Internacional

Sondagens deixam Obama próximo da vitória

A VANTAGEM nas sondagens dos estados mais disputados para a eleição norte-americana, como Ohio e Colorado, deixavam ontem Barack Obama perto da vitória das eleições de  

amanhã nos Estados Unidos e obrigavam os republicanos a uma maior investida no final da sua campanha em território tradicionalmente democrata. 

Na recta final da campanha, e com Obama e o seu adversário Mitt Romney concentrados nos estados conhecidos como “campo de batalha”, o presidente liderava ontem as sondagens em cinco destes oito Estados – Nevada, Colorado, Iowa, Wisconsin e Ohio.

Estes dois últimos são importantes para a vitória amanhã, uma vez que representam 28 votos eleitorais (10 no Wisconsin e 18 no Ohio), quando cada candidato precisa de uma maioria de 270 dos 538 votos do Colégio Eleitoral que elege formalmente o Presidente.

Também segundo uma média das principais sondagens elaborada pelo sítio Real Clear Politics, que dá um empate técnico a nível nacional entre os dois candidatos, Romney estava à frente na Florida (29 votos), Carolina do Norte (15 votos) e Virgínia (13 votos).

Dando uma vitória estadual a totalidade dos votos de cada Estado, Romney obteria mais votos (57) do que Obama (53) nestes oito “campos de batalha”, a confirmarem-se as tendências. Contudo, Obama conquistaria a Presidência, uma vez que tem assegurados 237 votos de estados solidamente democratas e Romney 191 dos solidamente republicanos, bastando-lhe 33 votos para conseguir chegar ao “número mágico” de 270.

A diferença na média de sondagens é inferior a 1 por cento, em estados como o New Hampshire, Colorado e Virgínia, representando todos eles 22 votos.

“Ambos os lados estão nervosos, mas os republicanos estão mais nervosos. Não acham particularmente encorajador que Romney estivesse quinta-feira na Florida e na Virgínia, dois estados que gostariam de ter `arrumado´ nesta altura”, escreveu o jornalista Mike Allen sexta-feira na sua “mailing list” política Playbook.

Para o comentador político Joe Scarborough, da NBC, a liderança confortável de Obama no Ohio é crucial, obrigando Romney a conquistar pelo menos seis outros estados para chegar à vitória, e levando-o a batalhar pelo o Midwest democrata, onde a vantagem de Obama tem vindo a encurtar-se.

“Boston (sede de campanha de Romney) deve saber agora que ganhar a Casa Branca depende de o seu candidato ‘roubar´ o Michigan, Minnesota ou Pensilvânia. O investimento deles naqueles três estados do Midwest parece dever-se mais à fraqueza do que à força”, escreveu no seu blogue no sítio Político.

No Michigan, por exemplo, Romney encurtou nas últimas semanas a vantagem de Obama para cerca de 3 pontos, com 3,8 por cento dos eleitores a declararem-se ainda indecisos, segundo uma sondagem Detroit News/WDIV Local 4.

Os “Super PAC”, grupos de que trabalham de forma independente das campanhas, que estão a apoiar Romney, compraram na semana passada espaço publicitário em massa nas televisões do Michigan, Minnesota e Pensilvânia, segundo noticiou o diário Washington Post.

Ontem, Mitt Romney esteve em campanha na Pensilvânia, Estado solidamente democrata nas eleições dos últimos 20 anos, e o seu candidato a vice-presidente, Paul Ryan, no Minnesota.

Na semana passada, a luta pelo Colégio Eleitoral, que elege o Presidente, tornou oito estados cruciais, incluindo Ohio e Florida, onde democratas e republicanos investiram montantes recorde em campanha.

Neste sistema de eleição presidencial indirecto, que se baseia na teoria de que Presidente e vice-presidente são executivos escolhidos por uma federação de estados independentes, cada um dos 50 estados e o distrito de Columbia (Washington) tem um determinado número de “eleitores”, num total de 538, que participarão no Colégio Eleitoral.

O candidato mais votado fica com todos os eleitores de cada estado, que vão de apenas três nos menos populosos, como o Montana, Dakota do Norte ou Wyoming (noroeste), aos 55 da Califórnia (litoral oeste), 38 do Texas (centro sul) e 29 de Nova Iorque (nordeste) e da Florida (sudeste).

As excepções são o Maine e o Nebraska, em que os eleitores são repartidos consoante o voto popular.

Este “Colégio” nunca se reúne como um corpo único, uma vez que é nas suas capitais estaduais que os eleitores formalizam a atribuição dos seus votos para Presidente e vice-presidente, na “segunda-feira depois da segunda quarta-feira de Dezembro”, segundo a Constituição.

Para alcançar uma maioria de 270 votos eleitorais, as campanhas contam com estados seguramente democratas a cada quatro anos, como a Califórnia ou Nova Iorque, e outros seguramente republicanos, caso do Texas ou a Carolina do Sul, onde tradicionalmente colocam poucos recursos.

Mas em cada eleição, há um grupo de estados, conhecidos como “battleground” (“campo de Batalha”) em que o equilíbrio de forças é grande, e a luta pelos votos para o Colégio Eleitoral é disputada condado a condado, bairro a bairro e por vezes casa a casa.

Na eleição que opõe Barack Obama e o republicano Mitt Romney, este grupo de estados é constituído pela Florida (29 votos), Virgínia (13 votos), Carolina do Norte (15 votos), Wisconsin (10 votos), Ohio (18 votos), Iowa (6 votos), Colorado (9 votos) e Nevada (6 votos).

Nestes oito estados, as últimas sondagens davam diferenças por vezes de um ponto percentual nas sondagens, que podem significar amanhã a conquista da totalidade dos eleitores em disputa.

No sábado, a tentarem compensar a interrupção da campanha na primeira metade da semana passada devido ao furacão Sandy, as duas campanhas estavam totalmente focadas num périplo intenso por estes “campos de batalha” – o Presidente Barack Obama tocou em quatro deles (Iowa, Ohio, Virgínia e Wisconsin), enquanto o vice-presidente Joe Biden se concentrou no Colorado.

Quanto aos republicanos, Mitt Romney esteve no Iowa e Colorado e o seu candidato a “vice”, Paul Ryan, na Pensilvânia e Florida.

As campanhas têm vindo a deslocar valores recordes para máquinas eleitorais nestes estados, bem como para anúncios de televisão, “call centers” e equipas que batem o terreno batendo de porta à porta para cativar eleitores indecisos ou simplesmente motivar os decididos a comparecer nas urnas.

No sistema eleitoral norte-americano é possível um candidato ganhar a votação a nível nacional e perdê-la no conjunto do colégio eleitoral, como aconteceu em 2000, quando George W. Bush venceu o democrata Al Gore.

A eleição de amanhã é a mais cara da história dos Estados Unidos, de longe, com ambos os candidatos a gastarem perto de dois mil milhões de dólares, segundo dados das campanhas, citados pelo ‘New York Times’.

Obama e o partido democrata contam com perto de 1,06 mil milhões de dólares, enquanto Mitt Romney e os republicanos recolheram 954 milhões de dólares para a sua campanha.

A estes totais somam-se ainda os montantes aplicados pelos “Super PAC”, grupos de que trabalham de forma independente das campanhas e já movimentam tanto dinheiro que a “conta” da campanha pode chegar aos 6 mil milhões de dólares, segundo o “think tank” Center for Responsive Politics. 

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