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Sucessão será analisada em devido momento

Alguns membros do Comité Central (CC) abordados pelo nosso jornal a propósito da questão da sucessão na liderança do partido Frelimo consideram que o assunto poderá ser analisado oportunamente e em fórum próprio, desde que para tal em sede do órgão apropriado seja agendado para debate.

Não podemos tapar o sol com a peneira…

– Teodoro Waty, membro do Comité Central

O membro do CC, Teodoro Waty, diz que não se pode tapar o sol com a peneira e que se o assunto da sucessão , na liderança do partido,  poderá ser discutido um dia  fosse desde que para o efeito fosse amadurecido em sede da Comissão Política antes de descer para a plenária do Comité Central.  

“O mais importante é que o assunto está aflorado. Eu sou apenas membro do CC e se a questão fosse colocada à votação diria que é melhor que seja amadurecido e dentro de algumas semanas aqui voltarmos para tratar especificamente desse assunto. Não podemos tapar o sol com a peneira. É um dado adquirido que o assunto precisa de ser resolvido. A situação actual não é anti estatutária mas fica claro que alguns dos “camaradas” acham que a situação deve ser clarificada”, disse Teodoro Waty acrescentando que: “Eu também gostaria de ver clarificada a situação, mas todas as soluções são viáveis. Agora não me pergunte qual é a minha posição porque seria indecente pronunciar-me  antes de passá-la para o órgão”.

Teodoro Waty explicou ainda que existe um debate aceso sobre o modelo uni cefálico, assim como bicéfalico.“O que entendi das discussões preliminares é que há uns arautos do modelo bicefálico e outros do modelo unicefálico. Acho  que esta Sessão não foi convocada para o efeito, devendo se convocar uma sessão específica para tratar deste assunto. A mesma deve ser preparada pela Comissão Política para mostrar as vantagens e os inconvenientes, mas principalmente para explicar como é que vai se proceder, mas provavelmente indo à votação interna. A manter-se o modelo bicefálico não há votação, mas se houver a supremacia do modelo unicefálico, naturalmente terá que haver votação”.

Sobre se a alusão do Presidente da Republica segundo a qual há membros do partido que fazem pronunciamentos fora dos órgãos, não seria uma indisciplina ou violação dos estatutos, Teodoro Waty referiu-se nos seguintes termos: “O recado de um Presidente tem que ser respeitado. Ainda não vi a tal  indisciplina, mas quem sou eu para duvidar da posição do Presidente? Ele está no vértice superior da pirâmide. Eu não estou, portanto, não tenho capacidade de ver o que ele vê. Naquilo que eu vejo não há nenhuma indisciplina. Tem que se fazer uma interpretação restritiva porque não acredito que o Presidente esteja a dizer que os membros do Comité Central não podem ter liberdade de expressão”.

Sublinhou ainda que o Presidente Guebuza quis chamar a atenção de que os membros do CC não podem se esquecer que antes de fazer parte deste órgão são patriotas. “Será que os membros não podem falar durante um o ano e ficar a espera das sessões. O que ele pretende é que os membros do CC não esqueçam que antes de fazer parte deste órgão são patriotas. E que os seus pronunciamentos não devem atentar contra os interesses do partido. Portanto, eu estou num ponto da pirâmide e ele está no vértice superior, pelo que tem um horizonte superior da visão, razão pela qual terá visto indisciplina e eu não vi.

Observar com rigor a disciplina partidária

– Sérgio Pantie, membro da Comissão Política

Para Sérgio Pantie, membro da Comissão Política, o mais importante é que a sessão decorra num ambiente saudável com debate franco e aberto onde são levantadas todas as questões arroladas na agenda.

Sobre alegada indisciplina protagonizada por alguns membros, Pantie afirmou que era salutar que todos os membros do partido observassem com rigor a disciplina partidária que prevê o debate dos assuntos em fórum próprio.

“Sou apologista da disciplina, em qualquer sítio onde estivermos, na família, igreja num clube desportivo. Então, no partido também o que faz com que a Frelimo seja forte é o cumprimento das normas e as directivas. Penso que o Presidente quis chamar atenção a toda a sua tropa de que há regras e vamos trabalhar dentro dos parâmetros estabelecidos”,disse Pantie para quem a preocupação prende-se com as declarações que tem sido proferidas por alguns membros fora dos órgãos.

Relativamente á questão da sucessão na liderança do partido, Pantie disse que não comentava a questão e que era de opinião que se desse tempo aos órgãos que poderão se pronunciar em tempo oportuno. “Não comento essa questão. Vamos deixar os órgãos competentes tomar a decisão que acharem melhor”.

Discutir os problemas do país

– Cara-Alegre Tembe

O membro do CC, Cara-Alegre Tembe entende que o conclave da Frelimo fez uma radiografia exaustiva sobre os assuntos candentes do país e que a decisão final será conhecida hoje no encerramento da sessão.

Sobre se os pronunciamentos fora dos órgãos significam indisciplina protagonizada por alguns membros, Cara-Alegre referiu-se nos seguintes termos: “Nós temos os princípios estatutários que referem que os assuntos do partido são trados em fórum próprio, agora se há algumas pessoas que fazem pronunciamentos fora dos órgãos estão a agir fora dos princípios do partido. Algumas pessoas provavelmente por cobardia não conseguem se pronunciar em fórum próprio e fazem-no fora para perturbar o normal funcionamento do partido. Isto é cobardia. Nunca ninguém foi impedido de falar.

