Opinião

Síndrome da mão estendida

Viajámos em direcção a Macossa, um dos distritos a norte da província de Manica. Manhã fresca. Era a primeira vez que eu ia àquele distrito e o que esperava encontrar eram rostos pálidos e encovados de gente faminta, costelas sobressaídas no corpo, podendo ser contadas uma a uma. Este meu pensamento tinha como pressuposto as notícias segundo as quais “milhares de camponeses estavam a viver com base em raízes e frutos silvestres devido a uma das graves crises alimentares, originada pela estiagem”.

Ao longo do percurso, já havíamos entrado na estrada de terra batida, percorridos mais de 150 quilómetros, faltavam ainda 85 por andar, a minha ansiedade em ver pessoas sofrendo de uma “grave crise alimentar” aumentava. Cada vez que nos aproximávamos da sede do distrito de Macossa, o silêncio no carro tornava-se aterrador. Olhávamos para os lados, a terra e os cursos dos rios estavam secos.

Quando chegámos à zona de Dunda, mais principalmente a partir do rio Pandira, a convicção de que iria encontrar gente faminta foi desaparecendo, pois comecei a ver milho nos celeiros, sacos apilhados nas zonas de comercialização à espera de transporte para as zonas de consumo. Mais adiante, comecei a ver camponeses com trouxas à cabeça, caminhando para os centros de venda dos seus produtos. Aqui e ali fui vendo homens de bicicleta, qual camião de grande tonelagem, com um saco ou mais, fazendo o percurso na mesma direcção. Leia mais…

Por António Barros

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