Sociedade

Matemática e Química causam “dor de cabeça”

Texto de Idnórcio Muchanga e Fotos de Carlos Uqueio

·Ensino primário avaliado a partir de amanhã

Estudantes do “secundário”, examinados semana finda ao nível da cidade de Maputo, consideraram que os testes de Química e Matemática foram os mais difíceis. Alguns já pensam na segunda época de avaliação.

Numa ronda efectuada em algumas escolas secundárias dos bairros arredores da cidade de Maputo, a nossa Reportagem constatou os exames de Química e Matemática causaram “dores de cabeça” nos alunos que não alimentam esperança de conseguirem a nota mínima exigida para passar de classe.

Reconheceram, entretanto, que tudo que foi avaliado nos exames foi matéria de estudo na sala de aulas e admitiram que devido a falta de atenção por parte deles não conseguiram responder adequadamente às questões colocadas.

Domingas Matavel, aluno da Escola Secundária de Magoanine, arredores da cidade de Maputo, contou à nossa Reportagem que as avaliações de Química e Matemática foram as mais difíceis.

Não fiz bem os exames de Química e Matemática. A matéria avaliada era complicada. Alguns temas, os professores ensinaram durante as aulas, mas não prestamos atenção. Noutros dias “gazetávamos” para conversar entre colegas”, disse Matavel.

Outra estudante que comungou da mesma ideia foi Salima Zimila que se mostrou insatisfeita por não conseguir calcular a massa molecular no teste de Química.

Abel Guambe, estudante da Escola Comunitária Santo António da Malhangalene, também classificou os exames de Química e Matemática como os mais difíceis.

O estudante admitiu que não se preparou adequadamente por falta de organização no seio da família porque mandavam-no para realizar alguns trabalhos domésticos no momento em que queria estudar. “Sempre que volto da escola tenho que ajudar a minha mãe a realizar alguns trabalhos domésticos, o que empatou, de certa forma, o meu desempenho nos exames”, afirmou.

Mas nem tudo se resume à dificuldades. Rosa Tila, estudante da Escola Secundária de Malhazine, considerou que todos os exames realizados foram simples e os professores não eram rigorosos nas vigilâncias como nos anos anteriores.

As provas foram fáceis. Comecei a estudar com meu grupo há muito tempo, sem contar que me preparava sozinha em casa. Sempre participei em todas as aulas. Acredito que vou passar de classe logo na primeira época”, disse Tila.

Por sua vez, Ernesto Chissano, aluno de 10ª classe na Escola Secundária de Magoanine, contou ao nosso jornal que dispensou a Secção de Letras e depois de fazer os testes mostrou confiante em relação aos resultados. “Os exames foram fáceis. Preparei-me muito. No dia da divulgação dos resultados só irei à escola para verificar a minha média porque está confirmado que transitei”, afirmou.

Directores de escolas secundárias ouvidos pelo domingo classificaram “de positivo e ordeiro” o ambiente que caracterizou o decurso dos exames. Sublinharam que todos os centros iniciaram os testes a tempo, isto porque o material foi disponibilizado com muita antecedência. No entanto, lamentaram o facto de alguns alunos se terem atrasado na chegada aos locais dos exames, acabando por serem impedidos de realizar as provas.

O director pedagógico da Escola Secundária de Magoanine, Armindo Húo, disse à nossa Reportagem que os exames decorreram sem grandes anomalias, não obstante episódios isolados de estudantes que chegaram quinze minutos depois no arranque das provas..

Refira-se que a Escola Secundária de Magoanine examinou cerca de 768 alunos, divididos em 28 júris.

domingo visitou igualmente a Escola Secundária de Malhazine, onde o processo dos exames não conheceu incidentes de relevo. De acordo com a directora da escola, Lucrécia Aniceto, os professores e alunos foram sensibilizados para não se envolverem em casos de fraude. “As reuniões mantidas com os pais e ou encarregados de educação e professores ajudaram muito”, apontou.

A Escola Secundária de Malhazine examinou 907 alunos para 10ª classe, contando com estudantes da Igreja Metodista Unida de Moçambique, uma instituição tutelada pelo Governo. Para 12ª classe foram ao exame 673 alunos de Malhazine e 744 alunos da Igreja Metodista Unida de Moçambique.

