto Nyusi e Luísa Diogo, que haviam arrecadado 91 e 46 votos respectivamente. Nesta ronda, os membros mostraram a sua preferência pelo candidato Filipe Nyusi, esta preferência dos membros do comité central era esperada porque, este candidato granjeava simpatias de muitos dentro da organização, entre jovens e adultos, homens e mulheres, todavia, é preciso reconhecer que, a Luísa Diogo também fez uma boa luta ao arrecadar, no fim do jogo, 37% dos votos dos membros do CC, isto, considerando que, a sua entrada foi de última hora e, felicitou o vencedor atribuindo a vitória do processo ao partido Frelimo, por ter encontrado o candidato às eleições de 15 de Outubro próximo, numa atitude que, na gíria futebolística considera-se o “fair play”, aliás, da Luísa Diogo
não se esperava outra coisa, pela sua grandeza.

FAZER DO NYUSI O GRANDE VENCEDOR DAS ELEIÇÕES/14
Encontrado o candidato da Frelimo às eleições de Outubro de 2014, há que trabalhar para que a vitória seja uma realidade, para isso, os militantes da Frelimo, de cartão e de coração são convidados a serem mobilizadores populares rumo à vitória do seu candidato às Presidenciais e nas Legislativas e Assembleias Provinciais, a vitória do Nyusi será no final do dia a vitória do povo Moçambicano rumo ao desenvolvimento e prosperidade.
Aqueles que desafiaram a Frelimo a respeitar os seus estatutos abrindo espaço para a entrada de outros candidatos, hoje, encontrado o candidato do partido Frelimo, eles, igualmente, devem mostrar coerência no sentido de ajudar este a ganharem as eleições. Não se pode olhar para a vitória do pré-candidato Nyusi como algo de extraordinário, deve ser vista no contexto da democracia interna, para tanto, todos nós juntemo-nos a ele e, façamos dele o candidato vitorioso, porque uma verdadeira ponte de gerações.

 

Adelino Buque 

 

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