Artes & Letras

BAGDAD DA PAZ DE ESPÍRITO

Num passado  não muito distante, quando ouvíssemos falar de Bagdad ou então víssemos os noticiários sobre este nome, o cenário nos remetia à guerra, bombardeamentos, mortes sem trégua e gente inocente que ficava sem casa e perdia famílias.

Por razões profissionais, fui semana última a província de Nampula. No dia do regresso, após permanência no aeroporto de Nampula, vimos chegar um boeing que supostamente nos levaria de volta à casa. Infelizmente, passadas algumas horas e depois de uma certa reticência, fomos comunicados que não haveria voo naquela noite.

Cumprinco seu papel e obrigação, a LAM tratou de hospedar os passageiros no Hotel Bamboo e outros no Lúrio.

Eu e mais uns tantos passageiros ficamos no Lúrio.  Por sonsenso e por conta da frustração de não puder ir a casa, decidimos ir até oa bar Bagdad, referência incontornáve, nocturna, da cidade de Nampula.

Lá chegados encontramos grupos de outras pessoas provenientes de Maputo e que cumprindo suas missões de trabalho naquela cidade, reservara um tempo para trocar dedos de conversa e relaxar um pouco. A eles juntamo-nos. Uma cerveja, whisky, sumos. Lembrei-me de pedir uma pizza típica de Bagdad que comera e gostara na última vez que lá estivera. A pizza veio e como sempre não fiquei desiludido. Fiz com que alguns colegas, amigos que comigo estavam provassem daquela massa, frango transformada em pizza. Foi bom e gostoso.

Entretanto, algo despertou interesse e concentração em mim. O facto de Bagdad manter firme a característica da casa: projecção de vídeos de espectáculo musical. Aquele dia fora especial. O proprietário cujo nome desconheço fazia um cocktail dos DVD’s, deixando tocar alguns números para depois os trocar por outros. Isto não só animava aos que por lá estavam assim como não os cansava.

Tocou primeiro Michael Jackson em um espectáculo que creio ter se realizado em Budapeste. O rei do pop já me convencera. E fê-lo uma vez mais através da sua performance, criatividade e ousadia. Michael Jackson será sempre igual a ele.

Vieram depois os experientes Pink Floyd que espalharam pela sala um contagiante som embuído de qualidade de som e luz.    Seguiu a secular cantora de vestido curto e salto alto. Sim, ela mesmo, a Tina Tunner. Cantou Whats love e tantos outros números.  Para trazer adversidade, Bagdad deixou rolar o vídeo de um espectáculo da mítica banda de rock    AC /DC. O hard rock estava ao rubro e mexia com quase toda gente. Para uns era o contacto primeiro com música áquele nível. Mas para uns era a nostalgia, o relembrar dos tempos passados.  E o nome Bagdad remetia-nos ao espírito de paz , de saudades daquelas músicas e de  reencontro com outra tipologia de música, a de boa qualidade e que não fustiga o ouvido.                        

Frederico Jamisse
frederico.jamisse@gmail.com

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