Internacional

Tanzania apoia desarmamento dos rebeldes na RD Congo

• O país é o sexto contribuinte em efectivos militares e policiais para os capacetes azuis em África e o décimo segundo ao nível mundial.

O governo tanzaniano reiterou a sua posição e o seu papel na evolução da situação de segurança na República Democrática do Congo, salientando que apoia plenamente  os esforços internacionais para garantir a paz e estabilidade naquele país.

O presidente Jakaya Kikwete disse num encontro com chefes das missões diplomáticas e organizações internacionais que a Tanzania se compromete de forma incondicional na luta contra os rebeldes na RDC.

Uma Brigada de Intervenção da SADC integrada na Missão de Estabilização das Nações Unidas na RDC, MONUSCO, comandada pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, está autorizada a realizar operações militares com o objectivo de conter e neutralizar os diferentes grupos armados, entre os quais o M-23.

Sediados em Goma, os cerca de 3 mil soldados provenientes da Tanzania, África do Sul e Malawi estão dispostos em três batalhões de infantaria, um de artilharia e uma companha de forças especiais.

“Continuaremos solidários com esforços visando garantir a paz na parte leste da República Democrática do Congo e livre de grupos armados que ameaçam a segurança do povo do Congo e dos países vizinhos”- observou Kikwete.

Ele disse que na cena continental e global, a Tanzania continuará a ser membro fiel da União Africana e das Nações Unidas, revelando que o país contribuiu com mais de três mil soldados para a missão de manutenção de paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo, em Darfur no Sudão e no Líbano.

Cerca de quatrocentos refugiados entram mensalmente na Tanzania e em outros países da África Central e Oriental devido a violência na República Democrática do Congo.

MODERNIZAÇÃO

DO EXÈRCITO

A Tanzania investe fortemente na modernização das suas forças armadas e na criação de condições para os seus membros desde que o regime de Idi Amin Dada atacou o país do falecido Julius Nyerere em 1978 e anexou uma parte da região tanzaniana de Kagera.

Em Janeiro de 1979, o então presidente tanzaniano mobilizou o exército do seu país e contra-atacou com apoio de grupos de dissidentes ugandeses como a Frente de Libertação Nacional do Uganda.

As forças de Amin recuaram frente a contra-ofensiva tanzaniana e Idi Amin foi obrigado a fugir do país em 11 de Abril de 1979 após a queda da capital, Kampala, deixando o Uganda com as suas quatro mulheres e os seus mais de cinquenta filhos.

Os ugandeses comemoraram nas ruas e carros do exército anunciavam com alti-falantes frases como estas: ”volta a sanidade”, “o ditador fascista está liquidado” e “Viva Nyerere”.

Actualmente, a Tanzania  está a construir 10 mil casas para os oficiais militares em todo o país com o custo de 300 milhões de dólares.

Durante a guerra dos 16 anos em Moçambique, a Tanzania enviou tropas para ajudar o governo moçambicano para acabar com o conflito armado.

Jakaya Kikwete anunciou que a Tanzania é o sexto contribuinte de efectivos militares e policiais para os capacetes azuis na África e o décimo segundo ao nível mundial.

“ Ao fazermos esta nobre contribuição estamos a avançar no nosso objectivo de política externa e de defesa dos ideais da Organização das Nações Unidas promovendo esforços em prol da paz sobre que for solicitado a fazê-lo”- precisou o estadista tanzaniano.

A situação no leste da República Democrática do Congo está ligada principalmente ao fim do prazo dado às Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda, que até a data não honraram o compromisso de desarmamento voluntário e de acantonamento de forma a garantir a execução do acordo quadro para o leste da região.

O prazo para o seu desarmamento voluntário estabelecido pela ONU terminou a 2 de Janeiro. Eles arriscam-se agora a enfrentar uma força militar internacional, que tem já o apoio total dos Estados Unidos da América.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu no passado dia 8 de Janeiro as autoridades da República Democrática do Congo a aprovar rapidamente o início das operações conjuntas entre os militares congoleses e da força da paz da ONU para neutralizar as Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda, FDLR.

Com o prazo para a rendição incondicional terminado e sem combatentes se rendendo voluntariamente desde Junho do ano passado, o Conselho de Segurança pediu ao presidente Kabila para que aprove e implemente o plano conjunto.

Estima-se em dois mil combatentes por desarmar, o equivalente a 85 por cento dos efectivos das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda.

CIMEIRA

NA BERLINDA

Num outro desenvolvimento, prevê-se a realização de uma cimeira sobre a questão congolesa, com os países da Conferencia Internacional dos Grandes Lagos, da África Austral, a União Africana e a ONU.

Fazem parte da Conferência Internacional dos Grandes Lagos, Angola, Burundi, República Centro-Africana, Congo, República Democrática do Congo, Quénia, Uganda, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul e Tanzania.

Apesar da presença de um contingente militar da ONU, a República Democrática do Congo em particular, e a região dos Grandes Lagos no seu todo, vive uma situação de instabilidade há mais de uma década, motivada pela proliferação de movimentos rebeldes e por uma alegada interferência nos assuntos internos dos seus vizinhos.

0s ciclos de conflitos e de violência entre forças governamentais e grupos armados já provocaram milhares de mortes e milhões de deslocados.

 Debruçando-se sobre o Sudão do Sul, Kikwete expressou o seu optimismo sobre o dialogo em curso em Arusha, envolvendo o Movimento Popular de Libertação, numa tentativa para juntar as facções em conflito.

 “A primeira ronda de dialogo correu muito bem e na sua conclusão as três facções assinaram um documento-base e as partes estão agora de volta para abordar as causas profundas do conflito dentro do Partido e definir o caminho a seguir”- disse o estadista tanzaniano.

Ele disse que era de opinião de que se as equipas negociais manterem o espírito demonstrado na primeira ronda, o processo será coroado de êxito.

“Instamos a comunidade internacional e todas as outras pessoas de boa-vontade a não poupar esforços em ajudar as equipas envolvidas em negociações em Arusha para alcançar uma solução amigável”- apelou Kikwete.

Referiu mais adiante que vamos ajudá-los a reunificar o seu partido e acabar com o conflito armado que causou sofrimento e morte de pessoas inocentes nesta mais jovem nação do mundo.

Para o estadista tanzaniano, o ano de 2015 será dos mais excitantes, especialmente na frente politica com a realização do referendo constitucional e das eleições gerais

No que diz respeito a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, o presidente Jakaya Kikwete disse que 2015 é o ano que termina a implementação dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e as negociações sobre a Agenda de Desenvolvimento Pós 2015 será concluída.

Para a efectiva aplicação da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 a Tanzania defende um mecanismo claro para garantir fontes estáveis, previsíveis e confiáveis de financiamento para a sua implementação.

Por Alfred Miringa, em Dar-Es-Salam

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