Sociedade

Terapia num só comprimido

Moçambique introduziu no presente ano uma nova linha de tratamento com base no Tenofovir um medicamento que aglutina a triterapia anterior num só comprimido.

Em entrevista ao domingo, a responsável pelo Programa Nacional de Controle de Doenças de Transmissão Sexual revelou que esta constitui uma forma de reduzir a fatiga dos pacientes em relação ao número de vezes de toma diária de comprimidos.

Nas 711 unidades sanitárias, a primeira linha de escolha para adultos com mais de 35 quilogramas e crianças com idade mínima de cinco anos, a escolha de tratamento é baseado no regime de tratamento com base no tenofovir.

Apesar de ser uma terapia em que o paciente toma apenas um comprimido por dia, existe ainda desafios em relação a adesão e a retenção dos doentes. “Ninguém toma medicamentos sem ter um preparo antes. É preciso que o paciente receba um apoio psico-social e defendemos continuamente que esta pessoa deve ser preparada dentro da unidade sanitária e também fora, neste caso na comunidade onde ele se encontra inserido. Por isso temos preparados activistas nas comunidades”, explicou Aleny Couto que mais adiante sublinhou o papel e cooperação com Conselho Nacional de Combate ao SIDA no apoio e assistência psico-social a pessoa vivendo com HIV.

No que diz respeito à retenção do doente, a nossa entrevistada revelou que a Saúde esta a trabalhar no sentido que consciencializá-lo a respeito das implicações da sua desistência ao tratamento. Isto porque a pessoa vivendo com o HIV tem que saber o que está a acontecer com o seu organismo e ter um seguimento contínuo na unidade sanitária.

Segundo Aleny Couto a não retenção implica não só a perda do paciente como também a elevação de custos de tratamento para o Governo. “Ao falir uma linha de tratamento, o organismo do paciente vai criar resistência a medicaçao, e isso acarreta custos pois ele terá que mudar para a segunda linha de tratamento cujo valor é maior. Enquanto a primeira custa cerca de 200 dólares americanos, a segunda pode chegar perto de mil dólares,elucidou.

SOBRE O NOVO

REGIME DE TRATAMENTO

Relativamente a problemática de desistência devido ao forte efeito dos antirretrovirais no organismo, Aleny Couto sublinhou que toda a medicação possui efeitos colaterais no organismo. Contudo, é importante que se avalie os custos e benefícios. “Apesar de ser um medicamento melhor tolerado, esta previsto este possui efeitos colaterais, uma vez que entre 0.6 por cento a 2.7por cento os pacientes irão desenvolver efeitos colaterais ao tenofovir como a lesão óssea e sobre o rim. Entretanto, que conseguimos garantir que 99 por cento dos pacientes fiquem bem, então optamos pelo benefício”, rematou.

Mais adiante assegurou que a recomendação de medicação deve ser feita uma consulta clínica ao paciente. Segundo Aleny Couto existe um critério de exclusão do doente da toma deste medicamento. Por exemplo, este regime não é recomendável a pacientes que tenham hipertensão arterial e diabetes.

Fábrica de antiretrovirais

em Moçambique será uma realidade

Em plena semana de reforço de luta contra o SIDA, parceiros de cooperação salientam o compromisso de tornar uma realidade a fábrica de antiretrovirais e outros medicamentos em Moçambique.

Sublinhe-se que a fábrica é resultado da cooperação bilateral entre Brasil-Moçambique, e espera-se venha a estar habilitada a produzir medicamentos essenciais para o país.

A Fábrica é resultado de um compromisso estabelecido em 2003 pelo então Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva com o Governo e o povo moçambicanos.

Sua instalação iniciou-se em 2010 no âmbito de acordos de cooperação bilateral celebrados entre os Governos de Brasil e Moçambique e contou com doação da empresa Vale Moçambique para reabilitação e adequação do edifício e de suas instalações.

Para a execução do projecto, o Governo moçambicano adquiriu o terreno e unidade de produção de soros que funcionava no local, além de disponibilizar mão-de-obra para capacitação e operação da SMM. Os recursos disponibilizados pelo Governo brasileiro para a cooperação perfazem aproximadamente 21 milhões de dólares norte-americanos, além dos 4,5 milhões de dólares investidos pela Vale Moçambique.

Desde 2008, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição pública brasileira, capacitou aproximadamente 40 profissionais moçambicanos, em Maputo e no Rio de Janeiro, nas diversas áreas da indústria farmacêutica, principalmente na produção e controle de qualidade de medicamentos.

