Desporto

Candidatos prometem formação e transparência

Texto de Custódio Mugabe

Os quatro candidatos ao cargo de presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) atacaram semana finda as zonas norte e centro do país, onde venderam promessas de mais vitórias para as selecções nacionais e transparência na gestão da modalidade.

Alberto Simango Jr. escalou sucessivamente as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Manica e Zambézia, tendo prometido transferir da Liga Moçambicana de Futebol, onde é presidente, para a FMF, a sua capacidade de gestão reconhecida publicamente.

“Dêem-me uma oportunidade”, apela, vincando que conhece melhor do que os concorrentes os reais problemas do futebol do país e a solução dos mesmos. Em Cabo Delgado, Manica e Niassa recebeu um “sim” ao seu programa.

Esta semana, Simango Jr. vai trabalhar em Inhambane, Gaza, Maputo-Cidade e Maputo-Província, devendo terminar a “caça” ao voto em Sofala.

Manuel Chang já escalou Zambézia, Gaza, Sofala e Maputo-Província. Faltam ainda Maputo-Cidade, Inhambane, Manica, Tete e Niassa. Promete valorizar os antigos atletas e devolver alegria ao futebol nacional.

Enoque João, presidente da Casa de Moçambique em Portugal, abriu as hostilidades em Nacala e escalou Nampula. Trabalhou também na Zambézia, Sofala e Manica, devendo este fim-de-semana escalar Inhambane e amanhã a província do Maputo.

Teodoro Waty também começou na zona norte, concretamente no Niassa. Depois escalou Nampula e Cabo Delgado. Amanhã estará em Manica e quarta-feira na Zambézia. Curiosamente, não tem companhia do actual presidente, Feizal Sidat, o rosto que o candidata.

Simango Jr. está melhor preparado

– Policarpo Tamele, candidato derrotado em 2011

O activista social Policarpo Tamele, candidato nas eleições da FMF em 2011 – candidatura rejeitada devido a irregularidades – defende que o candidato Alberto  Simango Jr. é que está melhor preparado para suceder Feizal Sidat.

Falando ao nosso jornal sobre o escrutínio agendado para 13 de Agosto corrente, Policarpo Tamele apelou aos candidatos para estarem de facto imbuídos e comprometidos pela causa mais nobre do desenvolvimento e elevação da auto-estima dos moçambicanos para o bem do futebol no seu todo.

Vezes sem conta, já tivemos situações de candidatos que usam o futebol para inúmeros fins, alguns pouco recomendáveis, com objectivo de ganhos financeiros ou para mudar um degrau social, alerta.

Nestes termos, o dirigente defende que o presidente e o elenco que sair vencedor nas eleições deverá, antes de mais, organizar a casa e pautar por um trabalho de equipe e sempre presente no cumprimento integral do seu manifesto eleitoral.

– O presidente eleito deverá colocar as suas energias e esforços para estancar ou mitigar o cancro da corrupção, o suborno, a viciação de resultados, a falsificação de resultados e de idades e encontrar alicerces para colmatar as lacunas e défice gritantes na planificação estratégica dentro do gabinete técnico.

Acentuou que é preciso cada candidato estar ciente de que o povo irá cobrar ao elenco vencedor pelos resultados, daí que o presidente vencedor deverá olhar ou concentrar-se nos aspectos de revitalizar a nível nacional os campeonatos infantis, juvenis, de júnior como viveiro para alimentar as selecções nacionais.

“É preciso incutir no seio das associações provinciais a massificação do futebol até aos distritos, por que não, reactivar os campeonatos dos trabalhadores, militar, distritais e municipais”, referiu.

Policarpo apela às associações provinciais, no geral, e aos presidentes, em particular, para se concentrarem no desenvolvimento e o bem do futebol e não pactuarem por interesses e ganhos inconfessáveis, em detrimento de um programa concreto, de amplo impacto para o bem do futebol.

– Os presidentes mandatários das associações provinciais deverão cingir-se por uma conduta que dignifica a causa do desenvolvimento do futebol e não hipotecar ou defraudar a expectativa dos que querem servir e trabalhar para o bem do futebol. Devem ter cuidado com aqueles que usam o futebol para se servirem ou mesmo para buscar emprego para quem estava desempregado. 

O activista já analisou as promessas dos quatro candidatos e não tem dúvidas de que Alberto Simango Jr. é que está melhor preparado para dirigir a FMF.

