Desporto

Clube de Gaza deve honrar seu nome no desporto- diz António Oliveira

O Clube de Gaza tem nova direcção, eleita semana passada em Xai-Xai, capital da  província de Gaza, depois que a Direcção Provincial da Juventude e Desporto interveio para impor a ordem na casa. 

O novo elenco aposta na reestauração gradual das infra-estruturas do clube; reactivação do futebol 11 e de salão; incremento integrado de modalidades diversas priorizando camadas inferiores; resgate de mais sócios e empresas apoiantes; estabelecimento da garantia do seguro desportivo das instalações e publicitação permanente das actividades internas junto dos associados.

Com vista a sustentabilidade financeira da agremiação, o Clube de Gaza elaborou já um plano de angariação de financiamento, adoptando contratos de arrendamento de seu património e racionalizando a sustentabilidade interna das suas infra-estruturas. Segue-se a conversa que o domingo manteve com o novo presidente do clube, António Oliveira.

Há rumores de que a actual direcção assaltou o Clube de Gaza. É verdade?

Não é verdade, houve, inclusivamente, a tentativa de falar com as pessoas que estiveram em frente do clube, mas que nunca deram seguimento ao assunto. Por essa razão realizou-se no passado dia 16 de Maio um encontro em que esteve presente o senhor director provincial da Juventude e Desporto de Gaza, Fernando Pinho. Depois marcou-se outro para o dia 22 que decidiu pela criação duma  comissão de gestão  que trabalhou até a convocação posterior da Assembleia geral extraordinária que elegeu os actuais órgãos que tomarão posse brevemente.

Quem é António Oliveira?

Chamo-me António Manuel Gaveta de Oliveira. Nasci em Maputo, vivi alguns anos no Chibuto e depois outros anos na África do Sul e doze anos em Portugal,  onde me casei e tive filhos. Mais tarde  regressei ao país em 1991 para trabalhar com meu pai na empresa e depois que a empresa liquidou todos os seus compromissos, comecei a trabalhar na empresa de estação de serviços aqui em Xai-Xai.

Como inicia a vida associativa?

Intervim pessoalmente na primeira associação em 1978 no Clube de Chibuto, nos tempos do senhor David Ramos Vaz. Depois fui para Portugal e, quando regressei, estive quase vinte anos como presidente e, mais tarde, como vice-presidente da Associação Portuguesa de Moçambique, em Maputo, onde saí há cinco anos.

O que lhe faz gostar da vida associativa?

Acho que para zelarmos pelos nossos interesses, temos que ter a nossa actividade preferida, mas considero que há uma parte de nós que é privada,  que gostaríamos de fazer e que é possivel fazê-la em  associação. É por isso que embarquei neste desafio.

O que lhe moveu para o desafio do Clube de Gaza?

Poque há uma pessoa, que faz parte da direcção e que é representante pela parte cultural, ligada ao David Abilio e a Pérola Jaime, que desabafou dizendo que queria fazer algo ligado à cultura e ao teatro, mas que não tinha sítio para tal. Aconselhei-a que arranjasse um lugar para formarmos uma associação. Depois das deligências, disse-me que tinha arranjado um sítio bom, o salão de festas do Clube de Gaza.Perguntei-lhe sobre as condições para a sua utilização e respondeu-me que se precisava  de 35 mil meticais mensais para o efeito.  Um preço que considero proibitivo.

Isso, então, lhe moveu a este  projecto social e desportivo…

Esse foi o ponto de partida. Mas, naturalmente que a  ideia de se insistir com o Clube de Gaza foi de se tentar arranjar um local para se ocupar os miúdos nas férias. Uma mãe, por exemplo,  que tenha um miúdo de 11 ou 12 anos, se  vai trabalhar, onde deixa o seu filho? Essa função, neste caso, deve ser do Clube de Gaza, cumprindo a sua missão social.  

Incentivada a ideia, o que se fez a seguir?

