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Caudal do Muira está baixar

O caudal do rio Muira, curso que havia isolado o distrito de Tambara, a norte da província de Manica, está a baixar gradualmente. Até última quinta-feira, a água alcançava 45 centímetros na

 escala hidrométrica, contra 1,5 metros registados anteriormente.

Segundo o secretário permanente provincial de Manica, António Mapure, a vida das populações está a voltar à normalidade apesar de presentemente o trânsito para as duas margens do rio estar a ser feito com algumas dificuldades.

Mapure referiu que não obstante a redução das águas do rio Muira, não estão ainda criadas condições para passagem de viaturas. As pessoas atravessam o rio e encontram viaturas posicionadas nas duas margens, uma medida adoptada pelo governo provincial com o objectivo de minimizar o sofrimento das populações. A mesma fonte assegurou que enquanto as chuvas não caírem naquela parcela do país, a situação em toda província pode ser descrita como calma.

 

ANE REABILITA TROÇOS DESTRUÍDOS

As cinco vias de acesso que se encontravam interrompidas em Manica já estão transitáveis mercê de esforços levados a cabo por técnicos da Administração Nacional de Estradas, (ANE).  

A título de exemplo, foi restabelecida a comunicação terrestre entre os distritos de Mossurize a Machaze, que havia sido interrompida na sequência do aumento do caudal do rio Mossurize.

Enquanto isso, no distrito de Guro decorrem trabalhos de reposição do betão da ponte que havia desabado, impedindo a comunicação rodoviária com os povoados de Mandie e Tanda, zonas potencialmente agrícolas. Os troços Nhacatale-Mandie, Mungari / Tambara e Tanda/Bunga,  que viram as pontes desabar, já estão transitáveis.

 

A PALAVRA DE ORDEM

 É RECONSTRUIR

Com apoio do governo provincial, as comunidades estão empenhadas na melhoria das condições de vida, reerguendo habitações em moldes mais consistentes para evitar que voltem a desabar nas próximas enxurradas.

Dezenas de metros de plásticos, estacas, bambus, acompanhados de kits de reconstrução, tendas e produtos alimentares foram entregues às famílias mais afectadas pelas intempéries. De notar que na cidade de Chimoio cerca de 1.460 casas de construção precária foram destruídas parcialmente, 510 totalmente e 14 casas de cultos desabaram.

O distrito de Tambara é um dos que foram severamente fustigados pelas chuvas e
devido a sua localização geográfica – é banhado pelo rio Zambeze a norte e o pelo Muira a sul. As descargas feitas na barragem da Cahora Bassa têm contribuído de certa forma para o aumento do caudal do Zambeze que consigo arrasta culturas agrícolas e infra-estruturas erguidas nas margens.

Neste contexto, milhares de culturas foram arrasadas pelas águas. Esta situação também se registou ao longo do rio Muira e Luenha no distrito de Guro. A perda de culturas aconteceu igualmente nos distritos de Machaze e Macossa.

Nos quatro distritos, as chuvas destruíram 2.200 hectares de culturas, afectando 1600 famílias camponesas que tinham como agricultura base para sobrevivência. Para inverter este quadro, as estruturas governamentais em Manica estão a desencadear campanhas de distribuição de sementes beneficiando pessoas que perderam as suas culturas devidos às chuvas.

 

O secretário permanente de Manica disse  que o governo disponibilizou cerca de 30 toneladas de sementes diversas que serão distribuídas às populações para a nova sementeira a realizar-se nas zonas altas e seguras. Prioridade vai para distribuição da semente de milho, feijão-nhemba, hortícolas, dentre outras de rápida produção.

As feiras agrícolas destacam-se como alternativa viável para fazer face ao problema de falta de semente. Na presente campanha agrícola estão programadas pelo menos dez em todos distritos da província. António Mapure referiu que a presente campanha agrícola não foi comprometida pelas enxurradas que assolaram a província e o país.

Sublinhou que a meta estabelecida para a presente campanha (produção de 2.2 milhões de toneladas de culturas diversas) será atingida. Para efeito foram planificados 937.912.11 hectares. Deste número, 795,644.83 foram cultivados na primeira época e 142.277.28 serão na segunda.

Recorde-se que, na província de Manica, chuvas, acompanhadas de ventos fizeram sete vítimas mortais e destruíram várias infra-estruturas. As mortes ocorreram, para além da cidade de Chimoio, nos distritos de Tambara, Manica e Guro.

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