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Doutrina Monroe volta à ribalta nos EUA e Europa perde relevância global

Por Edson Muirazeque

Os EUA publicaram, recentemente, a sua nova Estratégia de Segurança Nacional (NSS, sua sigla em inglês). Diferentemente daquela que tinha sido enunciada durante a presidência de Joe Biden, em 2022, a nova estratégia não está “obcecada” com a China como o maior desafio dos EUA. Pelo contrário, a nova estratégia virou o cano para o não intervencionismo, uma postura que revela o desdém de Donald Trump ao multilateralismo e às organizações internacionais. Na verdade, dois aspectos chamam atenção na nova estratégia de segurança nacional: por um lado, a estratégia reedita a doutrina Monroe e, por outro, ela relega a Europa para um papel secundário no concerto das nações.

A Estratégia de Segurança Nacional constitui, desde 1986, o principal documento orientador da política externa e de defesa dos EUA, fixando prioridades, percepções de ameaça e directrizes para a actuação internacional do país. A publicação da NSS de 2025, sob a administração de Donald Trump, introduz uma mudança significativa em relação à NSS de 2022, elaborada no contexto do governo Joe Biden. Embora ambas respondam a transformações estruturais do sistema internacional, os seus pressupostos estratégicos, prioridades geográficas e fundamentos normativos diferem de maneira substantiva. Neste artigo o destaque vai para os dois aspectos mencionados no parágrafo anterior.

A NSS de 2022, elaborada durante a segunda metade do governo Biden, parte do diagnóstico de que o sistema internacional atravessa uma competição de natureza sistémica entre modelos políticos antagónicos: de um lado, democracias liberais; do outro, potências autoritárias revisionistas. Nesse contexto, a China era definida como o “mais consequente desafio geopolítico” à ordem internacional liberal, não apenas pela sua crescente capacidade económica, tecnológica e militar, mas também pela intenção declarada de reconfigurar normas e instituições globais. A Rússia, por sua vez, era apresentada como uma ameaça imediata, sobretudo em decorrência da invasão da Ucrânia, embora seu impacto de longo prazo fosse considerado inferior ao da China. Assim, a NSS de 2022 estruturava-se em torno de uma lógica globalista e multilateralista, enfatizando alianças, cooperação internacional e o fortalecimento de instituições multilaterais como instrumentos essenciais para garantir estabilidade e contenção de rivais estratégicos. Leia mais…

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