A imprensa internacional esteve, semana passada, inundada de informações dando conta de que os EUA deram o prazo de até Junho para a Rússia e a Ucrânia terminarem a guerra. De acordo com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, os EUA propuseram, pela primeira vez, que as duas equipas de negociação – da Ucrânia e da Rússia – se reunissem, em breve, nos EUA.
O novo prazo surge após uma ronda negocial, mediada pelos EUA, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Estas negociações não produziram avanços, pois as duas partes continuam a negociar posições e não interesses. A Rússia acredita que o tempo ainda joga a seu favor (tem capacidade de mobilização, a sua economia parece ter se adaptado às sanções, o Ocidente tem estado a sentir um desgaste político).
A Ucrânia sabe que aceitar um acordo desfavorável agora pode ser existencialmente perigoso para o Estado ucraniano e para o próprio Zelensky. Com o novo prazo para o alcance de um acordo negociado parece legítimo perguntar: será desta que a guerra na Ucrânia vai terminar? A guerra na Ucrânia está a revelar-se menos um problema de ausência de negociação e mais um reflexo de interesses estratégicos profundamente incompatíveis.
O prazo estipulado pelos EUA constitui um instrumento político relevante, mas parece ser insuficiente para produzir, por si só, uma transformação estrutural do conflito. É importante lembrar que, durante a sua campanha para regressar à Casa Branca, Trump vangloriava-se que acabaria com a guerra em 24 horas, e até chegou a dizer isso quando tomou posse.
No entanto, mais de 12 meses depois, qualquer acordo de paz permanece pouco provável e até há vozes que consideram que o presidente norte-americano tem estado a ser manipulado pelo presidente russo, Vladimir Putin. Na verdade, enquanto não houver alterações significativas no equilíbrio estratégico, na percepção de custos ou na arquitetura de segurança regional, o fim da guerra dentro do prazo estipulado é pouco provável. Enquanto as partes primárias do conflito se ateiam em posições, e não interesses, nas negociações, a aparente parte terciária está mais preocupada com ganhos políticos. Leia mais…

