Reportagem

Parabéns, querido Presidente

As tuas dores, mais as minhas dores, vão estrangular a opressão/ Os teus olhos, mais os meus olhos, vão falando da revolta/ A tua cicatriz, mais a minha cicatriz, vão lembrando 

o chicote/ As minhas mãos, mais as tuas mãos, vão pegando em armas/A minha força, mais a tua força, vão vencer o imperialismo/O meu sangue,mais o teu sangue, vão regar a Vitória.

Trata-se de versos extraídos do poema “As Minhas Dores”, uma das obras literárias mais notáveis e inspiradoras do Presidente Armando Emílio Guebuza.

Estamos aqui a abordar versos estruturantes, de combate, inspiradas no tempo de emancipação e luta, com lastro e sentido visionários. Neles o combatente se revê e aponta o caminho da liberdade e do futuro risonho para todos nós, moçambicanos.

Podemos começar o nosso texto de celebração do percurso e obra do nosso estadista a partir da mensagem reflectida neste poema, declamado por um dos nossos fotojornalistas, Juma Capela, na homenagem que lhe dedicámos na passada sexta-feira, em Maputo.

Cultor da auto-estima, político astuto e visionário; nacionalista e amante da paz; guerreiro contra a fome e pobreza, Guebuza tem uma convicção inabalável até hoje: O meu sangue, mais o teu sangue, vão regar a Vitória.

 

70 ANOS COMMOÇAMBIQUE NO CORAÇÃO

 

É este o título que escolhemos para a exposição fotográfica que fizemos em homenagem ao Presidente da República pelos seus 70 anos de vida, um assunto que desenvolvemos adiante. Armando Emílio Guebuza nasceu a 20 de Janeiro de 1943, no distrito de Murrupula, na nortenha província de Nampula, onde seu pai, Miguel Guebuza, exercia a função de enfermeiro, e sua mãe, Marta Bocota Guebuza, era doméstica. Em 1948, Miguel Guebuza, seu pai, é transferido para a então Lourenço Marques, nome como era chamada a cidade de Maputo no período colonial. Aos seis anos, inicia os seus estudos no populoso bairro de Xipamanine, precisamente no histórico Centro Associativo dos Negros de Moçambique.

Seria no ensino secundário onde o jovem Guebuza juntar-se-ia a outros jovens nacionalistas moçambicanos filiados no Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM), uma organização cívica fundada por Eduardo Chivambo Mondlane em 1949.

O núcleo tinha como actividades principais: realizar aulas de compensação, promover educação cívica e cultural e, de uma forma discreta, mobilizar a juventude de então para a política.

Após a saída do presidente deste núcleo, que era Joaquim Chissano, para Portugal, onde ia prosseguir os seus estudos, foram sucessivamente eleitos doiscompanheiros para a direcção daquela organização estudantil.

Em 1963, Armando Guebuza acaba sendo eleito presidente do núcleo. A sua escolha correspondeu às expectativas, pois sob a sua direcção passou a ser um centro de atracção e de referência para muitos jovens e adolescentes de então.

 

CORAGEM E DETERMINAÇÃO RECORDADAS NO DIA DE 70 ANOS

 

Em Março de 1964, Guebuza e outros colegas decidem abandonar Moçambique para se juntarem à FRELIMO. Para escapar ao controlo da PIDE, a tenebrosa polícia secreta do regime colonial, tiveram de abandonar o comboio em Mapai para fazer o restante percurso até a fronteira de Chicualacuala a pé, enfrentando o cansaço, a fome e a sede.

Uma vez do outro lado da fronteira rodesiana, ainda exaustos, com fome e sede, caminharam mais trinta quilómetros antes de retomarem o comboio.

Depois de Salisbúria, hoje Harare, o grupo que integrava Armando Guebuza, já na companhia de outros dois moçambicanos, que a eles se juntaram no comboio a caminho de Salisbúria, retomaram a viagem para Zâmbia.

Entretanto, no comboio, são presos pela polícia rodesiana quando se preparavam para abandonar aquele país e encarcerados em Victoria Falls. Armando Guebuza e os seus colegas são entregues à PIDE e durante aproximadamente cinco meses são torturados.

Contudo, por alturas da sua libertação são presos os guerrilheiros da Quarta Região que se preparavam para abrir a Frente Sul. Apesar de estar em liberdade vigiada, Armando Guebuza e os seus camaradas decidem vingar-se da acção da PIDE e reafirmar com actos de coragem que a FRELIMO estava activa.

Com efeito, na noite de 24 para 25 de Dezembro de 1964, espalham panfletos, na região Sul de Moçambique, que continham a fotografia do presidente Eduardo Mondlane. Esta acção forçou a PIDE a divulgar um comunicado com a lista dos guerrilheiros detidos dando detalhes de cada um deles.

Não obstante as intimidações e chantagens da PIDE, retomam o sonho de se juntarem à FRELIMO.

Permanecem alguns meses na Suazilândia, como refugiados.

Mais tarde conseguem atravessar a África do Sul e, na Bechuanalândia, um protectorado britânico, são novamente detidos e ameaçados com a deportação pelas autoridades britânicas.

Graças à intervenção de Eduardo Mondlane, exigindo a sua incondicional libertação, o grupo é entregue ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e conduzido para a Zâmbia.

Dali, Guebuza segue mais tarde para a Tanzânia, conduzido por Mariano Matsinha, então representante da FRELIMO na Zâmbia. Em solo tanzaniano é submetido aos treinos militares em Bagamoyo.

O presidente Guebuza fez parte do grupo de combatentes que abriu o Campo de Preparação Político-Militar de Nachingweia.

Em 1966 é transferido de Nachingweia para Dar-es-Salaam para exercer as funções de secretário particular de Eduardo Mondlane, em substituição de Joaquim Chissano que se preparava para ir à formação na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Desde 1966, Guebuza é membro do Comité Central da FRELIMO.

Em 1968 é nomeado inspector das escolas da FRELIMO e em 1970 é nomeado Comissário Político Nacional.

No Governo de transição, Guebuza ocupa a pasta da Administração Interna. No primeiro governo de Moçambique independente é nomeado Ministro do Interior.

Em 1974, dirige, na qualidade de comissário político, o processo de criação e implantação dos grupos dinamizadores.

Em 1977, o Comissário Político Nacional Armando Guebuza é nomeado Vice-Ministro da Defesa Nacional e em 1978 acumula estes cargos com o de substituto legal do governador de Cabo Delgado.

Em 1981 é designado governador da província de Sofala e, em 1983, é novamente nomeado Ministro do Interior.

Em 1984 é nomeado Ministro na Presidência, responsável pela coordenação das áreas da agricultura, comércio, indústria ligeira e turismo, assim como da cooperação com a China, Coreia do

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