Está confirmado, o Madagáscar voltou a viver um déjà vu! As manifestações populares, que iniciaram em Setembro, culminaram com a queda do presidente Andry Rajoelina, que escapuliu-se do país e afirma estar num local seguro. Efectivamente, Rajoelina já não é presidente do Madagáscar e, no seu lugar, tomou posse Michael Randrianirina. Ironicamente, a queda de Rajoelina ocorreu nos mesmos moldes como ele próprio ascendeu ao poder. Por um lado, foram os jovens que iniciaram os protestos anti-governamentais que precipitaram a queda do então presidente e a ascensão de Rajoelina. Por outro lado, terão sido os militares, na verdade a mesma unidade, que selaram a sua tomada do poder.
Os acontecimentos da semana passada ocorreram da mesma forma, somente com a pequena diferença de que, em 2009, os militares entregaram o poder a um civil, Andry Rajoelina, mas desta vez foi o líder da unidade militar, Michael Randrianirina, que assumiu o poder com a promessa de devolvê-lo aos civis num prazo de 24 meses. Neste texto fazemos um paralelismo dos dois acontecimentos para explicar o déjà vu da política Malgaxe.
Nos dois casos de mudança, diga-se inconstitucional, de governo, o epicentro da crise política foi o desencadeamento de manifestações populares, maioritariamente lideradas por jovens insatisfeitos com a situação do país. Em 2009, os protestos foram uma resposta à percepção de má gestão e autoritarismo do governo de Marc Ravalomanana. Desta vez, em 2025, a insatisfação voltou a se manifestar nas ruas contra o governo de Andry Rajoelina, sinalizando uma continuidade nas tensões sociais…Leia mais…

