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Nyusi disse presente!

Mais de vinte Chefes de Estado, incluindo o Presidente moçambicano Filipe Jacinto Nyusi, participaram na cerimónia de investidura de Muhammadu Buhari, o novo presidente da República Federal da Nigéria, 73 anos, que decorreu no Eagle Square – Praça da Águia – no centro da cidade de Abuja, na passada sexta-feira.

Moçambique, visto com bastante interesse e respeito pelos chamados países colossos do nosso continente, sendo o primeiro a Nigéria, mereceu um convite para se fazer representar ao mais alto nível, o que por si só demonstra o peso específico que o nosso país vem tendo sobretudo desde que se descobriram grandes reservas de gás natural e carvão.

Agora, atente-se aos números do país mais populoso do nosso continente com cerca de 170 milhões de habitantes. Em 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) da Nigéria foi o maior da África, com mais de 500 biliões de dólares, tendo inclusive ultrapassado a economia da África do Sul, outro gigante africano, por sinal nosso vizinho, e chegado à posição 26ª, como maior economia do mundo.

Aliás, estimativas recentes indicam que a Nigéria tornar-se-á numa das 20 maiores economias do mundo por volta de 2050 e é considerando já um mercado emergente pelo Bando Mundial.

TOMADA DE POSSE

Como é apanágio nestas ocasiões, Abuja engalanou-se para a cerimónia e as autoridades policiais e militares apertaram na segurança. Numerosos jornalistas cobriram o evento a partir dos quartos dos respectivos hotéis explorando as imagens disponibilizadas pela Televisão Nacional de Abuja (NTA), pela TV Abuja Live, entre outros, porque o local escolhido para o evento tem capacidade para quatro mil a cinco mil pessoas, o que forçou a limitação de acreditações quer para jornalistas, delegados, segurança e protocolo.

O centro da Praça da Águia esteve reservado aos vários ramos das Forças Armadas e Segurança da Nigéria que prestaram honras militares ao seu novo comandante-em-chefe.

Presume-se que a escolha do Eagle Square, e não um estádio de futebol cabaz de albergar muito mais gente, tenha sido condicionado pelas actividades banditescas do movimento terrorista Boko Haram e o governo não quis arriscar.

DIA DA DEMOCRACIA

Foi este o slogan escolhido para cunhar o dia da investidura de Buhari que chegou à Praça da Águia quando eram precisamente dez horas num carrão preto, do estilo Toyota Land Cruiser, enquanto um batalhão de repórter fotográficos se acotovelava e se empurrava à busca do melhor ângulo para captar a face do novo homem forte do país.

Já Goodluck Jonathan entrou no recinto, pela última vez como Chefe de Estado, num mercedez preto, passavam quinze minutos das dez horas, sorridente e aparentemente bem-disposto.

Muhammadu Buhari foi investido às 10.50 horas locais e jurou total respeito e obediência à Constituição do país, bem como defender a paz, unidade nacional e criar um ambiente propício para o contínuo desenvolvimento da Nigéria, que é o oitavo maior produtor mundial de petróleo.

Em sinal de seu comprometimento com a paz, Buhari soltou uma dezena de pombos e, de seguida, deu a tradicional volta de honra num descapotável preto.

BOKO HARAM

Como se esperava, Mahammadu Buhari prometeu uma luta sem tréguas contra este grupo terrorista até à vitória final em coordenação com os governos do  Chade e Camarões.

O novo presidente é temido e respeitado pela sua disciplina militar e goza da auréola de anti-corruptível. Aliás, mais de 75 por cento do seu discurso girou em torno deste movimento terrorista que tem cativo mais de 300 mulheres há 409 dias.

Buhari prometeu ainda mais infra-estruturas e criação de postos de trabalho nos vários sectores de produção incluindo a agricultura. Ele elegeu também a luta contra a corrupção, uma espécie de cancro que grassa no país, como outra das suas prioridades.

Buhari mostrou-se particularmente inconfortável no que tange ao sector de energia, onde foram investidos cerca de 20 biliões de dólares, mas cuja produção continua irrisória.

Na verdade, o país está abraços com fortes restrições de electricidade o que obriga ao uso constante de geradores, agravando a escassez de combustível para viaturas.

GOODLUCK

JONATHAN

Sai do poder com a auréola de herói da democracia. Valeu-lhe o gesto, pouco habitual entre os líderes políticos africanos, de ter, de imediato, telefonado e felicitado o seu opositor na disputa do cargo de Presidente da República (PR) muito antes de terminada a contagem de votos e reconhecido a derrota. Essa chamada foi recuperada pelas televisões ao longo da semana finda.

Entretanto, Goodluck Jonathan fica na história da Nigéria como o primeiro presidente derrotado na briga por um segundo mandato em exercício de funções. Ele pagou o preço dos altos níveis de corrupção no aparelho de Estado, em alguns casos com envolvimento de membros do seu governo, as atrocidades cometidas pelo movimento terrorista Boko Haram, e a queda do preço de petróleo no mercado internacional que condicionou sobremaneira a economia do país.

