Nacional

Aumenta número de deficientes visuais a pedir esmola

Está a aumentar, gradualmente, nas principais ruas da cidade de Chimoio, capital da província de Manica, o número de pessoas com deficiência visual.

De mão estendida, à busca de algo para a sobrevivência, os deficientes circulam, diariamente, por bares, restaurantes e lanchonetes obrigando os clientes a interromperem as suas refeições para atender aos seus pedidos.

Geralmente andam acompanhados de um menor, que serve de guia, sendo que muitos deles não frequentam a escola por se verem obrigados a passar todo o dia na rua, numa clara violação dos direitos da criança. É que, para além de não poderem estudar, vêem-se privadas do direito de brincar para se dedicar ao ‘trabalho’.   

Dickson é um desses exemplos. Conhece as principais ruas e estabelecimentos hoteleiros da cidade de Chimoio, fruto das caminhadas que tem feito diariamente como guia.

Numa curta conversa com a nossa Reportagem num dos restaurantes da cidade, na companhia do seu familiar, contou-nos que abandonou a escola na 3ª classe em 2012, porque não conseguia conciliar com o trabalho de guia.

Era-me difícil conciliar as duas coisas, sobretudo porque é no período da manhã que muitos patrões, quer nas lojas quer nos bares, têm alguma coisa para nos oferecer, como pão e comida. Dinheiro!? Por dia conseguimos amealhar entre 50 e 60 meticais.

Tal como Dickson, o nosso jornal ouviu a menina que se identificou como sendo Marta Januário. Tem 12 anos de idade. Ela contou que nunca foi à escola. Apenas sabe contar até 50.

Segundo nos disse, ainda muito pequena, com apenas sete anos, já andava com a mãe pela cidade à procura de alguma coisa para alimentar a família composta por cinco membros: a mãe, ela e outros três irmãos.

Explicou ser uma tarefa muito difícil porque cada dia tem a sua história. “Há dias que tudo corre bem. Somos recebidos carinhosamente e ajudam-nos. Noutros as coisas mudam. Encontramos pessoas sem sentimentos. Insultam-nos, disse Marta, que deseja estudar numa escola pública como a maioria das crianças de Chimoio.

Alguns cidadãos entrevistados pelo domingo defendem que o governo deve encontrar, o mais rapidamente possível, formas de acabar com a mendicidade nas ruas da cidade. Eles entendem que os pedintes devem ser recolhidos para os centros de acolhimento para poderem ter uma vida condigna.  

Calisto Alberto, residente em Chimoio, no bairro 7 de Abril, chama atenção para a necessidade de o Governo intervir no sentido de fazer com que osmenores frequentem a escola, já quecorrem risco de ver o seu futuro hipotecado.

Estamos preocupados com a situação

– Mariano Raul de Jesus Maria, técnico de Oftalmologia

Os casos de cegueira na província de Chimoio preocupam sobremaneira as autoridades de saúde. As causas são várias e algumas irreversíveis, como a Cegueira por Glaucoma, sobretudo se a pessoa não receber tratamento médico após o início da maleita.

Glaucoma é mais complicada por ser assintomática, isto é, não dói, mas vai cegando lentamente. Quando a doença é descoberta tardiamente pouco ou quase nada os técnicos de saúde podem fazer para evitar que a pessoa cegue completamente.

Facto a destacar é que os africanos são mais susceptíveis de ter essa doença devido à sua pigmentação, segundo explicou a técnica de Oftalmologia Mariano Raul de Jesus Maria.

Em 2013, de acordo com a nossa fonte, foram feitas 1.317 grandes cirurgias de glaucomas e cataratas. Deste número, 1.186 foram de cataratas e 131 de glaucomas.

Para regredir o quadro, sector de oftalmologia tem desencadeado campanhas de sensibilização nas comunidades para consciencializar as populações sobre os perigos destas doenças.

As pessoas devem ter o hábito de visitar uma unidade sanitária para examinar a vista e receber recomendações dos profissionais de saúde. Muitos aparecem quando estão na fase final e isso não ajuda. Temos especialistas em todas unidades sanitárias distritais. Essas visitas devem acontecer de seis em seis meses para pessoas da terceira idade e anualmente para aqueles que ainda gozam de boa saúde ocular”, recomendou Mariano Maria.

Vamos acomodar

os verdadeiros mendigos

Maria Isabel Raimundo, directora provincial da Mulher e Acção Social

A directora provincial da Mulher e Acção Social, solicitada para falar sobre a problemática da mendicidade, disse que para se ultrapassar o problema a sua instituição, em coordenação com a Associação do Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO), delegação de Manica, e o empresariado local desenhou um projecto que crê funcional.

Inicialmente far-se-á a identificação e registo dos reais mendigos. Terminado o levantamento estatístico serão acomodados num centro de acolhimento no bairro de Nhamadjessa, arredores da cidade de Chimoio, onde poderão desenvolver algumas actividades ocupacionais como costura, cestaria, entre outras, para aumentarem a renda.

Vamos mobilizar todos aqueles que querem dar esmola para que canalizem os apoios para o referido centro. Isso poderá ajudar a reduzir a mendicidade que se verifica todos os dias na cidade”, disse a directora.

Maria Raimundo explicou que, paralelamente a isso, já funciona um centro de acolhimento de apoio aos idosos na vila de Catandica, no distrito nortenho de Báruè, onde estão 27 pessoas com várias deficiências físicas. Num futuro breve, segundo Maria Raimundo, o número poderá aumentar como resultado de um trabalho em curso que tem como objectivo identificar mais pessoas deficientes em situação de vulnerabilidade.

Domingos Boaventura

mingoboav@gmail.com 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo