Artes & Letras

Moçambicanos devem delinear a sua identidade

O escritor moçambicano Ungulani Ba Khossa falou ontem, durante a conversa com os estudantes da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), sobre a necessidade urgente de os moçambicanos terem algo que os identifica ou dar cidadania às línguas bantu na produção de obras literárias.

O evento subordinado ao lema “Ideias em Movimento”, organizado pela Universidade Eduardo Mondlane, pretende explorar quase todas as áreas educativas desde os assuntos relacionados com ciências políticas, científicas, literatura moçambicana, entre outras vertentes.

De acordo com o escritor, que falava sobre “os primeiros passos na escrita”, ter uma identidade nacional é manter uma baliza identitária marcada por essas correntes ideológicas e socioculturais. “Às vezes há indivíduos com dificuldades de apresentar um discurso que obedece a uma competência linguística e comunicativa na língua portuguesa, enquanto o pode fazer melhor na sua língua bantu”, disse.

Entretanto, a história do escritor Ungulani Ba Khassa está sintetizada num livrinho intitulado “Histórias de espanto”. O gosto pela escrita surge aproximadamente em 1979 quando era professor na Província de Niassa, onde leccionava a disciplina de Geografia na Escola Secundária de Ngungunhane, na cidade de Lichinga.

“No início o que eu queria era escrever um texto, mas não sabia como começar, e a publicação do livro de Luís Bernardo Honwana intitulado “Nós matámos o Cão Tinhoso” despertou em mim a capacidade de retratar a nossa história moçambicana. Outras obras que serviram de inspiração são as do escritor José Craveirinha e de outros escritores africanos”.

Por sua vez, o Director da Faculdade de Letras e Ciências Sociais, Eduardo Firmino, mostrou-se satisfeito com a presença do escritor Ungulani Ba Khossa. Firmino destacou a necessidade de se despertar no estudante o interesse pelas artes, até porque “aqui na faculdade existem estudantes escritores, pintores, músicos e não só que precisam de compartilhar experiências de vida com figuras de renome, em espaços de debate e seminário.”

Refira-se que os estudantes da Faculdade de Letras e Ciências Sociais terão outras ocasiões para receberem escritores tais como Paulina Chiziane, no mês de Abril e Mia Couto, no mês de Maio.

Idnórcio Muchanga

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