Artes & Letras

Jovens da CPLP exigem mais dinamismo dos governantes

A cidade da Matola viveu momentos inesquecíveis entre os dias 17 e 21 de Julho, quando mais de cem jovens de Moçambique, Angola, Portugal, Cabo Verde, Timor Leste, São Tomé e Príncipe se juntaram na Bienal para mostrar suas criações e trocar experiências.

Juventude e cultura reforçando os laços da amizade era o lema da sétima Bienal que permitiu a troca de experiências nos vários domínios artístico e desportivo, cujas actividades tiveram lugar no Centro Cultural do Banco de Moçambique e Auditório Municipal da Matola.

Artesanato, Música, Dança, Poesia, são algumas das modalidades que preencheram de forma animada a agenda dos jovens da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Em 2016, Cabo Verde vai receber os jogos da CPLP. E, a próxima bienal será em 2017 em Portugal.

Não se fizeram presente os jovens do Brasil e de Guiné Bissau em uma edição que demonstra crescimento qualitativo e quantitativo. Timor Leste que sempre apresentou delegações muito curtas, veio com  vinte jovens. O mesmo verificou-se em relação a Portugal que trouxe treze jovens.

Entretanto, os que participaram são unânimes na necessidade de se imprimir mais acções que tragam resultados visíveis. Segundo eles, não é tempo de conceber projectos e planos apenas no papel. É sim, momento de os governos passarem dos discursos para acções concretas e com resultados visíveis.

DEIXAMOS UMA MARCA ATRAVÉS DO MURAL

– Orlando Domingos – Produtor artístico (Angola)

O que me marcou na bienal é a forte ligação que se revelou entre Moçambique e Angola que acabaram trabalhando juntos. Creio que o facto de os dois países estarem a comemorar 40 anos da Independência  contribuiu muito. Deixamos uma marca, o desenho do mural no Auditório Municipal da Matola, no qual estão reflectidos dois grandes nomes, Samora Machel (antigo presidente de Moçambique) e Agostinho Neto (antigo presidente de Angola). É importante criar uma rede interactiva dos criadores da CPLP que permita uma preparação prévia dos trabalhos.

TEMOS QUE NOS REUNIR MAIS VEZES

– Alex Dinho, músico (São Tomé e Príncipe)

A bienal foi muito produtiva e entre nós houve uma troca de experiências. Fomos bem recebidos, claro que houve uma e outra coisa que não estava bem. Acho que também faltou publicidade sobre a bienal. Por isso, algumas sessões estavam vazias. Faltou gente. É necessário encurtarmos os encontros. Não se justifica que nos encontremos de dois em dois anos. Podemos propor aos nossos governos para que pensem numa forma de sermos mais dinâmicos e produtivos, criando uma rotina para troca de ideias.

É PRIMEIRA VEZ QUE VENHO A ÁFRICA

– Andrea Santana, artista plástica (Portugal)

 A Bienal foi muito bem organizada. É  uma excelente iniciativa. Juntar os jovens da CPLP permitiu ver o que temos em comum e as nossas diferenças. Discutimos muito em torno de vários assuntos que nos apoquentam. E há entre nós uma história interligada e o desenvolvimento dos países  lê-se através das obras produzidas. Penso que devia se criar o sistema de oficinas artísticas para que as ideias não murchem. É a primeira vez que venho a África, começando por Moçambique. Gostei bastante e levo deste país recordações positivas. Senti raízes e ganhei inspiração para uma outra forma de fazer a arte.

DISCUTIMOS MUITAS IDEIAS

– Djam – Bruno Amarante, coreógrafo (Cabo Verde)

A bienal permite encontro físico dos jovens e a discussão frontal sobre como podemos valorizar os nossos trabalhos artísticos. Trouxe de Cabo Verde a obra Je suis Quackverdiano. É uma obra que simboliza várias coisas e tenho em palco copos e eu apareço num formato de uma garrafa de água. Água que caracteriza Cabo Verde por estar no meio do oceano. A bienal permitiu discutir ideias, infelizmente não temos criado algo conjunto e colocá-lo como mostra. Nós vamos receber os jogos da CPLP e Cabo Verde é conhecido por Morabeza (o bem receber). Estaremos aptos para receber a todos e ajudar na discussão do que nos une e diferencia.

É PRECISO CIRCULAR INFORMAÇÃO ENTRE NÓS

– Florindo Napoleão dos Santos Xavier (Timor Leste)

É interessante a actividade desenvolvida na bienal porque através dela fortificamos a unidade entre os países da CPLP. Temos que criar uma forma de encontros constantes porque esperar dois anos para nos reunirmos é muito tempo. É muito importante criarmos uma forma de circular a informação entre nós para lermos as experiências de outros países. Claro que as diferenças existem, mas temos que capitalizar o que temos de bom. Para o caso de Moçambique e Timor Leste, há uma ligação forte, a guerra civil dos dois países e a ajuda prestada por Moçambique a Timor Leste marcou-nos. Por isso, devíamos desenvolver uma relação de cooperação especial entre os jovens dos dois países. Recomendo sempre  ao governo para que  crie programas profundos que desenvolvam oficinas de arte.

SUPERAMOS AS EXPECTATIVAS

-Rui Mapatse , Director do Instituto Nacional da Juventude (Moçambique)

A bienal foi um sucesso, superamos as expectativas quer em termos de organização assim como logística. Todas actividades decorreram a tempo e nos locais previamente traçados. O Governo demonstrou o seu cometimento com bienal. Por isso tivemos a honra de a bienal ser aberta pelo Primeiro Ministro. E tivemos o Ministro da Juventude e Desporto no encerramento.  O evento permitiu a exibição de talentos. Temos o caso de uma jovem da Zambézia, de 19 anos. Canta muito bem e decidimos fazer o acompanhamento da carreira dela e vamos pô-la em contacto com vários músicos. Tivemos a banda de Nampula, Unena, que toca ao vivo e mesmo sendo nova parece uma banda já madura.

Frederico Jamisse
frederico.jamisse@gmail.com
Fotos de Jerónimo Muianga

 

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