O presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu alterar, na semana passada, a designação de “Departamento de Defesa” para “Departamento de Guerra” para o Ministério da Defesa do país. Trump explicou a sua decisão recorrendo a um argumento histórico, segundo o qual os EUA obtiveram as suas maiores conquistas militares quando a instituição se designava, de 1789 a 1949, “Departamento de Guerra”, pois vencerem as duas guerras mundiais. No entanto, refere o presidente, após a renomeação do “Departamento de Guerra” para “Departamento de Defesa”, as vitórias transformaram-se em conflitos mais prolongados que resultaram, muitas vezes, numa “espécie de empate”. Mais do que uma simples alteração semântica, esta decisão carrega consigo um forte simbolismo ideológico e estratégico. À luz das teorias de Relações Internacionais, particularmente dentro do paradigma realista, esta mudança pode ser interpretada como um reflexo da ascendência do realismo ofensivo de John Mearsheimer sobre o realismo defensivo de Kenneth Waltz.
O realismo, enquanto escola de pensamento nas Relações Internacionais, parte da premissa de que o sistema internacional é anárquico, ou seja, não existe uma autoridade central acima dos Estados. Este paradigma assume que os Estados são os principais actores do sistema e que agem de forma racional, tendo como objectivo primário a sua sobrevivência e segurança. No entanto, dentro do realismo existem diversas vertentes, com destaque para o realismo defensivo de Kenneth Waltz e o Leia mais…