No concernente a sucessão na liderança do partido, o nosso interlocutor referiu que o assunto ainda não foi aflorado e que caso seja será discutida para se aferir a decisão a tomar. “O ponto não está agendado. Se for vamos discutir para ver qual será a melhor forma se é manter o actual sistema em que um dirige o partido e o outro o país, ou tem que ser a única pessoa a dirigir as duas coisas. Um é pai da nação que é o Presidente da República e o outro é o dirigente do partido. É preciso ver se as duas situações vão nos criar problemas ou não e escolhermos a melhor saída”.  

Vamos debater a sucessão a qualquer momento…

– Mariano Matsinha, Veterano da Luta Armada

Para Mariano Matsinha, combatente da luta de libertação nacional, a sucessão na liderança do partido não deve constituir motivo de discórdia entre os membros, uma vez que pode ser discutida a qualquer momento.

“Parece que a ideia é a de que o problema vai ser analisado por uma estrutura que ainda não sei qual é, mas o importante é que o assunto deve ser analisado a posterior. Há vários argumentos. Na minha óptica não há bicefalia, porque isso seria haver dois presidentes da República ou dois dirigentes da Frelimo, quando na verdade um é Presidente da República e o outro do Partido Frelimo”. disse Matsinha.

 Relativamente á indisciplina no seio dos membros do CC, Matsinhe referiu-se nos seguintes termos: “Estou na Frelimo a 52 anos. Sempre foi prático que qualquer problema que surgisse sobretudo, para os responsáveis do partido, esses problemas deviam ser apresentados ás estruturas internas e nunca fora. Fui educado assim e essa é a minha prática. Portanto, quem não segue isso é anomalia, é anómala. Quem não seguir isso, naturalmente que não é normal”.

A expetativa é grande para a sucessão…

– Ana Rita Sithole, deputada da Assembleia da República

Nunca tive problemas sobre a questão de sucessão porque sei que desde os anos que lá vão, sempre foi acautelado e desta vez quero crer que também está acautelado. É lógico que o momento atual exige que haja partilha na tomada desta decisão, razão pela qual mesmo aqueles membros que não façam parte deste órgão querem participar na discussão. A expetativa é grande no sentido de que quando é que isso vai se consumar”, assim reagiu Ana Rithlole instada a pronunciar-se sobre a sucessão na liderança do partido.

Segundo afirmou, a questão é como é que isso irá se efetivar: “O facto é quando é que isso vai se consumar e esse problema tem a ver com a organização do partido. Que está sendo discutida, acho que para um bom entendedor, meia palavra basta. Não estamos a discutir se será no décimo primeiro congresso, mas segundo o seu desempenho, quero acreditar que o Presidente Nyusi já está a por a máquina a andar e precisa de ter o exercício pleno da sua atividade.

Sucessão será discutida em fórum próprio

– Lucília Nota Hama, membro da Comissão Politica

Lucília Hama diz que a presente sessão foi convocada com uma agenda específica e que foi cumprida na íntegra não havendo motivos para alarme, até porque os membros do CC depois de um certo período de incertezas reencontraram-se nos mesmos objetivos.

Nós temos uma agenda própria que estamos a cumprir. Se aparecem outras ideias ouvimos e se houver necessidade vamos aprofundar em fórum próprio. Portanto, não temos dois centros de poder, até porque já sabíamos que depois do décimo congresso teríamos uma situação em que o PR podia não ser presidente do partido. Então, não tratamos naquele momento, mas acho que em fórum próprio a questão será discutida” disse Hama.

Quem decide sobre a sucessão é o Congresso

– Raimundo Pachinuapa, membro da Comissão Politica

Para Raimundo Pachinuapa quem deve decidir sobre a sucessão ou não na liderança do partido é o Congresso, contudo, não põe de fora a possibilidade ainda na presente sessão de o assunto vir a tona e tomar-se a decisão que se achar conveniente. “Quem decide sobre a sucessão é o congresso. As pessoas fazem, confusão, no meu entender não há problemas se se entender que deve ser discutida nesta sessão não vejo nenhum problema”.

Relativamente aos pronunciamentos fora dos órgãos, Pachinuapa referiu-se nos seguintes termos: “As pessoas atentas ao trabalho sabem que não é a primeira vez que isso acontece. Sempre houve críticas e auto -critica no seio do partido. Portanto, o presidente do partido de uma forma democrática chamou a atenção as pessoas que gostam de fazer declarações em fóruns inapropriados. Quando existem problemas devem ser apresentados em sede dos órgãos apropriados”.

Decidir em cima do joelho não é boa prática

– José Pacheco, secretário de verificação do Comité Central

O nosso partido tem 50 anos de existência. Tivemos duas mudanças trágicas. A primeira com o Presidente Mondlane e a segunda com Samora Machel, mas em seguida houve uma passagem pacífica de testemunho de Chissano para Guebuza. Certamente que os nossos estatutos não prevêm presidentes vitalícios, pelo que está claro que a mudança vai ocorrer, é só uma questão de tempo”, assim reagiu José Pacheco quando instado a pronunciar-se sobre a sucessão na liderança do partido.

Sublinhou que a presente sessão tinha uma agenda que foi respeitada escrupulosamente. “Geralmente o partido prepara a agenda e esta sessão não foi convocada para tratar desse assunto. Em tempo oportuno a questão será analisada. Decidir coisas sobre o joelho não é boa prática. É preciso estudar os cenários e tomar a decisão pertinente em tempo apropriado”.

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