Opinião

RESIGNAÇÃO DO PAPA BENTO XVI: CORAGEM OU COBARDIA?

“O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e jamais se acaba.” (I Co. 13.7) “Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente.” (Ec. 3.14)

Domingo passado comentava eu sobre o fim dos “Tabus” e da aquisição ou adaptação e exaltação de novos valores. Logo na manhã da segunda-feira passada, ouviu-se um grito proveniente do Estado mais cheio de “Tabus” do Mundo – o Vaticano – a proclamar a queda de um dos “Mitos” milenares – a renúncia de um Papa. Claroque apesar de eu não ser Católico Romano, (por vários motivos) a notícia, não podia deixar-me indiferente, porque pessoalmente sempre admirei aproeminente figura do AcadêmicoPadre Ratzinger: Doutoradoem teologia com a tese “Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho“, além de oito Doutoramentos Honoris Causa.EleitoPapa Bento XVI em 19 de Abril de 2005, e ocupando o 265º. lugar na história da Igreja Católica Apostólica Romana, o PadreRatzinger, foi um reformista e ecumenista por excelência. Por exemplo, foielequem apresentou a proposta da realização da missa em língua local em vez do Latim, que muitos de nós fomos obrigados a «empanzinar» durante a nossa passagem pelas missões e pelos Seminários.Sobre a sua renúncia, as opiniões divergem, havendo uns que interpretam˗na como “um acto de coragem”, tendo em conta a sua saúde frágil o que teria pesadona decisão de sair do cargo, assim como a sua idade (85 anos), para permitir que outros mais jovens e saudáveis pudessem levar avante a obra deixada pelo Apóstolo Pedro. Só que para nós outrosqueestamos acostumados a ver o Papa seguir até à morte, consideramos a renúncia como sinal de fraqueza uma vez que, tal como acontece com muitos casais, o casamento dissolve-se justamente com a morte. Foi assim nos últimos 600 anos.Mas, ouçamos uma parte da justificava do próprio Padre Ratzinger que ditou o seu “divorciou/separação” física com Deus: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência perante Deus, cheguei à conclusão de que as minhas forças, devido a minhaidade avançada, não são capazes de um adequado exercício do ministério de Pedro. Por esta razão e bem consciente da seriedade deste acto com toda a liberdade declaroque renuncio….Assim, no próximo dia 28de Fevereiro, às 20h, a Sé de Roma ficará vazia e, será convocadoum Conclavepara se eleger o novo Sumo Pontífice. Parece que a comunicação do ainda Papa não terá agradado a Deus, pois segundo notícias provenientes do Vaticano umatempestade começou algumas horas após a renúncia do Papa. Um raio atingiu a cúpula da Basílica de São Pedro, que é a central do Vaticano, e também o local que abriga o Papa.A noosa questão é:terá mesmo sido sábia esta sua saída? Durante o mandato dodemissionário Papa teve de gerir os escândalos de pedofilia da igreja mas, para muitas das vítimas, tratou-se apenas de uma gestão cosmética. Por exemplo, uma das 16 mil vítimas identificadas em todo o mundo (que eu de propósito omito o seu nome), desabafou: «Bento XVI pediu desculpas aos irlandeses. Pediu desculpas aos Estados Unidos, à Austrália, à Alemanha, à Espanha… Sabe? Cartas de desculpas sobre o que se passou nesses países. Mas o facto é que não tem havido actos. E as palavras sem actos são vazias. O que me preocupa é que o próximo papa seja tão ineficiente e rígido como este, nesta questão”. Ora,tendo em conta que Padres, Frades, Freires, Monges e outros quejandos, ao assumirem a sua posição como noivos e noivas de Cristo conscientemente, sabem que o final de tudo normalmente serão aodores e a morte. Nem mesmo Cristo escapou a isso. Passou por tormentos antes de entregar a sua alma ao seu Pai Celestial. A benção de um Padre, Pastor, Reverendo, Juiz de Paz, ou algo assim, dura toda a eternidade, ademais quando se assume o papel de impecáveleincontestável e, por isso, umSANTO. Sendo Deus que elege directamente um Papa através de um «milagre»,tendo em conta que oritual da eleição de um Papa tem a solenidade e a majestade daqueles acontecimentos destinados a permanecer na memória das pessoas, renunciar parece não ser de bom tom.  Porque Paulo, um dos maiores Apóstolos de sempre, questionou sobre o problema do fim do amor comCristoafirmando peremptoriamente:“Porque eu estou bem certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar˗nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” I Cor 8:39). Tanto quanto se sabesobre a cerimónia da indicação de umnovo Papa, assim que morre, a primeira providência é chamar o «Camerlengo», que é o chefe do Sacro Colégio de Cardeais. Aquele, de pé ao lado do corpo, ele toca três (3)vezes na testa do Papa com um martelinho de prata e o chama três (3)vezes pelo nome de baptismo (e não pelo nome que adoptou ao ser eleito).Se não houver resposta, ele anuncia o falecimento e quebra o anel do Pescador, (que os Papas usam para lembrar o momento em que Jesus disse a Pedro que ele seria um Pescador de almas e no qual está gravado o nome do Papa). Com esta renúncia, julgamos que será quebrado este “rito”, uma vez que estando ainda vivo o Padre Ratzinger e se lhe imprimirem as três batidas na testa, responderá com certeza. Para terminar, apenas “recomendar” a Deus que, sendo o Papa líder espiritual de mais de um bilhão de Católicos espalhados pelos cinco continentes, sendo 65,0% das Américas, (Enciclopédia Mundial Cristã 2003), é mister que desta vez ELE (Deus), permita que o novo Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana seja jovem e provenha ou das Américas ou da África, tendo como um dos grandes desafios da sua governação, encontrar solução para um dos problemas mais sérios do Vaticano: o conflito com o celibato que perturba a seriedade dos Padres há muitos séculos. Que ELE nos oiça.

 

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