A Fiocruz é instituição de referência internacional na área da saúde com histórico no desenvolvimento de pesquisas, formação de recursos humanos, geração e difusão de conhecimento científico e tecnológico, bem como produção de insumos para saúde.

A instalação da Fábrica por meio da cooperação entre os dois países é iniciativa única no mundo e constitui medida concreta para estimular a produção local de medicamentos em países africanos. A Fábrica já está habilitada a produzir os antirretrovirais lamivudina e nevirapina, além de antianêmicos, anti-hipertensivos, diuréticos e antivirais. Os equipamentos de tecnologia avançada que compõem a linha de produção e o laboratório de controle de qualidade da Fábrica confirmam seu potencial de contribuir para o combate ao HIV/SIDA em Moçambique.

Metade de unidades sanitárias

já assistem pessoas vivendo com HIV

Moçambique conta actualmente com 59 por cento de cobertura de tratamento antiretroviral (TARV), dado este que revela que das 1 430 unidades sanitárias existentes ao nível nacional cerca de 711 estão a oferecer tratamento.

Em consequência cerca de 500 mil pessoas estão em tratamento. Contudo, 1.4 milhão de pessoas vivem com HIV no país.

De acordo com a responsavel pelo Programa Nacional de Controle de Doenças de Transmissão Sexual no Ministério da Saúde (MISAU), Aleny Couto, este facto está associado ao aumento da cobertura da rede sanitária nacional e a acções de prevenção mais focalizada.

Em 2012 tínhamos uma cobertura de nacional de TARV de 44 por cento. No entanto, a Saúde focalizou-se em acções biomédicas como a Prevenção da Transmissão Vertical, a circuncisão masculina, incentivo no uso de métodos de prevenção, entre outras que permitisse a inversão do cenário”, revelou.

Moçambique figura entre os 10 países mais afectados pelo HIV/ SIDA no mundo, com uma prevalência de 11.5 por cento, onde mais de 60 por cento das novas infecções ocorre em mulheres e 90 por cento das mesmas derivam de relações sexuais desprotegidas.

Entretanto, para conseguir resultados mais satisfatórios, o MISAU está a implementar desde 2013 o Plano Acelerado de Resposta ao HIV que vai até 2017. Possui três objectivos, nomeadamente reduzir para menos de cinco por cento a transmissão vertical ou seja de mae para filho; aumentar a cobertura do TARV ate 80 por cento e por último reduzir o número de novas infecções por HIV.

Com a sua implementação associada ao aumento da cobertura da rede sanitária, registou-se uma subida de número de pessoas em tratamento. Ora vejamos: em 2012 estavam em tratamento 300 mil pessoas e actualmente estão em tratamento cerca 500 mil pessoas , das quais 50.000 são crianças.

NÚMEROS

Das 278 infecções que ocorrem por dia, adolescentes e mulheres jovens são as maiores vítimas, vingando, desta forma a tese que sustenta a feminização da epidemia no país.

Semana passada, o Primeiro de Dezembro foi celebrado em todo o mundo e o assunto “SIDA” veio, outra vez, à ribalta.

Moçambique figura entre os dez países mais afectados pelo HIV e SIDA no mundo. Tem uma epidemia generalizada, cuja prevalência entre adultos de 15-49 anos é de 11,5 por cento.

Dado curioso nestas projecções é que mais de 60 por cento das novas infecções acontecem em mulheres.

Mais de 90 por cento das novas infecções ocorrem através de relações sexuais sem uso preservativo.

Em adolescentes dos 12-14 anos a prevalência é estimada em 1,8 por cento sem grandes diferenças entre raparigas e rapazes.

A prevalência em jovens mulheres dos 14-24 anos é de 11.1 por cento, três vezes maior que a prevalência entre os homens jovens da mesma idade (3.7 por cento)

Em Gaza, por exemplo, há 6 raparigas para cada rapaz infectado e em Sofala, 5 raparigas para cada rapaz infectado.

Entram aqui em cena factores biológicos que revelam maior exposição do tracto genital da mulher. Há maior quantidade de vírus no sémen que nos fluidos vaginais.

Por outro lado, há maior tempo de permanência do sémen nos órgãos femininos após exposição sexual.

As chamadas “normas sociais” prefiguram outros factores de risco.

O início precoce das relações sexuais, os ritos de iniciação e os casamentos prematuros têm aqui “uma palavra a dizer”.

Luísa Jorge

luísajorge@snoticias.co.mz

 

 

 

 

 

 

 

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