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PROFISSÕES: Ser modelo não se resume a dez dias de MFW

Por admin

– Júlia Manguene, modelo e estudante universitária

Em Moçambique ainda não se enche o peito para falar de moda. É que na realidade “não temos agências. Está-se a tentar criar”, palavras de Júlia Manguene, modelo e estudante universitária, em conversa com o domingo. Diante desta carência, nada mais resta senão contentar-se com as esporádicas solicitações ou aparições em eventos de pequena ou grande envergadura. É total desilusão para os amantes do mundo fashion, afinal,“ser modelo não se resume a dez dias de Mozambique Fashion Week”, considera Júlia.

Como explicar o desinteresse por esta área no nosso país?

Veja, internamente, a moda e a actividade a ela inerente é mero divertimento, não existe ainda uma indústria forte virada para esta actividade,diferente de países como Angola e África do Sul, aqui no nosso continente, só para citar alguns exemplos. Isto contrasta com a Europa ou outros pontos do universo, onde se faz carreira como modelo e vive-se disso, para além de que faz parte da cultura desses povos. Já aqui…

Sim, por aqui…

Envolvemo-nos nisto por amor à camisola, não se espera nenhum reconhecimento, faltam-me, inclusive, palavras para denominar a forma como se encara esta actividade no nosso país… fico-me pelo mero divertimento.

Mas Júlia Manguene é modelo e, diga-se de passagem, um monumento perdido entre nós…

Bem, foi graças aos concursos em que participei: o Miss 2011, entre escolas, o que me conferiu o passaporte para participar no concurso da Elite Model Look Mozambique, no mesmo ano. Venci este concurso e representei o país em Xangai, na China.

Sempre se interessou pela moda? O que a levou a apostar em si?

É engraçado que fui por curiosidade, não acreditava que me pudesse sair bem…

Como não?

É que na verdade, quando criança, não era assim tão vaidosa, o único indicador de que existia algum fascínio pela carreira de modelo era a minha forma de caminhar. Isto aos 14/15 anos. Acabei cultivando a vaidade para ultrapassar algumas coisas que achava que não estavam bem em mim. Por exemplo, achava-me excessivamente magra. Então criei formas de desviar a atenção das pessoas para aspectos que me tornavam interessante.

De que forma?

Mexendo no cabelo de várias formas: desfrisando-o; cortando-o à channel; pintando-o de diferentes cores… enfim, fazendo coisas que eu própria nunca imaginei que pudesse executá-las.

Já agora, repara na forma como os outros se vestem?

Reparo e não gosto de trajes vulgares. Mas, atenção, que há um vulgar que pode ser considerado fashion!

­Ah sim? Quer se explicar?

Isso depende muito da atitude de quem se veste, da forma como a pessoa defende as suas escolhas.

Como se apresenta no seu dia-a-dia?

Tenho um estilo eclético, isto é, sem preferências marcantes: saia curta ou comprida; de vez em quando faço misturas: vestido com sapatilha… às vezes seguindo tendências, outras seguindo ideias próprias.

DA BANDA MODEL

PARA O MUNDO

Os concursos organizados internamente abriram-lhe portas para novas experiências. Fala-nos da sua vida como modelo.

Primeiro deixe-me explicar que, após participar no Miss 2011 e no concurso da Elite Model Look Mozambique, a organização destes eventos interessou-se por me encaminhar para o mundo da moda. Então, através da Banda Model Manangment, uma agência internacional, procurou-se formas de catapultar a minha carreira. Com efeito, de 2011 a 2013, viajei muito para vários lugares – Amesterdão, Hamburgo, Berlim, Portugal, Paris… –  para participar em castings. E, mais do que cultivar o sucesso no mundo da moda, conheci muita gente, moldei a minha personalidade, amadureci.

Enfrentou dificuldades nesse entremeio?

Muitas! Foram os momentos mais difíceis da minha vida, pois tive de ficar longe da minha família e, ao mesmo tempo, adaptar-me ao temperamento das pessoas que estavam à minha volta, a génios difíceis. Mas havia, sobretudo, um grande nó que era o facto de disputarmos as mesmas coisas. Um lugar de destaque…

Conseguiu alcançar os seus objectivos, ser modelo de sucesso?

O que lhe posso dizer é que ainda almejo estar em melhores agências, construir uma carreira sólida. Contudo, pelo facto de ser uma pessoa extremamente objectiva e não sonhadora estou também virada para a minha formação académica, ao nível superior. Frequento o curso de Contabilidade e Auditoria, e já me formei em Relações Públicas e Marketing até para ter desenvoltura em questões de protocolo. Depois de alguns anos de trabalho e grande parte do tempo fora do país, sobretudo de 2011 a 2013, neste momento estou mais virada para a minha formação académica.

Afinal de contas, o que é ser modelo?

Não foge do que é ser actor, temos de encarnar uma personagem ou personagens, não só no que somos, mas também o que vestimos. Através desses trajes procuramos passar uma imagem; e essa coisa de moda envolve criação e inovação.

Tem planos de se dedicar à área da moda, até mesmo na formação dos seus sucessores?

Gostaria de criar uma escola de moda, mas tudo depende do mercado, e há que contar com a cooperação dos outros que actuam nesta área, afinal se trata de um campo no qual se movimentam peças de um lugar para outro… da África do Sul para Angola, daqui para outros lugares…sozinha seria impossível conseguir materializar este desejo.

Conversa corrida

Idade?

22 anos

Residência?

Maputo

Altura?

1,79 m

Onde compra as suas roupas?

Onde passo e vejo o que me agrada…

Gosta de viajar?

Muito

Qual é o lugar dos sonhos?

Milão

É casada?

Não

Onde gostaria de passar a lua-de-mel?

Nunca parei para pensar nessas coisas (risos).

Um perfume.

TruthOr Dare

Um carro.

BMW

Modelo de eleição ao nível nacional?(     )

Ao nível internacional?

Tyra Banks.

Uma figura nacional que admira.

Mingas. Mas, deixe-me fazer uma ressalva, a minha mãe é a mulher que mais admiro no mundo, é uma mulher de fibra. E…

Sim?

Também um homem que deve entrar na lista dos que merecem a minha homenagem: o Ibraimo, irmão mais novo da minha mãe. É uma pessoa a quem serei grata para o resto da vida. Cuidou de mim desde bebé e foi sempre um grande companheiro.

Sabe cozinhar?

Cozinho muito bem. De tudo. Faço bolos e outros doces.

Como é que se imagina daqui a cinco anos?

Com dois filhos gémeos.

Vai fazer inseminação artificial?

(risos).

Texto de Carol Banze
carolbanze@snoticias.co.mz

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