INVESTIGUEM TAMBÉM

OS MEUS ANTECESSORES

Foi a expressão forte que o presidente cessante, Goodluck Jonathan disse à nação quando em voz baixa se murmurava que o seu governo devia ser investigado por alegados casos de corrupção, mas a ideia parece não ter pernas para andar. “Se quiserem investigar, investiguem também a governação dos meus antecessores”, rematou Goodluck. E foi manchete em quase todos os jornais e televisão.

Perfil de Buhari

Muhammadu Buhari, o novo Chefe do Estado da Nigéria, é major-general na reserva, nasceu em Daura, Estado de Katsina, a 17 de Dezembro de 1942. Filho de  Adamu e de Zulaihat, Buhari é o vigésimo terceiro filho (23º) do seu pai e foi criado pela mãe, depois da morte do seu pai quando era ainda era criança. É da etnia Fulani e professa a  religião  islâmica.

No final de 1983, Buhari foi um dos líderes do golpe de Estado contra o presidente nigeriano Shehu Shagari e foi nomeado presidente da Junta-militar que comandaria o país dali em diante. Contudo, Buhari governou até Agosto 1985, quando foi derrubado pelo general Ibrahim Babangida, que também participou no derrube de Shagari.

Após a redemocratização do país, Buhari, já como general da reserva, retornou à política e aderiu ao Congresso Progressista (APC na sigla em inglês, coligação de quatro partidos da oposição).

 Ele foi candidato à presidência nas eleições de 2003, 2007 e 2011, não sendo bem-sucedido em nenhuma delas. Nas eleições de 28 de Marco passado, Buhari derrotou o presidente cessante Goodluck Jonathan.

Síntese sobre o populoso país

A Nigériaé uma República Constitucional Federal que compreende 36 estados e o território da Capital federal, Abuja. O país está localizado na África Ocidental e compartilha fronteiras terrestres com a República do Benin a oeste; com Chade e Camarões a leste e com o Níger ao norte. A sua costa encontra-se ao sul, no Golfo da Guiné, no Oceano Atlântico.

Por muito tempo a sede de inúmeros reinos e impérios, o Estado moderno da Nigéria tem s suas origens na colonização britânica da região durante final do século XIX a início do século XX, surgindo a partir da combinação de dois protectorados britânicos vizinhos: o Protectorado Sul e o Protectorado Norte da Nigéria. Os britânicos criaram estruturas administrativas e legais, mantendo as chefias tradicionais. O país tornou-se independente em 1960, mas mergulhou  numa guerra civil, vários anos depois.

Desde então, alternaram-se no comando da nação governos civis democraticamente eleitos e ditaduras militares, sendo que apenas as eleições presidenciais de 2011 foram consideradas as primeiras a serem realizadas de maneira livre e justa.

A Nigéria é habitada por mais de 500 grupos étnicos, dos quais os três maiores são os haucás, os igbos e os yorubás. O país é dividido ao meio entre cristãos, que na sua maioria vivem no sul e nas regiões centrais, e muçulmanos, concentrados principalmente no norte.

Notáveis Políticos na cerimónia de investidura

Filipe Nyusi– Presidente de Moçambique

Sheu Shagari – antigo presidente da Nigéria (derrubado por Mahammadu Buhari)

Olusegun Obasanjo – antigo presidente da Nigéria

John Kerry – Secretário de Estado Americano

Jacob Zuma – Presidente da África do Sul

Robert Mugabe – Presidente do Zimbabwe

Ellen Jonhson Sir Leaf – Presidente da Libéria

Mswati III – Rei da Swazilandia

Manuel Pinto da Costa – Presidente de São-Tomé

Na berlinda
abertura
de embaixada
na Nigéria

OChefe de Estado Filipe Nyusi disse que Moçambique participou no evento como forma de celebrar a democracia, um princípio preconizado e defendido pela União Africana.

Nyusi fez estas declarações quando falava em conferência de imprensa a jornalistas moçambicanos que o acompanharam a Abuja, na Nigéria para a tomada de posse do novo presidente daquele país oeste africano, Muhammadu Buhari.

“Foi uma festa emocionante e cheia de simbolismo porque a população, o país, se uniu para celebrar a esperança. Vimos que os jovens, o povo, após a tomada de posse do presidente Buhari tem mais confiança no futuro”.

Num outro desenvolvimento, Nyusi recordou que a cooperação entre Moçambique e Nigéria se estende há mais de três décadas, dai ser tempo mais do que suficiente para Moçambique ter uma representação diplomática naquele país, o que poderá acontecer a curto prazo, à semelhança do que fizeram os nigerianos em Maputo. Contudo não descartou a hipótese de a embaixada moçambicana poder ser aberta num outro país desta região.

 

De referir que Moçambique e Nigéria já cooperam nos domínios da Saúde e da Defesa sendo que a próxima fase poderá ser no ramo da educação e ciência e tecnologia.

Entretanto, e a margem da cerimónia de investidura do novo presidente da Nigéria, o presidente Nyusi recebeu em audiência o presidente da Namíbia, Hage Geinob, um encontro que serviu basicamente para passar em revista a cooperação entre os dois povos e países e perspectivar o futuro, tanto mais que ambos são presidentes recém-eleitos, não obstante o nosso Chefe do Estado ter sido primeiro a ser empossado.

Texto de André Matola

nosso enviado a Abuja, Nigéria

Fotos Mauro Vombe

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