Decidimos avançar com a ideia, dando conhecimento à Direcção Provincial da Juventude e Desporto de Gaza que verificou  que o clube não tinha condições mínimas de  funcionar nos termos em que se encontrava.

E quem convocou a Assembleia geral ?

Foi o Conselho Provincial de Desporto de Gaza, visto que  nós não tínhamos  capacidade para o efeito. Foi nessa base que surgiu este movimento que teve o mérito de na sua Assembleia geral terem aparecido 92 sócios,  coisa que nunca tinha acontecido.

Porquê?

Porque antes o número era menor. Veja que toda esta gente apareceu num dia de trabalho, uma sexta-feira, às 16 horas. Acredito que se tivesse sido num final de semana o número seria mais acrescido.

Qual é o significado disso?

Significa que os sócios sentiam que o clube não lhes dizia respeito, embora se mostrassem sedentos de estarem envolvidos.

GESTÃO SERÁ COLEGIAL

Que diferença se pode estabelecer entre o  actual e o anterior elenco?

A principal diferença é que a actual gestão será colegial onde tudo não dependerá duma única pessoa, mas sim dum grupo de pessoas. Quer dizer, a direcção é formada por um presidente mais quatro vice-presidentes que respondem por diferentes áreas autónomas.

A cultura passa a ser uma nova valência no clube de Gaza…

Nem tanto, porque no tempo colonial já existia no Clube de Gaza.   Já houve por exemplo, a patinagem artística, o teatro, para além do cinema. Entendemos que o clube pode complementar certas actividades que deviam existir em Xai-Xai, já que se alguém quiser ver  uma peça teatral ou assistir ballet tem de se deslocar a Maputo. Temos que inverter o cenário.

Em que  modalidades pensam investir?

Continuaremos com o futebol como primeira opção, mas teremos o basquetebol masculino e feminino e recriaremos a escola de futebol. É preciso recordar que nos anos 90 o Clube de Gaza representou o país nas Afrotaças maioritariamente com jogadores de Xai-Xai e suas redondezas. Defendo que o clube pode ir buscar um ou outro jogador num outro ponto qualquer, mas que não vá buscar a maioria. Para além disso, apostaremos no desporto recreativo, previlegiando-se a disputa de eventos que possam envolver empresas, escolas, etc;.

E quanto ao património?

Vamos recuperá-lo. Aliás, um dos principais compromissos do nosso manifesto eleitoral é devolver o clube aos sócios e recuperar as infra-estruturas da agremiação.

Como  assegurarão a devolução do clube aos sócios?

Cumprindo com os estatutos que preconizam a prestação de contas. Mas, igualmente, pensamos que com o incremento das valências da cultura e do desporto recreativo, certamente que os sócios regressarão ao clube sem dúvidas, participando de forma efectiva na sua vida.

Isso agora não acontece?

O que agora acontece é que o clube está dissociado da cidade de Xai-Xai, sem sócios. Veja que antes deste movimento acontecer só existiam seis sócios. Agora, num único mês, conseguimos angariar142, significando que as pessoas estavam cansadas e divorciadas, daí que foi preciso este movimento para reactivar um clube de Gaza que se julga ser um dos que tenha mais adeptos em Moçambique.

Existe alguma reflexão sobre a expansão do clube pelo resto da  província de Gaza?

Bom,  essencialmente o clube é de Xai-Xai, mas não vamos deixar de fazer com que o mesmo se sinta fora dos limites de Xai-Xai. Não vamos dar um passo maior que a perna, mas também não queremos que seja um clube de elite. Na próxima semana, a reunião da direcção vai-se debruçar sobre se o clube  será de elite ou popular, embora tenha a certeza de que se vai preferir que o mesmo seja popular.

Como se equaciona o processo de  quotização?

Vai haver uma diferenciação no pagamento das quotas, mas os  que pagarem quotas mais altas terão um voto como qualquer outro. Entendemos que cinquenta meticais é muito para a maior parte das pessoas, teremos de reduzir, provavelmente a maioria poderá pagar vinte a vinte e cinco meticais.

