Economia

Vias para acesso a mercados

O Programa de Promoção de Mercados Rurais (PROMER), em parceria com Governo moçambicano, União Europeia (UE) e Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (FIDA) está a construir novas vias de acesso no interior dos distritos de Gurúè e Alto Mólocuè, na Zambézia, para facilitar o escoamento da produção agrícola para as zonas de comercialização, processamento e consumo.

Trata-se de mais de 70 quilómetros de vias terciárias, algumas das quais com troços que estão a ser intervencionados pela primeira vez, com recurso a mão-de-obra das comunidades locais que são assistidas por empreiteiros contratados para o efeito e sob a fiscalização da Administração Nacional de Estradas (ANE).

Dados colhidos naqueles locais indicam que as obras estão a ser materializadas através de fundos disponibilizados ao PROMER pelo governo, União Europeia e Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (FIDA) no âmbito de um extenso programa que visa acelerar o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

A iniciativa está a ser implementada com ânimo redobrado no denominado “Bloco C”, que abarca os distritos de Ribaue e Malema, na província de Nampula, e Gurúè e Alto Mólocuè, na Zambézia.

A nossa Reportagem apurou que as obras estão orçadas em cerca de 80 milhões de meticais e visam tornar possível o escoamento dos produtos agrícolas das zonas consideradas como altamente produtivas para os centros de comercialização, uma vez que no presente aquelas vias não oferecem condições mínimas para o tráfego de viaturas de qualquer tipo.  

Para que seja possível a construção de estradas no âmbito deste programa, os governos distritais abrangidos são responsáveis por definir as vias prioritárias, um processo que envolve levantamentos técnicos, para depois serem lançados os concursos públicos.

No que se refere à mão-de-obra, apuramos que o PROMER estimula o envolvimento da população local, com enfoque para as mulheres, sendo que o uso de maquinaria pesada e de outras tecnologias só é feito quando necessário, particularmente em pontos considerados críticos.

Estas obras, para além de facilitar o escoamento da produção agrícola, esperamos que tenham um grande impacto social porque a partir destas vias poderão ser construídas outras infra-estruturas como hospitais, furos de água, entre outros. A título de exemplo, no distrito de Gúruè reabilitamos uma estrada no ano passado que contribuiu para a construção de uma unidade sanitária de raiz e já estão a ser abertos furos de água”, disse Edson Natha, coordenador oficial do agro-negócio do PROMER a nível do Bloco C.

Para o caso do Alto Molócuè, na Zambézia, está a ser construída uma estrada de raiz, um troço que liga a localidade de Mohiua e a de Carmano, com cerca de 35 quilómetros. Com esta iniciativa, pelo menos 80 camponeses locais foram contratados para executarem a obra. Os trabalhos arrancaram no presente mês de Agosto, sendo que o término está previsto para o próximo mês de Fevereiro.

A reabilitação da estrada Mohiua-Carmano vai beneficiar cerca de 55 mil habitantes tanto no escoamento de produtos como na facilitação da mobilidade da população que vive praticamente isolada na região de Carmano, devido à precariedade da via.

Aliás, o povoado de Carmano é considerado o celeiro da localidade de Mohiua, dai que o governo local incentivou e apoia a realização de uma feira que funciona aos sábados, onde comerciantes vários pontos da localidade e não só realizam trocas comerciais, incluindo de produtos de primeira necessidade e de insumos agrícolas.

domingoapurou que o PROMER está a desenvolver as suas actividades no distrito de Alto Molócuè desde 2008, fruto de memorandos assinados com os Serviços Distritais das Actividades Económicas (SDAE) e com a Rádio Comunitária que ajuda na promoção dos mercados rurais.

Com efeito, a rádio comunitária local difunde os preços de referência dos produtos para evitar a especulação e tornar as trocas comerciais mais apetecíveis, permitir que todos conheçam o valor real do produto mesmo antes de ir ao mercado ou feiras, e promover o equilíbrio entre os custos de produção e na hora da comercialização.

Este programa ajuda-nos a melhorar a vida, sobretudo no concerne ao apoio aos pequenos produtores na comercialização dos seus produtos. Trabalhamos também com associações na formação em matérias relacionadas com a ligação entre os produtores e os comerciantes”, sublinhou Farias Alberto, substituto do administrador do distrito de Gurue.

Por outro lado, ainda para este ano está prevista a implementação do projecto que vai ligar Morece a Mucunha, uma zona de difícil acesso. Segundo a nossa fonte, o governo daquele distrito recebe apenas 2.5 milhões de meticais para o sector de estradas, o que tem dificultado os trabalhos de manutenção e abertura de novas.

Mucunha é um centro de produção de batata. Toda a batata que consumimos no distrito vem de lá e julgamos que a reabilitação da estrada será uma mais-valia para o desenvolvimento daquela localidade, pois os produtores vão poder comercializar e poderão receber insumos provenientes de diversas localidades para melhorar a produção”, afiançou.

Segundo André Soares, que é um dos trabalhadores contratados para a construção de raiz da estrada Mohiua-Carmano, orçada em mais de sete milhões de meticais, a construção daquela via iniciou no dia cinco de Agosto corrente. “Estamos a construir esta estrada de raiz e temos que entregar a obra em Fevereiro de 2016. Estamos no início da obra, dai que ainda não vimos quais são as condições que o engenheiro tem no que se refere aos materiais e equipamentos que vão ser necessários no futuro. Apesar disso já abrimos manualmente um quilómetro e meio, dos cerca de 11 previstos neste troço”.

Se depender da vontade dos trabalhadores e do ânimo que manifestam, muitos deles provenientes de Carmano e Mohiua, as obras serão entregues dentro do prazo. O que lhes deixa um pouco apreensivos é o facto já terem adiantado um quilómetro e meio e não terem visto o empreiteiro movimentar-se no sentido de colocar no terreno um camião para a rega, uma máquina compactador e uma niveladora rebocável.

Aqui existia uma picada bastante precária. Com esta estrada a nossa zona vai evoluir e poderemos chegar a outros lugares onde as viaturas não chegavam. Agora teremos como vender os nossos produtos e esperamos que as condições da nossa vida melhorem muito”, concluiu

Angelina Mahumane

 

vandamahumane@gmail.com

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