Artes & Letras

Opinião dos músicos moçambicanos

Depois da actuação, os músicos estavam eufóricos por terem correspondido e superado as expectativas. Acabavam de elevar uma vez mais a bandeira de Moçambique.

OS JOVENS ESTÃO A RESGATAR RITMOS NACIONAIS

– Dilon Djindje

Este espectáculo é de grande importância porque estou a ver que os jovens já mudaram. Não ficam apenas pelas músicas de fora. Os nossos jovens estão a retomar o gosto de cantar as nossas músicas. Porque como se diz, você não nada e não é ninguém se não souber a sua proveniência. Portanto, é preciso apostar e apoiar estes jovens que cantam e dançam a nossa música. Aos dirigentes, apelo para que continuem atentos e criem condições para que Moçambique participe sempre em festivais destes. O que fizemos aqui em Cabo Verde vai relançar o nosso nome. Temos muito que fazer na cultura, mas a música e futebol são muito importantes para representar o país em todo mundo.  Deixamos um grande ensinamento para os cabo verdianos.

 

REPRESENTAMOS BEM O NOSSO PAÍS

– Mingas

O  espectáculo foi muito interessante. Eles estavam com muita expectativa, mas aos poucos foram se habituando ao ritmo. Eles gostaram. E vamos esperar para ver se próximo ano  estaremos cá. Pode não ser o elenco todo, mas parte de nós para que eles aprendam melhor a dançar a nossa música, assim como nós dançamos a deles. Aliás, consumimos muita música deles e gostaríamos que a presença de Moçambique nos festivais cabo-verdianos foi constante. Foi agradável e representamos bem o nosso país. Eles não esperavam o nível de organização e actuação nossa.

 

A MÚSICA É BUSINESS E TEM DE SER PROMOVIDA

– Stewart Sukuma

Acho que fizemos um espectáculo limpo, animado e transmitimos aquilo que  trouxemos para o povo de Cabo Verde. Acho que nós precisamos de promover  mais a nossa música antes de vir com espectáculo, pois acredito que se tivéssemos promovido antes, seria um estrondo e não o espectáculo normalíssimo que viu-se. As pessoas dançaram e quando acabamos de tocar  pediram para que voltássemos ao palco. Mas não voltamos porque o festival tem uma agenda e há outros músicos que seguiam. Fica uma lição de  sempre que formas para um país onde a nossa música não é forte, termos a necessidade de no mínimo promover durante seis meses através de vídeos, rádios, televisão. A música é negócio é business. As pessoas vão falar de nós durante muito tempo.

 

NÃO QUERIA NOS DEIXAR SAIR DO PALCO

– Sizaquel

Os cabo-verdianos receberam-nos muito bem. São calorosos e gostaram da nossa música que até nem queriam nos deixar sair do palco. Eu tive responsabilidade acrescida pois ser a primeira, abrir, aquecer o palco para os mais velhos não é fácil. E no geral, tivemos uma boa receptividade e performance.

 

Precisamos de investir na nossa cultura

– Júlio Sitói, promotor da ida a Cabo Verde

A nossa vinda a Cabo Verde vai trazer e criar formas de divulgação da nossa cultura ao mais alto nível. É a partir dessas acções que poderemos furar em outros festivais. Precisamos, claro, de investir muito para participar neste tipo de eventos. Foi uma surpresa para Cabo Verde. E provou-se que Moçambique tem talentos e fazem parte dos melhores de África. Há músicos de outros países que estão sempre em festivais. Nós também merecemos. Veja que esta edição de Baía das Gatas foi para homenagear um Mestre local. Isso despertou algo em mim. Talvez possa um dia criar formas de homenagear Fanny Mpfumo, um dos músicos que fizeram muito pelo país. 

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