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Moçambique e Emirados Árabes Unidos definem prioridades de investimento

Moçambique e os Emirados Árabes Unidos (EAU) têm entre duas e três semanas para definir as áreas prioritárias de investimento. A decisão foi tomada durante a visita que o Presidente

 moçambicano, Armando Guebuza, efectuou aos Emirados Árabes Unidos (EAU), de 16 a 19 de Março corrente, a convite do Vice-presidente e Primeiro-ministro e Governante de Dubai, Sua Alteza Sheik Mohammad Bin Rashid Al Maktoum.

O facto foi revelado a jornalistas moçambicanos, terça-feira última, em Dubai, EAU, pelo Presidente Armando Guebuza, no rescaldo da sua visita de Estado àquele país do Médio Oriente.

 “Sentimos a vontade deles conhecerem o país de forma a investirem. Mas para podermos ter resultados concretos, decidimos criar três grupos de trabalho que definirão as prioridades, e nessa base estimularmos os investimentos”, disse Guebuza, tendo acrescentado que “nós queremos muita coisa e eles também”.

Guebuza frisou que a vontade de conhecer melhor Moçambique é da iniciativa dos emires e personalidades de Abu Dhabi, a capital política; Dubai, o centro da economia, e Ras Al Khaimah, que também se destaca na indústria turística e extractiva. Estes são os três emirados visitados pelo estadista moçambicano naquela que, actualmente, é uma das mais fortes economias do mundo.

Durante a visita, Guebuza apelou ao empresariado dos (EAU) para investir  em Moçambique, porque “deixar para depois pode ser tarde demais!” E continuou, “venham investir agora, vamos receber-vos de mãos abertas”, afiançou Guebuza..

 Guebuza dirigia-se a empresários, incluindo PCA´s de grandes empresas que participaram em Dubai no Fórum de Negócios Moçambique – EAU.

No capítulo dos recursos naturais, o Presidente Guebuza reiterou que Moçambique descobriu importantes reservas de gás, o que não significa que as atenções de todos os moçambicanos devem se concentrar apenas neste recurso.

“Não queremos ser um país exclusivamente do gás. Queremos também focalizar as nossas atenções em todas as áreas que contribuam para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Guebuza, apontando o caso da agricultura, turismo, entre outras.

Os EAU têm uma larga experiência na diversificação da economia, de forma a garantir que o país não dependa apenas das receitas do petróleo. Dubai, por exemplo, é um grande atractivo turístico, arrastando milhões de visitantes. É nesta cidade que foi construído o maior centro comercial do mundo, o ´Dubai Mall´, e um dos edifícios mais altos também a nível global, o Burj Khalifa, com cerca de 160 andares e 57 elevadores, destacando-se entre centenas de “aranha-céus” com arquitecturas moderníssimas.

Falando a jornalistas moçambicanos que acompanhavam a sua visita, Armando Guebuza falou das expectativas em torno da exploração do gás natural ou mesmo petróleo, referindo que a forma como este assunto tem sido abordado, dá a impressão de que estes recursos já estão a ser explorados. “Isso cria falsas expectativas”, advertiu o Presidente.  

“Ainda não temos gás em fase de exploração e o carvão ainda está na fase inicial. Sempre dissemos que Moçambique, para avançar, depende da agricultura, que é o factor fundamental da economia, do turismo e serviços. Nos últimos dez ou quinze anos o país cresceu acima de sete por cento com base nesses sectores”, disse o estadista moçambicano, que escalou os EAU depois de ter estado na Austrália, de visita oficial.  

Guebuza transmitiu ainda palavras de confiança ao empresariado do Emirado de Ras Al Khaimah, frisando que Moçambique é uma terra de oportunidades onde se pode investir e obter o retorno desejado.
“É um lugar onde se pode investir e contribuir para o bem-estar dos moçambicanos e também ganhar o retorno do investimento feito”, disse o estadista moçambicano, falando num encontro com os dirigentes de empresas locais, um evento que contou com presença do membro supremo e líder do emirado Ras Al Khaimah, Sheikh Saud Bin Saqr al Qasimi.

 

EAU LIDERAM

INVESTIMENTOS

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) lideram a lista dos dez maiores investidores em Moçambique com 20 projectos aprovados no ano de 2012, totalizando 309,14 milhões de dólares americanos.

Em 2011, este mesmo país ocupava a sétima posição atrás da China (primeiro), África do Sul, Portugal, Maurícias, Estados Unidos da América e Reino Unido, com projectos que não ultrapassavam trinta milhões de USD, segundo o Centro de Promoção de Investimentos (CPI).
O Director do CPI, Lourenço Sambo, disse a jornalistas moçambicanos, em Dubai, que os 20 projectos de investimento distribuem-se pelos sectores de indústria, turismo e hotelaria, transportes e comunicações, bem como na área da construção e serviços. Cerca de 6.398 moçambicanos deverão ser empregues nestes projectos.

A maior fatia daquele montante vai para o projecto CLIN – Linhas Ferroviárias em que os EAU participam com 196, 5 milhões de dólares. O projecto é de construção de uma linha férrea que partirá da zona carbonífera de Tete, passando pelo Malawi, indo desaguar num novo porto em Nacala-velha.
O mesmo pertence a mineradora Vale Moçambique mas, segundo Sambo, o dinheiro é proveniente dos EAU.

“Estamos a falar de um país que se tornou no centro financeiro do mundo árabe e com larga experiência na exploração de hidrocarbonetos. Nós estamos numa fase em que precisamos de dar valor acrescentado ao nosso gás e carvão, por exemplo”, disse Sambo.

Segundo apuramos, os países árabes investem muito dinheiro na agricultura devido a prevalência de solos áridos. “São países com zonas áridas, razão de realizarem enormes investimentos em tecnologias avançadas, o que Moçambique tem de procurar tirar proveito”, sustentou Lourenço Sambo.

Questionado sobre a razão de se “correr” para países como os EAU, Lourenço Sambo disse que “se trata de uma zona franca, onde é fácil fazer negócio. Aqui não há impostos, e a tendência de muitas empresas do mundo é se concentrarem neste lugar para investir”.

Moçambique já apresentou a sua contraparte dos EAU um diversificado pacote de projectos, entre eles da construção de complexos comerciais e hotelaria e turismo, e de desenvolvimento da agricultura.

“Temos que pensar também na acomodação e lazer. Há casos críticos em que os estrangeiros envolvidos na pesquisa do gás na bacia do Rovuma voam para as Maurícias, todos os fins-de-semana, porque em Cabo Delgado não tem nada à altura das suas exigências”, afirmou.

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