Opinião

Algo parece estar errado

Há alguns anos atrás, foi abordada publicamente a questão de falta de espaço para enterros no cemitério de Lhanguene. Não propriamente por o espaço existente estar esgotado, ocupado na sua totalidade. Mas por parte do espaço destinado aos mortos estar ocupado por vivos. Ilegalmente. Decidiu o Conselho Municipal da cidade de Maputo (CMCM), nesse então, a favor dos vivos.

E deixar que permanecessem no local que daria para algumas décadas de enterros. E lá estão e lá continuarão a estar. Quanto aos mortos passaram a ter como última morada lá para os lados de Marracuene.

Fenómeno idêntico está a acontecer na cidade da Matola. Onde o Conselho Municipal terá tomado uma posição ou uma decisão bem mais coerente. Bem mais de acordo com os interesses municipais e públicos. Vejamos. Na sua edição de quarta-feira, 5 do corrente (página 3), o “Notícias” titula que Terreno para cemitério ocupado em Ndlavela. E, logo a seguir escreve que Parte dos 60 hectares reservados para o cemitério de Ndavela, no município da Matola estão já a ser invadidos e ocupados por pessoas que alegam ter sido atribuídos parcelas para a construção de habitação. Acrescenta o matutino que A constatação foi feita ontem pelo presidente do município da Matola, Calisto Cossa, durante a visita que efectuou àquele bairro com a intenção de aproximar a gestão da autarquia aos munícipes. A seguir, pode ler-se que na Ocasião, Calisto Cossa, constatou que pelo menos dez hectares do total de 60 tinham sido já ocupados particularmente nas áreas reservadas para a construção do parque de estacionamento do cemitério. Mais adiante pode ler-se que Sobre esta situação, o vereador de Actividades Económicas e Serviços no municio da Matola, Edson Ussaca, explicou que este problema já foi encaminhado às autoridades do posto administrativo do Infulene, com vista a criarem condições para o reassentamento das famílias. Acrescenta o matutino que Esta é  uma acção a ser efectuada nos próximos dias para que se possam avançar com os trabalhos de conclusão do projecto do Cemitério de Ndlavela, idealizado em 2008 para servir os municípios de Maputo e Matola” disse Ussaca. Ainda sobre esta questão, O vereador lembrou ainda que já existe um projecto concebido e aprovado daí não haver necessidade de se levar mais tempo com as obras senão executar. Resta saber quais os motivos ou que interesses levaram dirigentes que respondem pela governação de espaços tão próximos fisicamente a tomarem decisões tão díspares, tão diferentes. Em termos de lógica, a decisão da Matola apresenta-se como a mais correcta, a mais sensata. Mas,  nestas coisas de governação municipal parece não haver lógica. O mesmo pode significar que algo parece estar errado.

 

Luís David 

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