Sociedade

Reforçadas equipas de combate à diarreia

Vários profissionais de saúde encontram-se nos distritos para em conjunto com os líderes comunitários e activistas das associações do ramo de combate à malária sensibilizar as comunidades locais sobre os cuidados de higiene a ter em conta nesta época chuvosa.

Outros profissionais foram orientados para trabalharem a tempo inteiro nos centros de acomodação das vítimas das cheias ou inundações que foram abertos em diferentes pontos do país, sobretudo nas províncias da Zambézia e Niassa.

A medida resulta dos recentes casos de eclosão da doença, reportados em algumas províncias do país, nomeadamente Sofala, Niassa e Nampula.

A eclosão destas doenças está associada a fragilidades do saneamento do meio e o início da época chuvosa. As chuvas, além de criar muitos charcos, arrastam consigo muito lixo para as residências, vias públicas, mercados, entre outros locais.

Segundo o director Nacional de Saúde Pública, Francisco Mbofana, de Dezembro do ano passado a esta parte foram reportados casos de diarreias nos distritos de Cuamba e Lago, na província de Niassa, Caia, em Sofala, assim como na cidade de Nampula.

Mbofana referiu que só no dia 25 de Dezembro, a cidade de Nampula registou 433 casos cumulativos, em consequência, três pessoas perderam vida. Na província de Niassa, o distrito de Lago registou, no dia 16 de Janeiro corrente, 65 casos cumulativos e três óbitos. Ainda neste mês, no dia 14, o distrito de Cuamba registou oito casos cumulativos, sem nenhum óbito.

Enquanto, a província de Sofala registou, no mesmo mês, no dia 13, em Caia 65 casos cumulativos, dos quais duas pessoas perderam a vida.

A tendência nos últimos dias é de os casos reduzirem nesses locais, mas, mesmo assim, as autoridades da Saúde continuam preocupadas, uma vez que o país continua debaixo de chuvas.

“Estamos preocupados com a eclosão de diarreias, razão pela qual, os profissionais da Saúde estão no campo para transmitir as boas maneiras de evitar a doença. Portanto, esta doença só pode ser controlada se evitar-se a defecação a céu aberto, a falta de limpeza das mãos após as necessidades fisiológicas, consumo de água imprópria, entre outras práticas”, disse.

O nosso entrevistado, acrescentou que os técnicos de saúde continuam a desenvolver actividades de controlo de foco de infecção desta doença nos distritos. De entre as acções está o tratamento das fontes de água, educação para a saúde, distribuição de “certeza”, desinfecção das casas e dos pertences, busca activa dos casos nas comunidades, determinação do cloro nas águas, entre outras medidas.    

PULVERIZADOS 34 DISTRITOS

O Ministério da Saúde, no âmbito do projecto de combate a malária, ainda não tem capacidade para pulverizar todos os distritos do país. Até o momento apenas beneficia destes serviços 34 distritos, sendo que a maioria dos 107 distritos apenas recebem redes mosquiteiras.

Esta é a forma que foi encontrada pelas autoridades para abranger todos distritos no projecto de luta contra a malária, visto que as condições financeiras disponíveis ainda não permitem que todos sejam pulverizados.

De acordo com dados do Ministério da Saúde no ano passado houve um esforço no sentido de alargar para 59 distritos, mas foi possível cobrir 36. No mesmo período foram pulverizadas um total de 1.232.700 casas das 1.366.096 que estavam planificadas.

A selecção dos distritos beneficiários da pulverização foi baseada no número de habitantes residentes nesses locais.

O director Nacional de Saúde Pública, Francisco Mbofana, conta que o processo de distribuição das redes mosquiteiras está em curso desde o ano de 2002.

Actualmente, o grande desafio para o sector é sensibilizar as comunidades para aderirem a esta campanha, considerando a importância e os resultados da mesma.

Falando sobre o impacto das actuais medidas do combate a malária, Mbofana, disse que os resultados são positivos, pois de 2006 a 2014 houve uma significativa redução dos casos e também de óbitos devido a doença.

Em 2013 tivemos o registo de 3 milhões e 900 casos de malária, o que causou cerca de três mil óbitos. Os números ainda são muito altos mas encorajam-nos bastante pelo facto de nos últimos tempos termos reduzido os óbitos, disse.

Acrescentou que a sua direcção vai continuar a trabalhar de forma a baixar mais os casos assim como as mortes por causa desta doença, mas um aspecto chave na malária, assim como noutras doenças, é fazer melhores intervenções. As redes mosquiteiras não são efectivas quando são guardadas na mala. 

Abibo Selemane

habsulei@gmail.com

Fotos de Carlos Uqueio

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