Opinião

DESAFIOS DE NYUSI PARA A JUVENTUDE

Depois de ter debruçado sobre os feitos de Guebuza, volto uma vez mais para falar do mais novo inquilino a Ponta Vermelha. Trata-se da primeira vez que um cidadão do Norte do país, e que não passou (pelo menos não directamente), pela Luta de Libertação Nacional chega a Presidência da República, mercê da conquista do coração do Povo moçambicano.

Só para situar o caro leitor, Filipe Jacinto Nyusi é de origem “maconde”, uma etnia pequena que se situa na província de Cabo Delgado (se supõe que esta, venha a ser a capital económica de Moçambique, dada a riqueza de recursos lá existentes “faço votos que assim seja”), no distrito de Mueda.

Importa referir que este Povo leva consigo uma história preponderante na luta de libertação de Moçambique, é entre os Macondes onde nascem Alberto Chipande, o homem a quem a história conta que foi o autor do primeiro tiro durante a luta de libertação nacional, Raimundo e Marina Pachinuapa, nossos avós e pessoas chaves da história da bela Pérola do Indico, Marcelina Chissano, antiga primeira-dama da República de Moçambique, esposa do antigo chefe de estado, sua excelência Joaquim Alberto Chissano e muitos outros cujos nomes não constam neste texto, mas que são com certeza actores fundamentais da nossa história.

Nyusi, filho de camponeses, engenheiro mecânico e com alta experiência de gestão é a figura principal a ser abordada neste texto, é o homem escolhido pelo Povo Moçambicano para conduzir os destinos da nação Moçambicana nos próximos anos.

Cativou-me o slogan usado por Nyusi “Candidato da Juventude”, senti-me não apenas agenda principal no seu projecto de governação, mas incluiu dentro do seu compromisso aspectos que tocam directamente com o meu ser, sobre os quais me vou debruçar a seguir.

Como jovem e mulher, senti-me lisonjeada quando percebi que a mulher seria dada um papel preponderante no seu projecto de governação, e que estava de facto preocupado com empoderamento da mulher. O Japão é um exemplo vivo do investimento ambicioso na mulher, mesmo com a influência da globalização, graças a esse investimento, guarda seus usos e costumes e a sua cultura se manteve até hoje, o que significa que seus filhos conhecem os seus costumes e são passados de geração em geração.

Uma mulher educada tem a função de educar a dobrar, pois educa-se a si e a seus filhos, é ela que educa a sua família, é ela a principal gestora do primeiro ministério na sociedade “a família”, quer como mãe, esposa, educadora, até mesmo trabalhadora (falo das empregadas domésticas). O papel da mulher na educação de uma sociedade é indispensável, porque a mulher é uma peça fundamental na criação dos primeiros passos da vida do ser humano.

Como Jovem, preciso lhe dizer que de facto, conhece e tocou na ferida (as inquietações da juventude), a educação, o emprego e a habitação são efectivamente os nossos “calcanhares de Aquiles”.

Educação

Nos últimos 10 anos, o acesso a educação em Moçambique melhorou bastante, os números são animadores, hoje assistimos avanços significativos no que concerne ao ingresso nas universidades, entre as públicas e privadas, o que contribuiu para o crescimento no ensino superior de cerca de 464,4%, onde jovens, de todas as classes sociais inclusive filhos de camponeses como Nyusi tem a oportunidade de com esforço próprio acederem ao ensino superior, o que não era possível num sistema colonial, e estamos conscientes que muito trabalho foi feito, contudo sinto que há novos desafios como por exemplo a revisão do actual currículo, não apenas por uma questão de melhoria na qualidade, mas por causa dos novos desafios que Moçambique apresenta, e é necessário que nos tornemos competitivos, até mesmo porque este é de facto o grande investimento no

CAPITAL HUMANO

Esta reforma não pode ser apenas no ensino técnico profissional ou superior (como muitas vezes se tenta defender e não estou a dizer que não se deve reformar, muito pelo contrário), mas precisa começar na pré-escola, partindo de princípio que “é de pequeno que se torce o Pipino”, a recorrência aos estágios pré-profissionais, podem garantir que os estudantes possam ter acesso a estágios nas empresas do sector privado, durante o período de formação, como forma de reduzir a fraca experiência dos jovens depois da formação.

Nilza Dacala

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