Arrancam exames

no ensino primário

Arrancam amanhã os exames finais de 5.ª e 7.ª classes. Finda esta etapa, seguir-se-á a 2.ª época que não só está reservada aos alunos que reprovarem na primeira época ou que não realizarem os testes por outros motivos, mas também contará com a integração dos alunos externos da 5.ª, 7.ª, 10.ª, 12.ª e os do 1.º, 2.º e 3.º anos do Ensino Técnico-Profissional.

Entretanto, para os exames do ensino primário que começam amanhã, o Ministério da Educação (MINED) renovou o apelo à pontualidade dos examinandos, a quem, igualmente, recomenda que levem consigo os documentos de identificação necessários.

Dificuldades
também em Gaza

Artur Saúde

O exame difícil de Química e o elevado número de ausências de alunos marcaram os exames da primeira época na província de Gaza. Apesar de se terem preparado, estudantes contactados pelo domingo dizem que o exame de Química, da décima classe, foi a pior dor de cabeça.

 Benito Neto Chiziane mostrou-se decepcionado com o exame de Química. “Apesar de me ter preparado bem tive dificuldades  de resolver o exame desta disciplina”. Mas, no cômputo geral, Benito Chiziane diz que “os restantes foram fáceis de resolver e corresponderam às nossas expectativas. Tenho estado a preparar-me bem” referiu.

José Samuel Muthemba diz que vai transitar a décima classe, porque começou há muito tempo a preparar-se. Mesmo assim, considerou o exame de Química difícil pela forma como recebeu as aulas da disciplina durante o ano lectivo. “Penso que isso pode ter-me penalizado”, desabafa.

Muthemba defende que “com poucas brincadeiras, é possível fazer-se maravilhas”.

Por seu turno Dulciana Américo Macia diz que “tive boas notas do final do ano lectivo e que a expectativa é de resolver a minha situação logo nos exames da primeira época”.

Considera que, apesar da disciplina de Química ter sido a “dor de cabeça”, conta com uma nota razoável que lhe possa permitir a transição. “Reconhecemos que tivemos algumas brincadeiras durante a frequência, mas também há que observarmos como as aulas de Química foram dadas ”, desabafou Dulciana Américo Macia.

Ana Michaque Mutola diz que os seus exames correm bem porque teve boas aulas de preparação. “Fiz um programa de preparação exaustiva há dois meses e são visíveis bons resultados”, palavras de Ana Michaque Mutola. A interlocutora aponta que a preparação também consistiu na troca de conhecimentos e experiencia com outros colegas de classes superiores .

AUSÊNCIAS DE ALUNOS E DE FRAUDE

Apesar de no cômputo geral as avaliações decorrerem satisfatoriamente em Gaza, regista-se muita ausência dos alunos nos centros de exame, facto que pode estar relacionado com os atrasos dos estudantes para além da tolerância de dez minutos que se reservam aos estudantes, segundo João Cabral Wamusse, da Direcção Provincial de Educação e Cultura (DPEC) de Gaza.

Os dados indicam que, na décima classe, houve 370 ausências no exame de Português, 395 no de Historia, 173 no de Inglês e 181 no de Química. Por seu turno, a décima segunda classe registou 85 ausências no exame de Português, 51 no exame de Filosofia, 77 no de Inglês e 38 no de Química.

O que inquieta as autoridades do sector em Gaza, é o facto de as avaliações da décima segunda decorrerem a tarde, “não se justificando tanto que os estudantes atrasem” refere João Cabral Wamusse.

A outra ausência que se nota é a da fraude académica por se ter apelado que os professores e estudantes não deviam usar os telefones móveis durante o período de realização dos exames. “Porque isso foi observado, ainda não registamos nenhum caso fraudulento”, esclareceu João Cabral Wamusse.

 Alias, o processo de preparação de exames iniciou há bastante tempo em Gaza com o estudo focalizado para os artigos que penalizam ilícitos nos exames. Isso foi feito envolvendo os 51 técnicos da DPEC que estão a trabalhar por um mês em todos os centros de exame.

 

 

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