Sociedade

Vida de lavador de carros

Texto de Armando Machai e Fotos de Inácio Pereira

A história de Absalão Ernesto Matavele remonta o ano de 1989 quando adolescente de apenas 14 anos de idade. Começou a lavar carros como ajudante na praça 25 de Junho em Maputo.

Nessa altura, o pequeno Absalão trabalhava para um mestre, que o instruiu durante três anos e meio. Cobravam por cada lavagem mil e quinhentos meticais da antiga família, o equivalente na nova moeda a 1 metical e 50 centavos. Amealhava mensalmente 15 meticais na nova moeda.

Como qualquer outro trabalho, a lavagem de carros necessita de alguma técnica profissional para conquistar clientes. “Consegue-se clientes com honestidade. Os clientes deixam os seus carros sob a nossa responsabilidade e nós os guardamos com zelo. Assim eles passam a confiar em nós e, consequentemente, nos deixam lavar os seus carros. E à medida que o tempo passa, deixam-nos com as chaves dos carros e passamos já para a fase dos contratos, em que os clientes nos pagam mensalmente”, explica o nosso entrevistado.

Hoje por hoje Absalão é pequeno empresário na lavagem de carros. Possui três colaboradores aos quais paga um salário mensal. Tem contratos com cerca de 16 pessoas, sendo que consegue mensalmente entre 400 e 700 meticais de cada um desses carros, dependendo do tipo. Fora isto, tem também contratos com empresas, das quais recebe mensalmente de 9 a 12 mil meticais.

“Não me sinto realizado, mas tenho uma vida melhor. Sou pai de família e tenho cinco filhos que consigo sustentar condignamente graças a lavagem de carros. É um negócio que bem gerido dá dinheiro, não para ficar rico mas ter uma vida digna. Lavo carros e também consegui comprar um, é uma vitória para mim”, declarou.

Matavele afirma que existem na praça mais de 1000 lavadores e polidores de carros e a maioria são pais que sustentam famílias. Outros jovens custeiam despesas escolares com o negócio de lavagem dos carros, portanto é uma boa fonte de rendimento. “Lavagem de carros é como se fosse uma enorme indústria que emprega e dá sustento a muitas famílias, por outro lado é uma forma de afastar os jovens da bandidagem, arranjando algo para a sua ocupação ”, sublinha Matavele.

Outro polidor, Lucas Ernesto Matavele, do distrito de Chissano, província de Gaza, rumou à capital do país em 2004, à procura da vida. Lavar e polir carros, foi a sua opção para garantir o seu sustento. E porque o negócio prospera, Ernesto já tira hoje os louros do mesmo.

Comecei a lavar carros há sete anos e hoje tenho contratos com cerca de 20 proprietários de automóveis, cujos pagamentos são mensais. Ao todo amealho 9 mil meticais. Tenho dois trabalhadores e pago a cada um 1500 meticais mensalmente. Tenho dois filhos. O dinheiro não é muito, mas é suficiente para satisfazer as necessidades básicas” , disse Lucas Ernesto.

Tal como Absalão e Lucas, João Simango é lavador e polidor de automóveis na baixa da cidade de Maputo. Afirma, igualmente, que ganha o suficiente para não passar necessidade, “embora gostasse de ganhar ainda mais”.

João Simango cobra por cada carro que lava 200 meticais por dia e, em média, lava 5 carros. Fora isto, tem contratos com mais de dez proprietários de carros dos quais ganha seis mil por mês.

Estes são apenas alguns casos de pequenos empreendedores que tiveram contacto com a nossa reportagem, todavia, ao longo da cidade de Maputo e arredores, existem dezenas de lavadores de carros que sustentam as suas famílias e os seus estudos com este negócio.

Por um lado, olhando para os altos níveis de desemprego que Moçambique enfrenta, esta foi uma forma encontrada por uma parte dos jovens moçambicanos para ganhar sustento, o mesmo que os irá afastar da criminalidade e de outras actividades pouco dignas e ilícitas.

Por outro lado, os valores que estes pequenos empreendedores ganham ao final de cada mês, acabam sendo superiores ao salário mínimo que a função pública paga aos seus trabalhadores.

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