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CEMITÉRIOS NOS BAIRROS: Sem paz para os mortos

O desejo de obter um espaço para habitação desencadeou uma “convivência” desconfortável entre vivos e mortos. A fronteira entre e cemitério e quintal de residências, em alguns bairros localizados nos arredores da cidade de Maputo, visitados pela reportagem do domingo, é praticamente invisível.

O cenário é fora do comum: os mortos não têm descanso em paz, pois há residências que praticamente “abraçam” os túmulos. Tudo uma questão de opção; decisões tomadas numa realidade em que o que importava era conseguir alguns metros quadrados para erguer uma casa.

É mesmo caso para dizer que – sobre vizinhanças – se aceitou o que tinha, até mesmo a morada final de desconhecidos.

Laura Dengue e o seu esposo (já falecido), residente no bairro das Mahotas, firmaram-se num pedaço de terra que “pertencia aos Guebo”. Ali, já jaziam alguns restos mortais da família nativa.

Dengue e outros mais sujeitaram-se àquela condição e, com o passar do tempo, os seus ente-queridos falecidos passaram a ser sepultados naquele cemitério familiar.

Com efeito, morar a pouquíssimos metros daquela infra-estrutura impõe dormir e acordar sendo lembrado pelo cenário patente que a morte existe. Laura Dengue confessou que, por este motivo, “vivemos stressados. Ninguém gosta de ficar perto do cemitério! Mas o que vamos fazer? É só pedir a Jeová para vivermos em harmonia com os mortos. Mas, quando anoitece, ficamos dentro de casa e entregamos tudo a Deus”. Leia mais…

TEXTO DE CAROL BANZE
carol.banze@snoticicas.co.mz

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