– Olhando para a trajectória e o perfil dos quatro candidatos, creio que, sem margem de dúvida, o candidato Alberto Simango Jr. está melhor posicionado para dirigir os destinos da FMF pelo trabalho que tem feito e pelos resultados apresentados. Acho ser a pessoal ideal e quiçá poderemos ver à última hora a retirada de alguns candidatos para juntarem-se àquele que efectivamente merece.

“Espero sinceramente que a justiça seja feita e apelo aos presidentes das associações provinciais que votem para a mudança, para a massificação, sustentabilidade e elevação do nosso futebol para um patamar a nível continental e do mundo”, ajuntou.

Clubes deviam votar directamente

– Abdul Hanane, do Benfica de Nampula

Abdul Hanane, presidente e treinador do Benfica de Nampula, revelou ao domingo que as colectividades daquela região advogam que em futuros processos eleitorais os clubes escolham directamente o presidente da FMF.

Todos quatro candidatos ao cargo de presidente da FMF já passaram por Nampula, onde apresentaram suas ideias e prometeram melhorar o futebol nacional.

O nosso jornal abordou o rosto do futebol nampulense, Abdul Hanane, o qual, fez uma apreciação dos quatro candidatos, ressalvando, contudo, que a Associação Provincial ainda não escolheu em quem direcionar o seu voto, acto que deverá acontecer brevemente.

A seguir transcrevemos a avaliação de Abdul Hanane após apreciar os manifestos e apresentações dos candidatos, os quais, sublinha, tem diferenças significativas nos seus perfis.

MANUEL CHANG

– Manuel Chang puxa mais pelos antigos jogadores. É um gestor, sabemos que foi Ministro das Finanças e tem capacidade de ir buscar fundos. Quer resgatar os antigos jogadores, mas todos sabemos que o facto de serem antigos jogadores não garante que são capazes de gerir bem a federação. Hoje gerir a federação de futebol não é brincadeira.

ENOQUEJOÃO

– Enoque João não nos trouxe nenhum projecto. É um anónimo. Apareceu, entregou equipamentos e bolas aos ferroviários, que não tem necessidades como nós que fazemos futebol sem patrocínios. Para nós foi uma decepção. Fez promessas, mas não caímos nessa.

TEODORO WATY

– É uma pessoa com muitas capacidades, sem dúvidas. Só que não é um homem ligado ao futebol. É verdade que já fez parte da direcção da federação, mas nunca geriu os problemas do futebol. Apresentou um projecto bonito e com alguma consistência. Respondeu-nos com segurança algumas questões que colocamos.

ALBERTO SIMANGO JR.

– Alberto Simango Jr. é um homem de futebol e está a trabalhar bem na Liga Moçambicana de Futebol. Foi o único que nos apresentou um projecto real do futebol. Apresentou-nos uma brochura do estado actual do futebol, na qual verificamos as assimetrias existentes entre as zonas sul, centro e norte. Transmitiu-nos a mensagem de que algo deve mudar e apresentou-nos as linhas-mestras do que deve ser feito para sairmos da actual situação.

RECOMENDAÇÕES

Abdul Hanane refere que todos quatro candidatos estão de parabéns porque demonstram que estão preocupados com o estágio do futebol e querem contribuir para superar as dificuldades que os clubes enfrentam.

– Vendo o perfil de cada um e os projectos que apresentam, conclui-se que o tipo de gestão da federação deve mudar. Os estatutos e regulamentos estão desactualizados. Hoje os clubes deviam votar directamente o presidente da federação e entregariam uma credencial ao presidente da associação assinada por todos. Não concordamos a forma como é eleito o presidente da federação.

O nosso entrevistado referiu que essa preocupação foi transmitida aos candidatos, os quais, uma vez eleitos, devem mudar os estatutos actuais. Outra preocupação é a corrupção na arbitragem, onde reina a impunidade.

– A corrupção na arbitragem é o grande mal do futebol moçambicano. Qualquer jovem hoje quer ser árbitro de futebol ou Polícia de Trânsito para enriquecer facilmente. Os árbitros é que provocam violência nos nossos campos.

Hanane ajuntou que o próximo presidente da FMF deve apostar numa formação concreta de jogadores, não limitar-se apenas a discursos.

“Queremos uma formação séria de jogadores e que a Lei do Mecenato seja efectiva. Não esperava termos tantos candidatos a presidente da federação, mas isto é sinal de que algo está a mudar”, anotou.

Custódio Mugabe

 

custódio.mugabe@yahoo.com.br

 

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