Internacional

Chissano encoraja criação de áreas de conservação transfronteiriça

Malawi e Zâmbia assinaram recentemente o Tratado da Área de Conservação  Transfronteiriça   naquilo que é descrito como um grande passo para o desenvolvimento da África Austral. O tratado foi assinado em Blantyre pelos presidentes do Malawi e da Zâmbia, respectivamente Peter Mutharika e Edgar Lungu.

Os dois dirigentes saudaram a assinatura do tratado como um exemplo concreto das relações existentes entre  os dois países bem como o enfoque na conservação, desenvolvimento económico, integração  cultural e de desenvolvimento comunitário.

O antigo estadista moçambicano Joaquim Chissano testemunhou a assinatura do acordo na qualidade de vice-presidente do Fundação dos Parques de Paz, tendo saudado o Malawi e Zâmbia pelo espírito de cooperação e desenvolvimento regional, como chave para estabilidade e crescimento da África.

Um memorando de entendimento para o lançamento da Área de Conservação Transfronteiriça entre Malawi e Zâmbia foi assinado em Agosto de 2004. Desde essa altura foi estabelecida uma força conjunta para patrulhar a fronteira comum visando combater a caça furtiva, e o sucesso desta colaboração resultou no aumento das espécies faunisticas.

Em 2011, o Banco Mundial aprovou um fundo para a facilitação do ambiente global no valor de quatro milhões e oitocentos e vinte mil doláres para a co-gestão da biodiversidade ao longo da Área de Conservação  Transfronteiriça entre Malawi e a Zâmbia.

Adicionalmente, foram desembolsados cerca de onze milhões de dólares pela Noruega, para a Zâmbia, Malawi e para a Fundação Parques em Paz abrangendo os próximos  cinco anos.

Por seu turno, a Alemanha prometeu vinte e quatro milhões de dólares a SADC, para o desenvolvimento de infraestruturas na Área de Conservação Transfronteiriça entre  Malawi e Zâmbia.

Essa Área de Conservação Transfronteiriça tem uma extensão de 31.792 quilómetros quadrados tendo como centro a colina de Nyika onde predominam elefantes, búfalos, rinocerontes, leopardos e leões.

CHISSANO ELOGIA ACORDO

O antigo presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, disse que a assinatura do tratado não poderia ter acontecido na melhor altura do que nas celebrações dos 51 anos da independência do Malawi. Este país assinalou no passado dia 6 de Julho, o dia da sua independência nacional.

“Nós sabemos que a SADC foi criada para a complementaridade de esforços visando acelerar o desenvolvimento sócio-econõmico com vista à conquista da independência económica. A assinatura deste acordo ente Malawi e a Zâmbia é testemunho das boas relações existentes entre os dois países”, disse Chissano

Descreveu o tratado como um passo importante e exemplar rumo à implementação da agenda africana 2063. “É também um exemplo de como a África pode usar os seus recursos de forma sustentável para nós próprios e para as gerações vindouras”, vincou Chissano.

“Faço esta declaração neste evento histórico não só em nome da Fundação dos Parques da Paz que aqui represento, mas também em nome dos parceiros de cooperação internacional que disponibilizam apoio técnico e financeiro para o estabelecimento dos parques de paz na SADC, e no caso particular entre Malawi e Zâmbia”, frisou o antigo estadista moçambicano.

Acrescentou que a questão financeira tem sido um dos grandes constrangimentos para a realização dos objectivos tendentes à conservação dos nossos recursos, explicando que isto deve-se ao facto de os nossos governos na região priorizar a canalização dos poucos recursos disponíveis para a melhoria das condições de vida das comunidades.

Deste modo, os parceiros de cooperação são uma janela de oportunidade para apoiar os nossos governos em vários sectores, incluindo a gestão dos recursos naturais.

O antigo estadista moçambicano detalhou o apoio dos parceiros de cooperação internacional afirmando que eles marcaram diferença no estabelecimento da Área de Conservação Trans-fronteiriça entre Malawi e  Zâmbia.

“Durante o meu mandato como Chefe de Estado estive envolvido no estabelecimento do Parque Trans-fronteiriço do Grande Limpopo compreendendo  Moçambique, África do Sul e Zimbabwe bem como a Área Trans-fronteiriça do Libombo entre Moçambique, África do Sul e Swazilandia”, recordou o estadista moçambicano.

Chissano anunciou que África perde anualmente trinta mil elefantes e mil e 200 rinocerontes devido aos sindicatos de crime organizado para a caça furtiva. 

Avelino Mucavele,em Blintyre, Malawi

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