Sociedade

Um convite ao amor e paz

• Esposa do Presidente da República, Isaura Nyusi, juntou 700 pessoas carentes em almoço solidário

A escassos dias das festividades do Natal, também designado por Dia da Família, a esposa do Presidente da República, Isaura Nyusi, prestou apoio moral e material a 700 pessoas em situação difícil, entre as quais crianças da rua e internadas em centros de acolhimento, idosos e pessoas portadoras de deficiência.

Cores, cantos, danças, alegria, irmandade e muito amor. Estes foram os elementos marcantes no Natal Solidário, realizado em Maputo, “carinhosamente direccionado às crianças, aos idosos e outros grupos-alvo aqui representados”, conforme declarou Isaura Nyusi no seu discurso, uma cerimónia que brotou dos esforços de várias sensibilidades, com destaque para o Gabinete da Primeira-Dama.

O clima de Natal foi plantado e estendido na ocasião, proporcionando a cada um dos presentes a alegria de festejar o sagrado momento, uma acção que, “sem dúvida, contribui significativamente na elevação da auto-estima”, frisou a primeira-dama, em pessoas que enfrentam a vida em condições difíceis, que necessitam, portanto, de gestos singulares e colectivos de prestação de apoio moral e material, segundo destacou.

Com efeito, “a nossa presença neste evento é um indicador claro do compromisso que assumimos na defesa e promoção dos direitos das crianças e das pessoas idosas como membros activos da sociedade”, sendo, por conseguinte, uma “oportunidade de convívio, troca de experiências, alegria e, acima de tudo, momento de muita reflexão sobre os desafios que nos são colocados, na melhoria das condições de vida com vista ao bem-estar para todos”, aclarou.

Sendo o Natal um momento de reforçar os laços de família e das comunidades, Isaura Nyusi destacou a necessidade de repor e consolidar o papel dos lares na formação de indivíduos sãos, tendo em vista “a almejada dignidade social, condição sine qua non para assegurar a instrução e a educação das nossas crianças”.

Deste modo, um apelo foi lançado aos pais, encarregados de educação e a toda a sociedade no geral, a manifestar a sua solidariedade e cumprir cabalmente a sua obrigação de garantir, dentre várias condições, “o registo de nascimento e o acesso à educação das nossas crianças”, mas, igualmente, foi vincada a importância de reforçar o papel da família como garante da protecção dos seus membros, na transmissão de valores morais, do respeito ao próximo, pois “uma sociedade forte é aquela que tem a sua base fortalecida na família, que conhece e vive de acordo com os seus princípios e valores, pois na ausência desta base estruturada, estaríamos construindo uma sociedade doente e desequilibrada”, alertou.

… E O CLIMA DE NATAL FOI INSTALADO

Uma boneca de pano vinda lá das bandas de Inhambane, na voz do músico Fernando Luís, reinstalou a alegria, em especial, de centenas de crianças convidadas da esposa do Presidente da República.

Dirigindo-se ao público de palmo e meio, o artista fê-las cantarem e recobrarem os momentos coloridos da sua infância, ora perdidos em recantos insanos e imorais onde parte daquele universo se abriga, o que contribui para a degradação da sua estrutura moral e física.

Esta e outras manifestações culturais simbolizaram o amor, a união e cultivaram ou cimentaram a paz na mente de cada um dos participantes.

Uma grandiosa família formou-se na também enorme sala, suprindo a carência material e espiritual.

Entretanto, em conversa com o domingo, os mais velhos aproveitaram o ensejo para lançar apelos por uma sociedade mais pacífica e justa, desencorajando todas as práticas que atentam contra o bem-estar do idoso.

Queremos punição para filhos que maltratam pais

Maria Chambal, 63 anos, residente em Maputo

Nós, idosos, somos punidos injustamente pelos nossos próprios filhos. Acusam-nos de feitiçaria, batem em nós, expulsam-nos das nossas próprias casas. Por este motivo, lançamos o nosso grito de socorro, no sentido de o Governo fazer valer as leis e punir filhos que maltratam os pais.

Deste modo expressou-se a anciã mãe de cinco filhos, durante a sua participação no Natal Solidário organizado pelo Gabinete da Primeira-Dama e parceiros.

Maria Chambal manifestou o seu repúdio pela “ingratidão” demonstrada por filhos, “que foram criados com zelo e amor até à idade adulta”, mas que, a dado momento, tornam a vida dos seus progenitores um inferno, por razões fundamentadas no obscurantismo.

Para ela, é preciso haver uma mão dura do Estado, penalizando esses indivíduos, “pois vejam que muitos de nós que aqui nos encontramos somos vítimas desse desassossego nos lares; uns são obrigados a pedir abrigo em casa de sobrinhos; outros chegam a viver em centros de acolhimento, expulsos das suas próprias casas que, aliás, levaram uma vida a construir”.

Minha nora quis cortar-me com catana

Marcelina Simião, 62 anos, residente em Maputo

Certo dia, a casa de uma jovem nora construída num espaço contíguo à habitação de Marcelina Simião, sua sogra, ardeu. “A minha nora tinha saído para se divertir, ela é dos copos. Ao regressar e constatar o infortúnio, virou-se para mim e acusou-me de ter feito a casa arder, através de feitiçaria”.  

Traída pelo desmazelo, já que na realidade tinha deixado uma vela acesa, conforme garantiu o filho, a jovem perdeu grande parte dos seus bens materiais.

Tomada pela ira, pegou numa catana e pôs-se em direcção à sogra (Marcelina Simião) afirmando que pretendia retalhá-la.

Em alvoroço, a idosa dirigiu-se à casa do chefe de quarteirão, onde apresentou uma queixa, o que culminou com um encontro entre membros da família, a fim de decidir sobre quem deve permanecer na casa.

Como vêem, a nossa vida não é nada fácil. Chegar à nossa idade parece um pecado. Até a minha nora tem voz para me expulsar de casa. É preciso acabar com estes abusos, para levarmos uma vida em paz no seio dos nossos lares”, apelou.

Texto de Carol Banze
carolbanze@snoticias.co.mz

Foto de César Bila

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