Sociedade

Jovens só ESCOLHEM ocupações de prestígio

Camilo Abdul, 30 anos, é empreendedor há seis. A sua actividade está ligada ao serviço de táxi na cidade de Maputo, um negócio que se tornou possível graças ao apoio de seus familiares, que disponibilizaram dinheiro, a título de empréstimo, para tornar possível a compra de um motociclo (txopela).

Entende que os jovens devem trabalhar para o desenvolvimento do país mas, para seu desgosto, “alguns ainda não perceberam, estão totalmente alheios”.

Quando e como iniciou o serviço de táxi usando o txopela?

Iniciei o negócio em 2010. Queria fazer algo para garantir o sustento da minha família, uma vez que me casei, saí da casa dos meus pais e pouco depois veio o meu primeiro filho. Então imagine… Nessa altura eu era apenas estudante. Então conversei com um taxista de quem eu era cliente assíduo, que me disse valia a pena entrar para este negócio.

Estava preparado para começar?

Não! Naquela altura estava desprovido de finanças, eu apenas estudava. O motociclo custava 140 mil meticais. Fui conversar com os meus familiares e o meu tio ajudou-me emprestando-me dinheiro para tornar possível a compra. Oito meses depois consegui devolver o valor porque não estava a pagar com juros.

Antes de interromper os estudos em que instituição estava matriculado e em que nível?

Na Universidade Pedagógica, estava a fazer o curso de Gestão Financeira, mas voltarei a estudar no próximo ano (2017).

Está satisfeito com o mercado de táxi?

Temos que lutar para ter as coisas a correrem. Hoje somos muitos neste negócio. Quando iniciei não era assim, daí que era mais lucrativo.

Como vê a nossa juventude  hoje no que toca ao empreendedorismo?

Alguns jovens já começam a despertar em relação à importância de serem autónomos. Mas há outros ainda com pouca visão, que esperam por um emprego formal, enquanto vão vivendo de mesada dada pelos seus pais.

Nesse caso, de quem carrega culpa? Os pais que alimentam os caprichos dos filhos ou filhos que não se movimentam à busca do seu sustento?

Penso que é dos dois: quando os pais não percebem que os filhos, tendo já crescido, devem trabalhar para o seu próprio sustento. Por outro lado, os filhos teimam em viver colados aos pais, sendo que, a maioria tende escolher as ocupações, só querem ocupações de prestígio Mas é, também, preocupante constatar que muitos deles metem-se em vícios que, inclusive, prejudicam a sua saúde.

 

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