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DE SÍMBOLO DE RENOVAÇÃO A “MAIS DO MESMO”: O déjà vu na trajectória de Andry Rajoelina

Por Edson Muirazeque

O presidente de Madagáscar, Andry Rajoelina, parece hoje repetir os mesmos “pecados” políticos que há mais de uma década condenava em Marc Ravalomanana, o adversário que ajudou a derrubar. Numa espécie de déjà vu, as ruas da capital do país, Antananarivo, voltam a encher-se de manifestantes, muitos deles jovens, a exigir a renúncia de Rajoelina e a acusá-lo de ter traído as promessas de mudança que, outrora, galvanizaram o país. Se, no passado, Rajoelina foi celebrado como o rosto jovem da renovação política, hoje enfrenta o típico desgaste de líderes que chegam ao poder com um discurso de ruptura, mas que acabam por reproduzir, ou até aprofundar, as mesmas práticas que criticavam. Os dados sobre a trajectória de Rajoelina, que hoje está a ser questionado e rejeitado, ilustram como a esperança popular, especialmente dos jovens, pode se transformar em frustração e mobilização contrária, quando a liderança se distancia das promessas feitas e do espírito democrático que a legitimou. Pelo que se pode depreender dos últimos acontecimentos no Madagáscar, Rajoelina caminha para ser categorizado como de “símbolo de renovação” a “mais do mesmo”.

Rajoelina apareceu no cenário político malgaxe como um outsider: jovem, dinâmico, empresário bem-sucedido e ex-DJ, que encarnava uma alternativa fresca à política tradicional malgaxe. Ele construiu a sua popularidade enquanto presidente do município de Antananarivo, posicionando- -se como uma alternativa moderna e ousada ao poder estabelecido. Terá sido essa imagem de outsider que lhe conferiu credibilidade junto de amplos sectores da sociedade, sobretudo entre os jovens urbanos, cansados da corrupção, do clientelismo e da ineficiência que caracterizavam os governos anteriores. Em 2009, no auge das tensões políticas, Rajoelina liderou, aos 34 anos de idade, protestos massivos contra o então presidente Marc Ravalomanana, acusando-o de autoritarismo, má gestão e uso indevido dos recursos do Estado. Com o apoio das ruas — e crucialmente, com o respaldo dos militares — Rajoelina assumiu o poder de forma…Leia mais…

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