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SEGURANÇA ALIMENTAR: Agricultura debatida em Maputo

Perspectivas da Agricultura Urbana no Sul da África: Diálogos e Cenários em Maputo” foi o tema de um workshop que juntou vários especialistas em matérias de agricultura e nutrição para, em dois dias da semana finda, debruçarem-se sobre o assunto.

Durante as discussões foram identificados os principais factores que afectarão o futuro desenvolvimento da agricultura urbana em Maputo. A agricultura urbana embora ofereça soluções para diversos problemas urbanos e migratórios, ela também é colocada numa posição promissora no futuro dos sistemas alimentares. Ao mesmo tempo, a agricultura urbana possui desafios urgentes como acesso à água, terra e mercados, assim como questões sanitárias (contaminação do solo).

O direito à alimentação adequada e à nutrição tem de ser garantido aos residentes das cidades africanas, onde muitos vivem em assentamentos informais e não conseguem comprar comida. Os alimentos são caros e as oportunidades de emprego escassas. De acordo com um estudo realizado em onze cidades na África Austral pela Rede Urbana de Segurança Alimentar Africana (African Food Security Urban Network – AFSUN) mais de três quartos das populações urbanas com baixos rendimentos sofrem de insegurança alimentar.  

Alguns residentes comem apenas uma refeição por dia e as probabilidades de comerem proteínas são muito baixas, uma vez que o custo da carne, do peixe ou até mesmo dos ovos e do leite é proibitivo. Relativamente à diversidade dietética, o estudo da AFSUN revela ainda que 96 porcento dos alimentos ingeridos pelas populações urbanas que vivem na pobreza na África Austral são à base de amidos. Aqueles que vivem em insegurança alimentar (a maioria) só têm acesso a cinco dos doze grupos de alimentos avaliados, dois dos quais são o açúcar e as bebidas. Esta situação causa obesidade e problemas de saúde, incluindo vulnerabilidade às doenças não transmissíveis (DNTs), como a diabetes.

O evento, realizado no Complexo Pedagógico II, Campus Universitário Principal da UEM, foi organizado pelo projecto de pesquisa UFiSAMO, Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, com o apoio institucional do Conselho Municipal de Maputo, UNAC e ABIODES.

 

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