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Nkumbeza debate-se com falta de serviços básicos

O bairro de Nkumbeza, uma zona em expansão no distrito de Marracuene, que dista a cerca de 20 quilómetro do centro da capital moçambicana, é o ponto relativamente próximo da 

cidade de Maputo, mas privado de infra-estruturas básicas, tais como vias de acesso, posto saúde para cuidados primários. Não existe, inclusive, condições para a realização de partos e as parturientes são obrigadas a percorrer longas distâncias para chegar ao Centro de Saúde nos bairros circunvizinhos como Agostinho Neto e Santa Isabel. A educação e os transportes são os outros “calcanhares de Aquiles”.

A carência é tanta que o bairro não possui, sequer, um terminal de transportes semi-colectivos de passageiro. Os únicos carros que por ali circulam são de moradores, ou pessoas com interesses na zona, algumas carrinhas de caixa aberta, que transportam passageiros nas rotas de Zimpeto-Singathela e /ou em “corta-mato” para locais distantes como Moamba.

De acordo com os moradores, o que influencia a falta de transporte são as vias de acesso que se encontram num estado avançado de degradação, até porque as tais estradas não foram asfaltadas, somente terraplanadas com recurso a areia vermelha, o que no lugar de minimizar a situação só piora, sobretudo nos dias chuvosos, dificultando a transitabilidade.

Os moradores daquele bairro foram unânimes ao afirmar que as autoridades competentes pouco fazem para resolver os problemas que apoquentam a população.

No que diz respeito à educação, a população de Nkumbeza conta com apenas uma Escola Primária, que ostenta o nome do antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, mas a mesma está degradada, sem tecto, sem carteiras. Falta também água potável; só se consegue este líquido recorrendo a  furos abertos nalgumas residências daquela zona.

Quando chove, as crianças não estudam. A única sala que se encontra em melhores condições é a que foi construída através dos fundos colectados pelos moradores, conforme contam.  

 

A voz do povo

   

Cármen Germano, moradora daquela zona há duas décadas, contou à nossa Reportagem que o bairro de Nkumbeza, “devido ao estado avançado de degradação da via principal, que parte da Estrada Nacional Número Um (EN1) até à Moamba, não possui nenhum autocarro público ou privado em circulação. Os únicos autocarros que enfrentavam esses buracos e buracões eram da extinta Teresa Lino e Filhos, Lda, isso no tempo colonial”, recorda.

Por sua vez, Celeste Macuácua, outra residente nativa, mostrou-se agastada com a falta de alguns serviços básicos. “A falta de uma unidade sanitária é um dos factos que nos descontenta. Ter um doente em casa requer arranjar dinheiro para alugar o carro, que o leve ao hospital”.

Entretanto, gradualmente, Nkumbeza vai recebendo novos residentes, o que cria espaço para o surgimento de novas actividades, como por exemplo, o comércio informal. São notáveis pequenas bancas ou barracas à porta dos quintais.

Com efeito, o surgimento desses comerciantes acaba preenchendo uma lacuna no que toca ao fornecimento de produtos alimentares básicos.

 Francisco Melembe, outro morador nativo de Nkumbeza, queixou-se dos frequentes cortes de energia eléctrica, dentre vários constrangimentos.

Domingotentou, sem sucesso, ouvir o secretário do bairro. A informação avançada era de que estava reunido em sessão, com vista a se inteirar dos problemas que aquele bairro enfrenta.

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