Editorial

Feliz 2015 Moçambique

Esta é a nossa primeira edição de 2015. Foi-se o 2014. Viva o 2015. Neste novo ano que agora começa, o nosso pensamento vai, em primeiro lugar, para os nossos leitores e anunciantes. Uns e outros justificam o nosso trabalho. Os primeiros, são a razão de ser, os segundos, sustentam, em parte substancial, as tarefas onerosas que devemos levar a cabo para manter informado quem nos lê.

Não é tarefa fácil fazer um jornal, mas é um trabalho exaltante. Quando o fazemos, movidos unicamente pelo desejo de informar, estamos plenamente consciente que só o homem informado é que é um homem livre. O primeiro pressuposto da liberdade é o conhecimento, ninguém quer aquilo que não conhece, ninguém luta pelos seus direitos se não souber que tem esses direitos.

Digamos que a liberdade é a própria pessoa em acção, ao determinar-se nesta ou naquela direcção. Eis a grande responsabilidade de um jornal, que reside, sobretudo, no trabalho para a construção do homem livre.

Fazendo um pequeno balanço da nossa acção em 2014, podemos dizer que fizemos o que devíamos fazer, não isento de erros, é claro. Mas estamos conscientes de que poderíamos ter feito muito mais. Poderíamos ter ido mais além, mas deixámo-nos agarrar, muitas vezes, pelas chamadas contingências da vida. Os nossos êxitos, que foram muitos e duradoiros, são incentivo para nova aceleração, enquanto os inêxitos ficam como os sinais de trânsito nas estradas, ruas e avenidas, tipo aviso à navegação.

Tudo somado, podemos dizer, sem papas na língua, que estamos de parabéns e para a frente é que é o caminho.

Em 2015, continuaremos a lutar pela independência noticiosa e pelo pluralismo na informação. Como dizia sempre o nosso velho professor de jornalismo aqui da casa, independência significa não submissão a poderes exteriores ao jornalismo no acto de fazer a notícia, contar a estória, fazer a análise, criticar e fazer rir, ou, simplesmente, sorrir. Somos, apenas, dependentes da verdade, que, enquanto conceito, é facilmente definível, mas enquanto concretização sofre as vicissitudes da personalidade que apreende o que se passa fora de si, para, depois, o transmitir. Isto quer dizer, em termos simples, que a verdade, enquanto juízo oral, passa pelo interior de cada um, mimetizando-se com maior ou menor requinte.

Consciente desta situação humana a que nenhum mortal consegue escapar, o domingobate-se e bater-se-á pela ética e deontologia na captação e exposição das estórias que vai contando ao longo do ano, traduzidas em sã metodologia de investigação. Há regras universais que apontam os deveres da profissão, por isso não alinhamos no “bota-a-baixo” sem factos consistentes e credíveis para o fazer.

Dizemos aqui também Feliz Ano Novo e Boas Festas muito especiais para a Sociedade Notícias, sustentáculo físico e jurídico deste produto, que é o domingo.Para os seus directores e administradores, liderados pela Presidente do Conselho de Administração, um desejo de ano novo cheio de venturas e realizações.

Não seria justo, neste momento, não vivermos a festa de fim de ano e entrada de 2015 em solidariedade com os nossos companheiros de profissão, com quem, com alguma frequência, mantivemos polémicas saudáveis e com os quais concorremos semanalmente. A concorrência, aqui, como noutros sectores, aprimora a informação que se quer plural em opinião e verdadeira em estória contada.

Para a sociedade civil em geral, característica essa (de civil) que nos atinge a todos, que é que pode desejar um jornal, para além do bem-estar que se confunde com a felicidade de todos os sócios? Desejar-lhe uma maior, mais sólida, mais aprofundada informação que é motor de todo e qualquer desenvolvimento. Lembrar-lhe de que formação sem informação cai, mais tarde ou mais cedo, na dinâmica da domesticação.

Nós desejamos que a sociedade civil aprofunde os caminhos da liberdade, cujo pressuposto número um passa pelo conhecimento.

No plano nacional, em termos de macroeconomia, o país progrediu bastante e criou expectativas fundadas de aceleração para o progresso durante o ano de 2015.

Em termos de microeconomia, pequenas empresas surgiram um pouco por toda a parte, mas a pobreza continua a amarrar-nos com muita força.

Toda a gente fala da luta contra a pobreza e no discurso guebuziano essa luta virou tónica de desenvolvimento durante vários anos, honra lhe seja, mas disso já falámos semana passada neste espaço.

Outra das nossas preocupações, são os acidentes de viação. Eles constituem um autêntico desastre no panorama nacional. Um problema de saúde pública. Centenas e centenas de pessoas morreram como animais em 2014 nas estradas nacionais. E poderiam não ter morrido. Poderiam não ter ficado estropiadas. Mas morreram e/ou foram mutiladas. Deixando dor e luto. Viúvas e órfãos.

E a Educação? Olhemos em primeiro lugar, para o ensino primário, a base de tudo, tão desprezado entre nós, quer em meios, quer em consideração. É necessário operar uma quase revolução cultural neste sector. Não podemos continuar a ter crianças na 5ª , 6ª e 7ª classe sem saber ler nem escrever e terem problemas sérios de domínio da aritmética.

Uma saudação especial vai ao Presidente eleito, Filipe Jacinto Nyusi, que tem pela frente uma missão espinhosa de unir os moçambicanos numa mesma bandeira da paz e desenvolvimento, da unidade nacional, da tolerância política e da reconciliação. Uma bandeira, como sói-se dizer, de várias cores, cheiros, sabores, sentimentos.

Tem também a missão espinhosa, junto com todos os moçambicanos, porque sozinho não pode fazer nada, nem tem uma varinha mágica para o fazer, de colocar, por dia, pelo menos um prato de comida para cada família desta Pátria Amada. Nyusi acredita que isso é possível apostando na agricultura. “O povo não come carvão. O povo não come gás”, repetiu durante a sua campanha eleitoral. Mostrando um pouco os caminhos que quer seguir na sua governação.

É que, senhor Presidente, é preciso arrancar as mulheres e os homens da mancha vergonhosa da miséria. Mostrando-se-lhes os caminhos a seguir, pois eles têm essa capacidade de se arrancar a si próprios, em condicionalismo que lhes propiciem o arranque. Não, obviamente, com esmolas.

Pequenos projectos, sem excluir os grandes, evidentemente. Fala-se demais e trabalha-se pouco. Há pouco empenho, menos solidariedade, e as nossas escolas, sobretudo as superiores, com as cabeças cheias de manuais e não da vida que escorre por esse país fora, estão longe de mobilizar os estudantes.

Paz é sinónima de desenvolvimento. A paz no coração de cada um de nós, construída pela justiça em solidariedade.

A fome é inimiga da paz!

FELIZ ANO NOVO DE 2015, MOÇAMBIQUE!

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo