Desporto

Elas são o sexo forte!

As chegadas à meta de Lurdes Mutola, depois de ligar o “turbo”, nas maiores competições planetárias e a consequente volta de honra envolta na nossa bandeira ficaram e ficarão na nossa retina como os pontos mais altos do  desporto nacional. Mas há mais: uma medalha de ouro nos Africanos do Cairo, cinco títulos continentais da bola-ao-cesto, sendo dois do Desportivo, um do 

Maxaquene, outro da Académica e, mais recentemente, o da Liga Muculmana.

A estes “mega” sucessos, junta-se Clarisse Machanguana, a “coqueluche” do basquetebol que viu e venceu na WNBA; Leonor Piúza, detentora do ouro africano em 2009, em Argel, e… mais, muito mais. Tudo no feminino! Foram momentos de glória, vividos com lágrimas e choros de alegria. São as inesquecíveis conquistas das nossas meninas, dentro e fora do país.

 

A NOITE LOUCA

DE ALEXANDRIA

 

Cabe aqui recordar o feito da selecção feminina de basquetebol, no único ouro conquistado pelo país até hoje, em modalidades colectivas. Aconteceu na noite de todas as loucuras, em Alexandria, 1991. As nossas meninas realizaram quatro jogos, vencendo-os todos. Os derrotados: Quénia (78-74), Costa do Marfim (70-68); Zaire (76-64); Tunísia (74-70). Depois foi à final com o Senegal.

Moçambique ganhou (75-67). E de que maneira.

Esperança e Aurélia, cada uma ao seu estilo, eram as armas principais. Ao intervalo, o resultado estava a nosso favor, por 8 pontos de diferença.

Na segunda parte, a prioridade foi gerir, com sacrifício e entrega, a vantagem, face a uma equipa tarimbada e com uma média de alturas bem superior à nossa.

E quando soou o apito final, choveram abraços, beijos e… lágrimas. Marcelino dos Santos, então Presidente da AR, fez “sair da cartola” umas garrafas de champanhe para um brinde em terra de abstémios.

Esperança Sambo foi a estrela. Marcou e desmarcou as colegas. Jogou e fez jogar. No final, já com o ouro ao peito, veio uma homenagem singela: a jogadora/base adversária, após ter sido completamente anulada pela moçambicana, foi buscar o seu fio de ouro e colocou-o no pescoço da moçambicana, como homenagem a uma atleta que, com muita lealdade, a anulou por completo.

 

LURDES DERROTOU

O “COITADISMO”

 

Lurdes Mutola. Incontornável. Ela derrotou as mais temidas oitocentistas do planeta, até chegar à ambicionada medalha olímpica de ouro. Tetra-campeã africana, desfilou de ouro ao peito no Egipto (91), Harare (95), África do Sul (99) e Argélia (2007). Conquistou o título de campeã mundial em Estugarda, na Alemanha.

Lurdes criou um vício ganhador de tal ordem que o país ficava em estado de choque, mesmo quando a Menina de Ouro arrecadasse uma classificação honrosa no pódio, desde que esta não desse acesso ao metal precioso.

Em 20 anos de carreira, ganhou tudo o que havia para vencer. No meio de um grande querer, venceu a descrença, o miserabolismo, o coitadismo.

Hoje representa o país no futebol e, longe de viver uma reforma dourada, a Menina de Ouro põe em prática projectos importantes de ajuda ao desenvolvimento, através da sua Fundação, tanto na área desportiva como social.

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