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VENDA DE ROUPA: Boutiques a céu aberto

Por admin

A sobrevivência exige criatividade, que o digam os jovens que, nos últimos tempos, nas artérias mais movimentadas da cidade de Maputo, usam carros particulares para vender roupa feminina, masculina, sapatos, cintos e carteiras, entre outros acessórios. Tudo novo. Muitas vezes importado da China, Portugal e África do Sul. É uma espécie de “boutiques ambulantes” que têm conquistado o seu espaço.

É uma forma de ganhar a vida. Diariamente, às primeiras horas, os donos das lojas ambulantes estacionam as viaturas nas artérias da cidade e começam a bicuda tarefa de convencer os transeuntes a adquirir artigos expostos nas suas montras. Um detalhe que salta à vista é que os jovens possuem uma capacidade extraordinária de persuadir a clientela.

Uns fazem uma espécie de sociedade, criando um grupo de dois ou três elementos, ou seja, sócios, em que cada um tira o valor para a compra de um stock de artigos, que são expostos e vendidos em veículos. Semanalmente ou mensalmente dividem os lucros e reforçam os produtos.

Esta actividade tem sido praticada, por exemplo, no Brasil, Espanha, Estados Unidos, entre outros lugares.

Lucas Tamele, proprietário de uma loja móvel, pratica esta actividade desde 1994. O nosso interlocutor disse ao domingo que durante este período conseguiu comprar duas viaturas: uma, usa como boutique para vender cintos, carteiras femininas e masculinas. “Geralmente comunicamo-nos por telefone com clientes que estão distantes. Quando o cliente não vai à loja, a loja vai ao cliente”.

Num outro desenvolvimento, Lucas Tamele contou-nos que empreender é o sonho de muitos moçambicanos, pois na sua óptica alguns gostariam de ser donos de uma loja ou restaurante, mas por causa dos custos de investimento, pagamento de rendas, trabalhadores, entre outras despesas nem todos conseguem. São vários custos que, às vezes, inviabilizam o projecto.

A nossa reportagem encontrou, pelas ruas de Maputo, um outro jovem comerciante, Emílio, um autêntico “lobo da Wall Street”. Possui uma capacidade suprema de persuadir os clientes. Ele contou-nos que comprou carro para fins comerciais. Começou a trabalhar no ramo há mais de duas décadas, num primeiro momento vendendo vestuário masculino para funcionários de algumas empresas e para pessoas próximas. Mas as dificuldades para se deslocar, uma vez que sempre andava carregado, levaram-no a decidir-se pela compra da viatura.

A sua experiência faz com que se dispense um canto para se provar a roupa. Emílio conhece as medidas certas para cada silhueta, mas quando alguma coisa corre mal nesses cálculos os clientes devolvem as peças.

Lourenço Nhamule, outro proprietário de uma “boutique de rua”, garantiu que uma fórmula infalível para amolecer o coração dos clientes, é vender modelos que são “top de gama” nos países de onde são importadas.

Tratando-se de uma actividade ainda não legalizada, estes comerciantes anseiam por acertos com a Polícia Municipal. “Pretendemos pagar taxas, mas pedimos que nos deixem exercer a actividade sem interpelações maliciosas”.

Texto de Idnórcio Muchanga
idnorcio.muchanga@snoticias.co.mz

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