Artes & Letras

CEA lança Dicionário da Língua de Sinais de Moçambique

O Centro de Estudos Africanos (CEA) lançou recentemente na Universidade Eduardo Mondlane, o livro intitulado “Dicionário da Língua de Sinais de Moçambique” da autoria de Armindo Ngunga,

Assumane Abudo, David Nhantumbo, Inocêncio Zandamela e Maria Luísa Manguana.

Trata-se de uma obra valiosa para a comunidade de surdos, assim como para os professores e pesquisadores que trabalham na área das necessidades educativas especiais auditivas.

De acordo com o Armindo Ngunga, Director do Centro de Estudos Africanos e um dos autores da obra é necessária a criação de um ensino inclusivo bilingue em que não haja o predomínio de métodos de ensino do oralismo e em que a criança possa aprender na sua língua materna, a língua de sinais.

“É preciso pensar-se numa educação verdadeiramente inclusiva que não significa colocar os surdos numa sala de alunos ouvintes, mas que contemple as especificidades linguísticas e culturais dos alunos e que demande o fortalecimento da língua de sinais como instrumento essencial para a vida dos surdos numa escola bilingue”, disse Ngunga.

 O académico Ngunga acredita que o dicionário é para todos, pois as pessoas podem nascer ouvintes, mas depois de um tempo ficarem surdas e quando isso acontecer elas terão apenas a língua de sinais para se comunicar.

“A língua de sinais deveria ser aplicada nas escolas primárias para que as crianças aprendam desde cedo a comunicar-se através dela, disse Ngunga.”

Para o Ministro da Educação Augusto Jone que também participou no evento, esta é uma iniciativa muito boa pois só se pode falar de um ensino inclusivo quando todos tiverem acesso a informação. “É uma grande contribuição para o sector da educação. E concordamos com o professor Ngunga quando diz que deve-se incluir esse ensino de língua de sinais nas escolas. Mas queremos primeiro formar os professores, e só depois poderemos incluir nas escolas esse ensino. ”

A Professora Doutora Hildizia Dias foi encarregue de apresentar o livro e disse que as línguas de sinais possuem características próprias que são definidas através de sistemas fonológico, morfológico, sintáctico e semântico. Elas apresentam três parâmetros principais, nomeadamente: a configuração das mãos, o ponto de articulação e o movimento.”

Refira-se que com este dicionário poderá passar-se a pensar na língua de sinais como um meio de comunicação eficaz que permite a criança surda a ter o acesso á educação na sua língua.

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