Opinião

Moçambique e Fukuyama em contextos distintos

Moçambique, semana finda, saltou da periferia para o centro do mundo ou, se quisermos ser modestos, para o topo de África, em resultado do anúncio da decisão final de investimentopela petrolífera norte-americana Anadarko, no valor de 20mil milhões de dólaresa serem aplicados na construção de planta de liquefação de gás natural (GNL).

O anúncio deste investimento na terça-feira, na cidade de Maputo, é o início de uma maratona até que o país comece a auferir os impostos deste musculado e suculento negócio, já que segundo o calendário, a primeira exportação só acontecerá em 2025.

Construção de infraestruturas e modernização das existentes, capacitação do capital humano de modo a obter o "know-how" necessário, o que já começou a ser feito, são os desafios imediatos.

A priori me parece que as coisas estão inteligentemente encaminhadas.  O nosso sector  privado vai querer, naturalmente,prestar serviços à gigante norte-americana e, pelo que se diz, há algum tempo vem se preparando para esta realidade e poderá fazer negócios no valor de pelo menos2,5 mil milhões de dólares,no âmbito da política de conteúdo local, que preconiza que parte do procurement dos grandes projectos deve ser destinada a pequenas e médias empresas nacionais.

Agora há que, milimetricamente, saber gerir as expectativas da população,informando-a com paciência e rigor, que os benefícios deste estupendo negócio não se farão sentir amanhã ou depois.

Há que explicar, sem receios nem tabus, que os ganhos poderão não ser em notas ou moedas de Metical, tilintando ou farfalhando nos bolsos de cada um de nós – somos 28 milhões -mas em forma de hospitais, estradas, pontes, aeroportos, portos, comboios, machimbombos, linhas férreas, fontenários, tractores, alfaias, etc, etc.A outra forma de colher dividendos será através das oportunidades de emprego que se vão criar à volta. Fala-se de 45 mil postos entre directos e indirectos.

Será preciso elucidar que imponderáveis poderão surgir porque Moçambique está inserido nesta grande aldeia, cada vez mais global, que se move ao sabor da vitalidade ou enfermidade da económica mundial.

Francis Fukuyama (autor da Teoria do Fim da História)advogaque a geopolítica da pós-confrontação ideológica e militar, ou melhor, o pós – guerra fria,produziu dois mundos: Estados que atingiram o Pós-História e os Estados que estão na fase da História, os outros não contam, isto geopoliticamente falando. No entanto,  o contexto deste artigo não é discutir esta teoria – decididamente, Moçambique, em resultado deste negócio, vai contar no mapa económico mundial.

A juntar ao gás da bacia do Rovuma, conctretamente na Área 1, há rubis de Montepuez, carvão de Tete, areias pesadas de Momae  as areias pesadas de Chibuto (futuramente), confere-se maispeso específicoa esta jovem nação.

Insisto no sentido de se dosearem as expectativas da população, o que se faz consciencializando-a. Entretanto há uma certeza absoluta:desde a passada terça-feira Moçambique é visto com outros olhos no mercado internacional, concretamente em matérias de gás natural liquefeito. Estamos entre os principais actores mundiais.

Por André Matola
andre.matola@snoticias.co.mz

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