
Um antigo praticante de atletismo e professor de Educação Física, Paulo Sunia, é acusado por jovens residentes nas cidades de Maputo e Matola de, alegadamente, fazer cobranças ilícitas sob promessa de facilitar o ingresso no Instituto de Ciências de Saúde (ICS) e, noutros casos, a transição nos exames finais de avaliação do ensino geral de educação.
domingo soube, há dias, da existência de denúncias de alguns cidadãos que se envolveram nas malhas do professor Sunia, entre 2015 e 2016. Ele fez-se passar por funcionário do Instituto de Ciências de Saúde.
Na verdade, Paulo Sunia, que conquistou vários títulos nacionais, dos quais no lançamento de peso e de dardo, é, até ao momento, professor de Educação Física na Escola Secundária Francisco Manyanga.
De acordo com tais revelações, o acusado exigia o pagamento de valores monetários que variavam entre seis e oito mil meticais, para facilitar o ingresso no ICS ou a transição de classe na Escola Secundária Francisco Manyanga.
Os jovens que tentavam entrar fraudulentamente no curso de enfermagem contaram que chegaram a acreditar que se tratava de um funcionário do Ministério da Saúde ou do ICS porque, quase diariamente, fornecia informações sobre o processo de correcção dos exames, até que foram surpreendidos no dia da afixação das pautas com o resultado negativo.
O mesmo cenário ocorreu com outros indivíduos que pretendiam fazer o ensino geral.
Esta denúncia consubstancia os relatos sobre a existência de esquemas fraudulentos no ingresso em instituições de ensino e/ou na transição de classe.
J. Alfredo, um jovem que pretendia fazer a 12.ª classe na Escola Secundária Francisco Manyanga, como aluno externo, contou-nos que para o efeito fez a inscrição, mas antes solicitou os préstimos do professor Sunia, já que alguém o havia informado que ele trabalhava naquela escola e que poderia facilitar a sua passagem de classe.
“Fiz as minhas ginásticas, consegui o valor e entreguei-lhe a quantia exigida. Fui ao exame confiante que já tinha feito a classe. No entanto, fiquei surpreendido quando recebi uma chamada dos meus amigos a dizerem que tinha reprovado. Então liguei para o professor que me disse que tinha havido uma falha de um dos seus colegas, mas que seria resolvido”.
Já M. Zandamela, que concorria para o curso de enfermagem no Instituto de Ciências de Saúde, cidade de Maputo, conheceu o burlador através dum amigo, depois de fazer a inscrição para se submeter aos exames de admissão.
Zandamela conta que depois das conversações entre os três, disse que precisava de apenas oito mil meticais para agilizar o processo.
“No mesmo dia fui pedir o dinheiro aos meus pais e deram-me a quantia e fui entregar-lhe. Não desconfiei porque na altura disse-me que o meu processo não era único, e já tinha facilitado para muita gente”.
Depois daquele encontro, volvidas duas semanas, foi fazer o exame de admissão confiante de que tinha admitido: “Não acreditei, liguei para ele para perceber o que tinha acontecido. Na altura tranquilizou-me dizendo que não era nada, o meu nome já estava apurado, e não precisava de fazer outros testes. Estou à espera desde 2015, são quase dois anos, nem o dinheiro, nem o curso, só diz para esperar”, disse.
SUNIA DISTANCIA-SE
Procurado pela nossa equipa de Reportagem para uma conversa em torno das acusações, Paulo Sunia disse não se lembrar de ter recebido dinheiro de alguém para facilitar a sua entrada no ICS ou passar de classe na “Francisco Manyanga”.
Confirmou que é professor de Educação Física na Escola Francisco Manyanga, ao mesmo tempo que pediu, insistentemente, os nomes dos jovens que o acusam de burla, por entender que se trata de pessoas que tentam denegrir a sua imagem.
No entanto, prometeu entrar em contacto com a nossa equipa, logo que se lembrar de algum contacto feito para essas facilitações.

