Bula Bula

Manual indigesto?

O nosso colaborador Sérgio Vieira, que insere neste semanário, diga-se, há vários anos, a sua crónica intitulada “Carta a muitos amigos”, publicou a 27 de Janeiro do ano agora começado, uma 

com o título “sobre manual para provocar calamidades”. Esta crónica tem estado a dar muita polémica nos últimos dias.

A carta começa assim: “quando miúdo e acompanhava o meu pai e avô aos currais onde se punha o gado da família, deles aprendi que devíamos sempre pensar por onde devia passar a água e o vento quando se construísse um curral, ou palhota, ou casa. Correr não é chegar, Mais vale prevenir que remediar, Nada a fazer depois de entornado o leite, fazem parte de ditados ditos corriqueiros que exprimem uma sabedoria acumulada pelos povos ao longo dos tempos. Nada aprender disso denota pelo menos visão extremamente curta de quem devia melhor saber. Neste momento queixarmo-nos da comichão depois de nos havermos esfregado com feijão macaco. Sinto-me forçado a falar de Maputo e um pouco do país face ao que aconteceu e às tragédias que ainda ocorrem, com perda de vidas, bens e demais calamidades que vamos sofrendo”.

Diz essencialmente que não é por falta de alerta às diversas entidades competentes que os cenários se repetem quando as chuvas se abatem entre nós e até socorre-se de um velho ditado:“Dizem os livros santos que há quem tenha ouvidos e não ouça, olhos e não vêm” e acrescenta:“O que se previu ocorreu. Houve mortos, destruições de bens e sérios danos nas ruas e na via-férrea”.

A dado passo questiona as prioridades nas construção e reparação de infra-estruturas e questiona também a (alegada) inércia das autoridades perante os avisos e apelos e afirma: “Mas como chegamos a quem de direito se os nossos acessos estão cortados?”

E mais adiante sentencia: “Ao fim de muito tempo identifiquei as causas essenciais de muitas calamidades, que deveriam figurar num Manual para Provocar Calamidades:

1.     A incúria e negligência de centros de decisão;

2.     A indiferença às recomendações e avisos de técnicos competentes e experimentados;

3.     A ganância de promotores mais buscando o lucro que o respeito devido às leis e forças da natureza;

4.     A procura de comissões nas reabilitações, pelo que se despreza a manutenção básica e permanente.

Aqui já se puniu com prisão os variados autores dos desmandos. Agora, em boa democracia e mercado libertário, tendemos a promover e eleger os prevaricadores”.

É sobre as sentenças do SV que estão a “chover” aqui em “casa” as mais variadas reacções através das cartas de leitores. O pontapé de saída foi dado por Jossias Maluleque na edição passada, que acusa o cronista de outrora não ter dito nada disto e agora aparecer “a lançar este punhado de areia para poder se lavar sem ninguém o ver” e o leitor acrescenta: “Assim, e olhando para o seu percurso como decisor, descobre-se facilmente que o que está a acontecer é uma birra de um bebé da creche que acha que a ração que a “titia” lhe deu não é justa”.

Arlindo Trindade Mabyeca entrou também na berlinda e afirma que “nos dias que correm, vejo muitos a se envolverem no contrabando da verdade e honestidade, buscando argumentos populistas para terem perdão do senhor nosso Deus”. E acrescenta “É por achar que correr não é chegar que o GPZ terminou como terminou, e claro, entornou o leite e agora quer nos convencer de que não vale a pena chorar por ele”.

 

Um outro leitor,  Hernane Guila Matsavane, atira assim: “esquece-se que não foi consultado o povo quando foi indicado para ir dirigir o famoso projecto do desenvolvimento do Vale do Zambeze, que entretanto desabou? Não seria salutar explicar a nós o povo os dinheiros que gastou no projecto onde centenas de maquinaria comprada com os nossos impostos deterioraram-se? Ou é história de avestruz de querer esconder a cabeça deixando todo o corpo a descoberto?”

Como se pode ver, o ponto fulcral de todas as investidas que lhe são feitas giram à volta do GPZ, instituição que ele dirigiu. Acusam-no de ali não ter feito nada, apesar de a mesma ter sido criada para, essencialmente, promover o desenvolvimento do Vale do Zambeze a partir dos recursos que a região possui, defendendo-se que o “gestor não esteve à altura da empreitada”, apesar dos fundos que eram ali alocados. Acusam-no também de nepotismo, porque alegadamente terá posto Eduardo Vieira, seu filho, a dirigir uma empresa satélite do GPZ, a “Cereais do Zambeze”, e terá colocado a sua cunhada, irmã da esposa, Suzete Machava, como uma das gestoras da DAF do GPZ.

A procissão do “manual para provocar calamidades” vai no adro.

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