Desporto

O voto das associações já está à venda

As associações provinciais de futebol parecem já não terem dúvidas da impossibilidade de Feizal Sidat se recandidatar pela segunda vez para o cargo de presidente de direcção da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), cujo escrutínio, em princípio, deve ser em Julho. Já acreditam na força do Regulamento da Lei do Desporto, instrumento que rege a prática desportiva no país, que no seu artigo 48, ponto 2, é claro ao estabelecer que “os titulares dos órgãos sociais das federações e associações desportivas provinciais e distritais só podem recandidatar-se uma vez.”

Não havendo alteração da lei, neste caso para alargamento de mandato dos titulares dos órgãos sociais das federações e associações desportivas, fica descartada a possibilidade (e vontade) de Feizal Sidat ficar presidente por mais quatro anos, nem que os seus amigos o queiram forçar. E nem que a FIFA mude os seus regulamentos tantas vezes, porque primeiro cumprimos as nossas leis e depois é que olhamos para o que é deles.

Não será pela vontade dos que julgar seus inimigos que Feizal não terá terceiro mandato, mas no cumprimento da lei que o nosso parlamento aprovou e nós todos aplaudimos. E, como se costuma dizer entre nós, ninguém está acima da lei.  

Convencidos de que o seu amigo Feizal Sidat não pode sobrepor-se à lei, os presidentes das associações provinciais de futebol já estão a piscar olho para os prováveis candidatos. Aliás, eles de atrasados não têm nada!

 Os presidentes das associações provinciais, de que depende a eleição do presidente da FMF, já se deixam namorar por aqueles que os vão convidando a um almoço, a um jantar ou a uma viagem. Quer dizer, enquanto se discuti se Feizal pode ou não recandidatar-se pela segunda vez, há quem já está comprando o voto para o suceder.

É que, na hora da sucessão de Feizal contará mais a vontade das associações, assim como na hora de votar só vale o voto dos presidentes das associações, esses que só aceitam a ordem do dinheiro e não de quem governa nem de quem escreve “mal” sobre eles.

E qualquer pretensão de colocar no lugar de Feizal alguém que melhor possa corresponder os ensejos governamentais ou do associativismo tem de ser em coordenação com esses donos da federação, que são os presidentes das associações provinciais. Qualquer tentativa de obstruir essa verdade será em vão, porque a Lei não impede que as associações elejam quem melhor os engane.

Sidat por Sidat?

Mas quem será o próximo presidente da FMF? Sairá de dentro do actual elenco ou virá de fora? Mais do que fazer esta pergunta, importa, também, questionar se o actual elenco pretende gozar mais um mandato. A saída de Feizal da presidência pode não significar muito se o seu elenco continuar intacto. Nesse caso haverá somente troca de lugares, podendo Feizal passar a ser, por exemplo, assessor de direcção, se a figura de presidente honorário não lhe sossegar.

No que toca concretamente a sucessão de Feizal Sidat, dizer que há muitos interessados, uns de forma disfarçada e outros à maneira de espertinhos fazendo pré – campanha que lhes convém. E pode ser que esse tal substituto seja alguém do actual elenco e muito próximo dos interesses que um dia encheram Feizal de vontade de ser presidente da FMF, cargo que parece não gostar de deixar tão já.

Lembrem-se de que o actual inquilino do 2º andar do Prédio Azul, na Baixa da Cidade de Maputo, foi buscado do elenco ora presidido pelo malogrado Mário Coluna. E que os desportistas nacionais se lembrem também  que mesmo no mandato de “Monstro Sagrado” quem mais mandava na federação de futebol era o “vice” Feizal Sidat.

Nós próprios admitíamos que o sucessor de Sidat seria Sidat, irmão, filho ou sobrinho, uma hipótese que tem vindo a ser descartada pelos membros mais influentes daquele clã em conversas privadas. Eles alegam que o tratamento que alguns sectores (incluindo o da imprensa) dão ao irmão, tio e pai Feizal Sidat não motiva para uma sucessão familiar. Se essa motivação existisse, quase nada impediria que o próximo presidente da FMF fosse qualquer coisa Sidat.

O PODER DO FUTEBOL

Falar de futebol é falar de uma indústria desportiva com poder próprio que por vezes “dribla” outros poderes. Os homens do futebol tornam-se poderosos quando encobertos com esse poder, ao ponto de poderem convencer aos políticos e governantes a segui-los.

Podem os homens do futebol forçar a alteração de determinadas regras legislativas desportivas em função dos seus interesses, alegadamente para a viabilização do endereçamento de mais apoios para o futebol nacional. É só lembrar que aquando da preparação da organização dos X Jogos Africanos de 2011 os homens do desporto nacional impuseram à classe governativa a alteração da regulamentação inerente a constituição das instituições desportivas, o que facilitou ao surgimento, à maneira de cogumelos, de muitas federações, algumas hoje praticamente desaparecidas. 

Porém, vamos continuar a pensar que pela força da lei Feizal Sidat não vai para o terceiro mandato. Mas pode não sair da FMF e apoiar de todas as formas aquele que for indicado pelo seu elenco a lhe substituir no cargo de presidente de direcção.

Esse candidatado terá os restantes candidatos como representantes da oposição federativa. E pela experiência que se tem de tudo que são eleições, custa derrubar regimes que são pela sua continuidade. E o caso da FMF não será excepção!

Quem julgar que já garantiu quatro ou cinco votos das associações, com vista a ser presidente da FMF, pode vir a sofrer goleada nas urnas. Também é de acreditar que se o ambiente da eleição este ano dos corpos gerentes da FMF não favorecer ao elenco actual, razões serão arroladas para justificar adiamentos. Quem tem faca e queijo na mão faz o que lhe convém. 

Manuel Meque

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