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Falhas de rede móvel inquietam residentes da Matola

As falhas na rede móvel da Mcel, Vodacom e Movitel que se registam nos últimos tempos nos bairros de Ndlavela, Kongholote, Zona Verde e Infulene, Município da Matola, província de Maputo, estão a inquietar, não só os residentes, como também gente que trabalha em instituições ali estabelecidas. Conforme apurou o domingono local,naquelas zonas, as falhas são tão gritantes que ninguém consegue comunicar-se normalmente através de telemóvel ou ter acesso à netmóvel.

A situação que inquieta os populares daqueles bairros se faz sentir desde o final do ano passado, 2013. Pior ainda, é que ninguém sabe dizer ao certo o que efectivamente terá acontecido para haver este problema, uma vez que, segundo relatos dos residentes daqueles bairros, até num passado recente as pessoas falavam, trocavam mensagens e emails sem qualquer interferência.

No local, especula-se que tenham sido montados dispositivos junto das cadeias da Machava e de Ndlhavela para bloquear eventuais comunicações ilegais entre reclusos e o exterior.

A ser verdade, o sistema não somente está a condicionar as comunicações nas cadeias como também está a interferir nas ligações daqueles que vivem nas suas proximidades.

Por exemplo, em Ndlavela, onde aparentemente a situação começou a fazer-se sentir, as ligações são instáveis e têm tendência a falhar quase sempre; dizem os residentes que está mesmo impossível fazer ligações a partir das suas residências. Dali, ninguém consegue ter uma conversação serena, sem a rede caia ou aparece o “neste momento não é possível estabelecer a ligação que deseja, por favor, ligue mais tarde

Das poucas vezes que se consegue entrar em linha, nos bairros de Khongolote, Zona Verde, Infulene e Ndlhavela, há sempre um ruído estranho que interfere ou então apenas um dos interlocutores é que tem o som de retorno, isto é consegue ouvir a voz do interlocutor, mas ele não se faz ouvir.

 

Em relação às mensagens, vulgo SMS, estas só chegam aos destinatários um ou dos dias depois ou quando os telefones estão fora daquela zona residencial. Fora isso, as mesmas são redondamente rejeitadas com os habituais e repetidos “tente outra”.

FALAM OS AFECTADOS

A Reportagem do domingo visitou os bairros de Ndlavela, Kongholote e Zona Verde afectados pela situação, onde percebemos que os seus moradores andam revoltados com as operadoras, sobretudo porque não sabem de facto o que está a acontecer, pois não foram avisados da ocorrência de anomalias na rede.

No local, apurámos que, nos últimos tempos, para efectuarem chamadas por telemóvel, alguns residentes daqueles bairros têm de se deslocar para fora dos limites dos seus quintais ou, nalguns casos, usar árvores ou plataformas para ganharem alguma altitude. Não é raro encontrar pessoas caminhando e ensaiando chamadas, naquilo que chamam de “procurar rede”. Outros, fazem as suas chamadas o mais próximos possível das antenas das operadoras.

Esta situação, faz lembrar um fenómeno que se assiste nas zonas mais recônditas de algumas províncias do país onde as pessoas têm sítios específicos só para falarem através do telemóvel e, quando se retiram do local ficam fora do ar. Noutros distritos, os telemóveis ficam pendurados e a comunicação só acontece naqueles lugares.

Gilda Paulo, uma das afectadas, lembrou que as falhas no sistema de comunicação naqueles bairros fizeram-lhe recordar os tempos em que uma informação familiar (ou não) levava semanas para chegar aos destinatários.

“Aqui em casa, sempre que queremos ligar, subimos para cima da cozinha ou da varanda. Sabemos que é perigoso, porque ali podemos cair, visto que mesmo em cima do muro temos de ficar em pé. Não temos outra saída senão essa”, disse Gilda Paulo.

Por sua vez, João Alexandre Couana referiu que nem todos os que sobem os muros conseguem transmitir a sua informação. “Eu uso duas redes e em nenhuma delas consigo falar. Quando ligo, o telefone desliga-se sozinho. Aqui o telefone só serve para escutar música ou jogar game” – lamentou.

PREJUIZOS

O problema de comunicação através de telemóvel está a trazer enormes prejuízos às famílias residentes nos bairros afectados pelo sistema, assim como para alguns sectores de Estado e privado, que se vêem privados de transmitirem mensagens por aquela via.

A directora pedagógica da Escola Primária Completa de Ndlavela, Retilma Gaspar, referiu que este ano já teve três situações que comprometeram a actividade daquele estabelecimento de ensino.

Primeiro, ligaram da Educação na província para comunicar sobre uma reunião de trabalho, mas a informação não chegou ao destinatário. Mandaram mensagens que também não chegaram ao destino. Ela faltou ao encontro onde seriam discutidos assuntos importantes. Em consequência disso, a reunião foi realizada e aquela escola não foi representada.

“Ainda este ano fui procurado para fornecer dados estatísticos da escola. Tentaram toda manhã e tarde não fui encontrada. Mais tarde, a noite, depois de voltar para casa é quando o director da Zona de Influência Pedagógica (ZIP) me liga informando que procuraram por mim todo o dia e eu estava fora da rede”, disse Retilma Gaspar.

Acrescentou que a situação é mais frustrante para os seus colegas que para além de serem professores são também estudantes do ensino superior. Estes quando querem fazer as suas investigações através de Internet não conseguem fazer as conexões.

“É triste porque mesmo aqui dentro da escola é normal ligar para o seu colega que até está também aqui escola e receber a informação “liga mais tarde”,disse.

Por seu turno, Moniz Mabunda conta que está a trabalhar naquele bairro há duas semanas no fabrico de blocos para construção. Diz que nunca conseguiu falar e já perdeu muito dinheiro, porque existiam pessoas que precisavam da sua prestação noutros locais, mas que não conseguem contactá-lo.

Mcel reage. Outras

operadoras ainda em silêncio

domingoprocurou contactar as operadoras de telefonia móvel, nomeadamente, Mcel, Vodacom e Movitel e também o regulador, o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), para falar sobre o assunto. Fonte da Mcel referiu que não tinha conhecimento dos problemas com os seus utentes naqueles bairros, uma vez que nenhuma reclamação havia sido apresentada à operadora. Desconhecia igualmente a existência ou não de bloqueadores de comunicação em recintos reclusórios. Os sectores de Comunicação e Imagem da Movitel e da Vodacom, por seu lado, referiram terem encaminhado a nossa pretensão às respectivas administrações para falarem sobre o caso. Por isso, aguardamos o seu pronunciamento, como também o do INCM.

Abibo Selemane

habsulei@gmail.com

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