Opinião

Os campos e a crise

A apetência vai dimuindo, com a invasão do cimento que nos sufoca dia após dia. É a febre dos condomínios, da rentabilização dos espaços, da construção de escolas secundárias e até universidades em apartamentos. Cada esquina serve para instalar um negócio. É o que “está a dar”.

E a saúde da nossa juventude, onde fica?

A obesidade, a dimunuição das capacidades motoras das nossas crianças e – o mais importante – a alegria de jogar à neca, ao chinguerrengurre, ao pau-lito e outros jogos plenos de movimentos, vão aos poucos passando à história.

 

Em que momento os passos da aliança entre a mente sã em corpo são se começou a desvanecer? De centenas de seminários e encontros nacionais, saem declarações de guerra à ociosidade, à preguiça, à falta de movimentos. Das intenções à prática, infelizmente, a distância é cada vez maior. O que significa que, conscientemente, assistimos todos e pactuamos, com naturalidade a que doenças – como a hipertensão e a diabetes – que há duas/três décadas só atacavam quarentões ou cinquentões, se instalem em jovens e mesmo crianças.

 

O desporto de competição tem duas virtudes principais: mobilizar as largas massas para se divertirem competindo e aglutinar vontades em redor de causas patrióticas.

No nosso caso, não se consegue nem uma coisa e nem outra. Cada vez se corre ou joga menos e os resultados, em regra, não elevam a nossa auto-estima.

E a crise, meus senhores, começa do básico: campos e bolas.

 

ANFITRIÃO EM CASA ALHEIA

O Ferroviário de Quelimane, respirou há dias de alívio, quando foi aprovado o campo do Sporting para, a partir daí, poder ser um verdadeiro anfitrião. Caso contrário…

Teria sido uma década de luta e esperança em colocar uma equipa no Moçambola, para depois disputar os seus jogos de casa, numa outra província. 

Caricato, mas não impensável, uma vez que já aconteceu com no representante de Pemba. Estamos a falar de quê?

Uma província vasta como a Zambézia, uma das mais povoadas, não possui mais do que um campo de futebol capaz de albergar a prova-raínha do desporto-rei.

E o quadro é semelhante noutras províncias.

A partir daí, está praticamente tudo dito.

Não se joga futebol nem basquetebol nos prédios, não se faz educação física nas “flats”.

Efectivamente, de nada nos vai valendo a repetição que virou disco partido, de que o país tem talentos natos, que se vão revelando, timidamente, em competições esporádicas como são os Jogos Escolares.

Os campeões nascem, ou os campeões fazem-se? Com a invasão cada vez maior da ciência na actividade desportiva, em que os talentos têm que ser trabalhados quase ao sair do berço, o “milagre Mutola” só acontece de cem em cem anos. É disso que estamos à espera?

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