Sociedade

Crianças escapam de sequestro

Fotos de Carlos Uqueio

Os residentes do Bairro Zona Verde em Maputo viveram, recentemente, momentos de pânico na sequência do “sumiço” de duas crianças de sete anos de idade, quando vinham da Escola Primária 1º de Junho, localizada no Bairro George Dimitrov.

Segundo Isabel Mazive, mãe de uma das meninas sumidas e agora reaparecida, durante o percurso para casa, elas encontraram uma senhora que as aliciou com pipocas. “Ela levou-as e ao longo do caminho tirou-lhes o uniforme escolar, guardou-o nas pastas e disse para largarem tudo, porque não iam estudar mais aqui, mas sim na África do Sul”, contou.

Sem questionar, as crianças foram parar no bairro de Malhazine. No entanto, quando chegaram à Rua de Bagamoio, a suposta sequestradora abandonou uma delas. “Assim que nos apercebemos do sumiço delas, procurámos na escola. Descobrimos que elas já tinham saído dali em direcção à casa. Procuramos pelo bairro e fomos à esquadra do Benfica registar a ocorrência, até que no fim do dia, quando estávamos desesperados em casa, ouvimos dizer que em Malhazine foi abandonada uma criança. Fomos para lá e vimos que era uma das meninas, mas não sabia explicar como tinha ido lá parar”.

No dia seguinte, as buscas pela segunda criança continuaram, o primeiro destino foi Malhazine, e nada. “Continuamos a procurar até que quando passava já das 18 horas a criança entrou sozinha em casa. Quando perguntamos donde vinha, disse que estava com a mãe que lhe ajudou a atravessar a ponte sobre o rio Mulaúze. Elas não conseguiram descrever a senhora, nem o caminho usado para chegar a casa dela, em Malhazine”, lamentou Isabel Mazive.

Pelo que a outra menina conta, assim que chegou a Malhazine, deram-lhe banho e comida. Dormiu no quarto da senhora, que dizia se chamar Maria. A menina estava proibida de sair para o quintal. Na casa onde ficou naquele dia, estavam mais cinco pessoas.

Isabel Mazive relatou que é a primeira vez que caso de género acontece naquela zona. Aliás, as crianças sempre voltaram sozinhas para casa, apenas precisavam de alguém para as ajudar a atravessar a Estrada Nacional Número Um (EN1) e para tal contavam com as senhoras que vendem nas bermas desta via.

Um facto curioso que aconteceu durante o desaparecimento das crianças, segundo Isabel Mazive, é a indiferença da Polícia da República de Moçambique, da Esquadra do Benfica. “A polícia não ajudou em nada. Quando fui dizer que encontrei a segunda menina, perguntaram se queria que a investigação terminasse ou não. Respondi que pelo facto de ter encontrado as meninas podiam encerrar. Foi então que me mandaram pagar três mil e quinhentos meticais. Não paguei, porque eu procurei sozinha as meninas até encontrar”, disse a nossa fonte, estranhando a atitude da Polícia, neste caso.

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