Porquê por  essa opção variável?

Porque não queremos ter um clube de elite. Se optarmos por uma quota de 200 meticais, por exemplo,  teremos poucos sócios e o clube pode se tornar de elite. Isso não pode acontecer porque o Clube de Gaza foi sempre um clube popular e temos que honrar isso. O Clube de Gaza deve cumprir a sua função social na cidade de Xai Xai

Que função é essa?

De promover o desporto, a cultura e ocupar os tempos livres da nossa juventude. A sua função não é de ter as suas instalações alugadas para fins que não sejam esses. Gradualmente, as instalações do clube terão de reverter à favor dos sócios. Vamos criar condições para haver actividades culturais para os nossos jovens, pelo menos uma vez por mês. Só assim seus pais e amigos vão começar a frequentar o clube. Temos um bar alugado numa base comercial e o dilema que se coloca é que teremos que dizer aos miúdos que não podem beber nem fumar.

O que se vai fazer?

Teremos de renegociar estes contratos. Se os  que vendem bebidas alcoólicas mantiverem essa opção, terão  de abandonar. A razão económica não é muito justificável neste caso.

Como voltar a colocar o clube nos patamares alcançados anteriormente no futebol?O que posso prometer é que até Dezembro vamos formar a escola de jogadores de futebol e tentaremos, mesmo sem campeonato, formar uma equipa de juvenis bem como criarmos condições de estarmos presentes no campeonato provincial. Para esta meta não queremos contratar jogadores fora do Xai –Xai.  Para as pessoas que não estudam, o nosso objectivo será de ajudá-los a sentirem-se úteis e aos estudantes ajudaremos a custear as suas despesas e dar- lhes prémios. O nosso principio será esse porque  Xai -Xai não tem capacidade económica no seu todo para ter uma equipa no Moçambola. Estar dependente duma pessoa apenas, para mim, é estrategicamente errado. Penso que o Clube de Gaza não é duma pessoa, mesmo que ela tenha muito dinheiro. Na hora do voto valemos todos, mesmo que tenhamos quotas diferenciadas. Só desta forma teremos vida no clube.

 

Novo elenco do clube de Gaza

O novo corpo directivo do Clube de Gaza é costituido pelos seguintes elementos: Mesa da Assembleia geral,  Jorge Manuel Matsinhe (presidente); Ercilio Manhique (vice) e Rui Tamele (secretário). Direcção, António Oliveira (presidente); Abdul Gafar (primeiro vice); Shunguana Monjane (segundo vice); Edson Ernesto (terceiro vice); Sergio Amiel (quarto vice); Elsa dos Santos (secretária); João Botas (secretário-adjunto); Lília Oliveira (tesoureira); Paulo Tamele (tespoureiro adjunto); José Júnior (primeiro vogal); Nandi Nhaca (segundo vogal); António Guambe (terceiro vogal); Daniel Munguambe (quarto vogal). Suplentes: Tomás Boane (primeiro vogal); José Evaristo (segundo vogal); Simão Botsela (terceiro vogal). Chefes de departamentos: Libâneo Teresa (futebol); Jacinto Ngoca (basquetebol). Conselho fiscal: Ossemane Adamo (presidente); Ercilio Guimarães (relator) e Sanjay Chandrakant (vogal).

Temos que ir ao “ Provincial”

– diz Abdul Gafar

Abdul Gafar, primeiro vice-presidente do clube de Gaza, disse ao domingoser uma das principais apostas actuais fazer com que o clube esteja no campeonato provincial em 2016. Para isso temos que recuperar os jogadores que se foram e arranjar outros”, afirmou Abdul Gafar.

A par disso, vamos recuperar todas as infra-estruturas do clube como a sala de cinema para a promoção de actividades recreativas e culturais bem como angariar receitas para a sustentabilidade do clube. Segundo Gafar, tenciona-se ainda a instalação de um ginásio para a prática de exercícios físicos. 

Artur Saúde

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